Alcolumbre envia para Comissão de Assuntos Econômicos indicação de Otto Lobo para CVM
Indicação gerou polêmica porque contrariou equipe econômica; Otto Lobo deu votos que beneficiariam Master para não ser liquidado pelo Banco Central


Nathalia Fruet
A indicação de Otto Lobo para a presidência da Comissão de Valores Mobiliários chegou nesta quinta-feira (9) à Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado. A ação aconteceu no mesmo dia em que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), enviou também o nome de Jorge Messias para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).
Lobo já foi diretor e presidente interino da CVM e deixou o cargo em dezembro do ano passado. O ex-ministro Fernando Haddad (PT) foi contra a recondução dele ao cargo, no entanto, integrantes do Centrão e o próprio presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), pressionaram Lula para que Lobo fosse o indicado.
O nome de Otto Lobo chegou ao Senado em janeiro e, desde então, é alvo de contestação, porque votos dados pelo advogado quando ele estava na CVM teriam beneficiado o Banco Master. A área técnica do Tribunal de Contas da União apontou em fevereiro deste ano indícios de irregularidades em um voto dado pelo indicado à CVM enquanto ele era presidente interino da Comissão. O voto de Lobo, segundo o TCU, permitiu uma operação de aporte de capital para ajudar o Master a maquiar o rombo do banco. A coluna procurou Otto Lobo, que não respondeu o nosso contato.
A Comissão de Valores Mobiliários entrou na mira de investigadores da Polícia Federal depois que os agentes começaram a apurar o envolvimento de um ex-diretor da autarquia no escândalo do Master. Henrique Machado Moreira é investigado pela PF por suspeita de favorecer o banco de Daniel Vorcaro em processos administrativos que foram instaurados na CVM e depois arquivados. Henrique Machado nega as acusações.










