Política

Ala do PSOL cita Natalia Boulos para rebater Erika Hilton

Deputada federal criticou recursos destinados a candidatos estreantes, mas não citou aliada

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André Barbeiro , Nathalia Fruet
24/06/2026, 17:40 • Atualizado em 24/06/2026, 17:44
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A deputada Erika Hilton (Psol-SP) | Vinicius Loures/Câmara dos Deputados

A deputada Erika Hilton (Psol-SP) | Vinicius Loures/Câmara dos Deputados

Dirigentes do PSOL ouvidos em condição de reserva pelo SBT News criticaram a decisão da deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) de fazer uma série de críticas públicas ao partido nas redes sociais e a acusaram de lançar mão de estratégia agressiva para conseguir mais recursos para sua própria campanha, em detrimento dos objetivos da sigla.

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Eles dizem que é sintomático que a parlamentar não tenha citado os recursos que serão recebidos por aliados que estão na mesma situação de pré-candidatos mencionados por ela e que também poderiam ser criticados sob a ótica do privilégio de gênero e de raça, assim como Erika colocou nas redes sociais.

Membros do partido apontam, por exemplo, que Natalia Szermeta Boulos, aliada de Erika e esposa do ministro Guilherme Boulos (Secretaria-Geral da Presidência), receberá o mesmo que Juliano Medeiros, presidente da federação PSOL-Rede, citado nominalmente pela deputada.

Erika e Boulos fazem parte da mesma corrente do PSOL, a Revolução Solidária, e Medeiros pertence à Primavera Socialista.

Nesse ponto, os dirigentes questionam o motivo para que a destinação dos recursos a Natalia também não poderia ser criticada como “privilégio branco e cis”, assim como apontado por Erika.

Nas redes sociais, Medeiros sublinhou que Erika receberá o maior valor entre os candidatos a deputado do PSOL pelo país, R$ 2,3 milhões. A informação foi confirmada pelo partido, que não detalhou valores.

Procurada pelo SBT News, Natalia Boulos não quis se manifestar.

Entenda o caso

A deputada Erika Hilton escreveu nesta terça-feira (23) que está “chocada e decepcionada” com decisões da legenda relacionadas à distribuição de recursos financeiros para as eleições de 2026 e acusou o partido de descumprir acordos firmados com lideranças.

Erika falou em “privilégio branco e cis” e disse que candidatos em primeira candidatura receberão o mesmo valor que ela para fazer campanha.

Em suas críticas, Erika apontou que candidatos como Juliano Medeiros, presidente da federação PSOL-Rede que será candidato pela primeira vez, terão a mesma prioridade que ela.

Partido rebate

Em nota enviada ao SBT News, a direção nacional do PSOL disse que a distribuição dos recursos eleitorais está “em conformidade” com os objetivos da legenda. O partido disse que a estratégia busca eleger mais representantes e “derrotar a extrema-direita” nas eleições de outubro.

A sigla também afirmou que Erika Hilton está entre as pessoas que mais recebem recursos de campanha, considerando os limites do fundo eleitoral e os critérios internos de distribuição adotados pelo partido.

Segundo a nota, a proposta de distribuição dos recursos ainda será votada nas instâncias partidárias e considera metas eleitorais da legenda. O PSOL informou que o modelo estabelece um teto com o maior valor possível para todos os detentores de mandato que disputarão a reeleição, considerados pela sigla como principais puxadores de voto.

"[O PSOL] posiciona a campanha de Érika Hilton como maior investimento entre todas as candidaturas proporcionais do partido, diante do limite de recursos disponíveis e da necessidade de financiamento das demais candidaturas, tanto majoritárias quanto proporcionais em todas as Unidades da Federação", defendeu o partido.

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