Política

'Abin Paralela': PF descobriu operação hacker do Paraguai a partir de software espião

Inquérito apura o uso do FirstMille pela agência durante o governo Bolsonaro para investigar adversários políticos; órgão não comenta

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Caio Crisóstomo
05/05/2025, 16:31 • Atualizado em 05/05/2025, 16:31
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Entrada da Agência Brasileira de Inteligência | Antonio Cruz/Agência Brasil

Entrada da Agência Brasileira de Inteligência | Antonio Cruz/Agência Brasil

A operação hacker realizada pela Agência Brasileira de Inteligência (Abin) contra o governo do Paraguai foi descoberta após a Polícia Federal (PF) identificar pesquisas de pessoas relacionadas à ação de inteligência contra autoridades estrangeiras. As buscas teriam sido feitas no FirstMille, software espião que deu início ao inquérito chamado Abin Paralela.

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Após identificar os chamados “logs” (registros de pesquisas) feitos no FirstMille, a PF mapeou o contexto em que cada busca foi realizada. Ou seja, investigou em que operação cada pesquisa havia sido realizada.

Procurada, a Abin disse que não se manifesta sobre investigações em andamento. + PF intima diretor-geral da Abin a depor sobre suposta espionagem no Paraguai

Parte do processo de identificação foi auxiliada pela própria Abin no início das investigações em 2024, mas alguns casos ficaram sem respostas e, por isso, coube à PF realizar por conta própria a localização das operações.

Os gestores do software na Abin foram intimados para depor na PF com objetivo de auxiliar a identificar o contexto das buscas. Os depoimentos de alguns servidores revelaram ações de inteligência realizadas pela agência já durante o governo Lula (PT) com dados obtidos pelo software espião, que deixou de ser usado em 2021.

Apesar do FirstMille não ter sido usado diretamente na operação do Paraguai, trabalhos anteriores foram feitos baseados nele. Na invasão de computadores de autoridades paraguaias, foram usados outros programas, como Cobalt Strike. + "Abin paralela": PF deve indiciar 2 da atual cúpula a partir de documento de ex-corregedora

Em 2023, um documento assinado pelo diretor-geral da Abin, Luiz Fernando Correa, enviado ao Tribunal de Contas da União (TCU) mostra que a agência ainda usava informações obtidas pelo FirstMille em operações em curso.

Para a PF, as pesquisas realizadas pelos agentes da Abin no FirstMille fugiu da legalidade e das atribuições da agência. A quantidade dos logs encontrada pelos investigadores é de cerca de 30 mil, mas isso não quer dizer que essa foi a quantidade de pessoas espionadas. Em determinados casos, mais de uma busca era feita para a mesma operação e, em situações excepcionais, repetida algumas vezes.

O rastreio pelo FirstMille funcionava em dois passos: digitava-se o número de celular a ser monitorado no programa. Em seguida, o software oferecia um histórico de deslocamentos e movimentações em tempo real, ao rastrear a transferência de dados dos celulares para torres de telecomunicações.

Foram identificados em pesquisas do software espião nomes de pessoas homônimas como de Alexandre de Moraes, que tem o mesmo nome do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), relator do caso. E também de Adélio Bispo, acusado de dar uma facada em Bolsonaro durante a campanha presidencial de 2018.

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