Cidades

Um ano após execução de delator do PCC em Guarulhos, mandantes do crime seguem foragidos

Três acusados de planejar a morte de Antônio Vinícius Gritzbach continuam fora do país, segundo a polícia

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Fabio Diamante, Robinson Cerantula
08/11/2025, 00:04 • Atualizado em 08/11/2025, 02:42
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Um ano depois, a caçada contra os três foragidos do assassinato do delator do PCC, Antonio Vinicius Gritzbach, de 38 anos, segue silenciosa. Os criminosos que ainda estão em liberdade são peças centrais na emboscada que chocou o país pela ousadia.

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Gritzbach foi executado em 8 de novembro do ano passado, logo após desembarcar no Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos. Ele foi fuzilado com dez tiros em plena luz do dia. Os executores, todos policiais militares que trabalhavam para traficantes de drogas, foram presos.

O primeiro foragido é Kauê Amaral Coelho, de 29 anos. Considerado uma peça-chave, o crime começou a ser esclarecido a partir dele. Kauê estava no saguão do aeroporto vigiando a chegada de Gritzbach e foi quem deu o sinal para os executores agirem.

Corretor de imóveis especializado em lavar dinheiro para criminosos da facção Primeiro Comando da Capital (PCC), Gritzbach havia sido apontado como mandante do assassinato do traficante Anselmo Santa Fausta, o “Cara Preta”, em 2021.

Acusado também de causar um prejuízo milionário a integrantes do PCC, Gritzbach fez uma delação premiada com promotores de Justiça, entregando bandidos e policiais corruptos. Tornou-se, assim, um alvo valioso.

Kauê nunca foi preso. Fugiu dias depois para o Rio de Janeiro. Com a prisão decretada, ele se escondeu na Vila Cruzeiro, comunidade dominada pelo Comando Vermelho (CV).

“Nós tivemos equipes que foram pro Rio de Janeiro, na Vila Cruzeiro, na comunidade da Penha, onde ele estava. Só que não tinha como entrar lá, não era nem um pouco seguro”, contou a delegada Ivalda Aleixo, diretora do Departamento de Homicídios. “Ele tinha uma ordem de que não podia sair porque nós estávamos lá.”

Policiais de São Paulo chegaram perto. Com o uso de um drone, filmaram Kauê em uma casa com piscina no meio da comunidade.

Mas invadir o local era uma missão impossível. Os criminosos do CV descobriram a presença dos policiais e derrubaram o drone.

“Eles veem o drone, percebem a presença e usam uma arma anti-drone, que corta o sinal e faz o equipamento cair”, disse a delegada.

Desde então, Kauê nunca mais foi visto. Setores de inteligência da polícia paulista afirmam que ele fugiu para a Bolívia. Mas ele não fugiu sozinho. Escapou com o segundo foragido: Diego dos Santos Amaral, o Didi, traficante do PCC e primo de Kauê. A investigação aponta Didi como um dos mandantes da morte de Gritzbach. Ele teria organizado a emboscada e, após a fuga pelo Rio, também estaria na Bolívia.

O principal mandante do crime também está foragido e já teria deixado o país. Emílio Gongorra Castilho, conhecido como “Cigarreira”, é apontado como o mentor da execução de Gritzbach. Para entender sua motivação, é preciso voltar a novembro de 2010.

Na época, Cigarreira era um dos traficantes do CV que fugiram da megaoperação das forças de segurança na Vila Cruzeiro. Ele ganhou o apelido por ter começado no crime como contrabandista e falsificador de cigarros. Mais tarde, passou a traficar armas e drogas. Após a fuga, se escondeu em São Paulo e foi acolhido por Anselmo Santa Fausta, o “Cara Preta”. Os dois se tornaram próximos — mais do que amigos, eram compadres. Por indicação de Anselmo, Cigarreira investiu dinheiro com Gritzbach. Assim como outros criminosos, teve grande prejuízo. “Pra nós, ficou com cara de vingança pessoal. O próprio Cigarreira perdeu dinheiro e queria de volta”, afirmou a diretora do DHPP

Segundo a polícia paulista, Cigarreira mantém boa relação com Edgar Alves de Andrade, o Doca, principal chefe do Comando Vermelho em liberdade. Ele estava em São Paulo durante o planejamento do crime. “Durante a investigação, chegamos até um depósito que pertencia ao Cigarreira. Pelo que apuramos, ele morava ali, tinha quarto, banheiro, roupas e medicamentos. No dia 7, eles ainda estavam lá”, completou a delegada.

Na véspera da execução, Cigarreira fretou um avião em Jundiaí, no interior paulista, e voltou para a Vila Cruzeiro. Ficou escondido na comunidade por meses sob proteção do CV. Segundo a polícia, depois deixou o país rumo ao Suriname.

De acordo com os investigadores, Gritzbach pagou com a vida por cometer os maiores erros do mundo do crime: trair a amizade, roubar e “caguetar” comparsas. O fim, não poderia ser outro.

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