Polícia

Tiroteios no Rio caem 13%, mas número de baleados cresce 6%

Em março de 2026, cidade registrou 148 tiroteios, número menor em relação ao ano anterior (170); já numero de baleados saltou de 110 para 139

Uma troca de tiros em uma das avenidas mais movimentadas da Barra da Tijuca, na zona oeste do Rio de Janeiro, terminou com uma mulher ferida por bala perdida nesta terça-feira (14). O caso ilustra um cenário que tem se repetido na região metropolitana: menos tiroteios, mas maior gravidade nas ocorrências.

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Um policial militar foi alvo de criminosos quando chegava para trabalhar na estação do BRT Expresso. Ele reagiu à abordagem, e houve troca de tiros em plena via pública, atingindo uma mulher que passava pelo local.

A vítima foi socorrida por pessoas que estavam nas proximidades e levada ao hospital. Segundo informações médicas, não há risco de morte.

Dados do Instituto Fogo Cruzado indicam que, em março de 2026, a cidade registrou 148 tiroteios, uma queda de 13% em relação ao ano anterior (170).

Apesar da redução nos confrontos armados, o número de pessoas atingidas aumentou. Em 2025, foram 110 baleados. Já neste ano, o número aumentou para 139, um crescimento de 6%.

O crescimento, segundo o Instituto Fogo Cruzado, está diretamente ligado ao tipo de ocorrência, especialmente ações policiais.

Mais da metade (51%) dos tiroteios registrados no mês ocorreu durante operações das forças de segurança, um aumento de 63% em relação ao ano anterior. Ao todo, 78 pessoas foram baleadas nessas circunstâncias.

Para o coordenador do Instituto Fogo Cruzado, Carlos Nhanga, o padrão indica uma mudança no perfil da violência, com maior concentração de vítimas em episódios mais letais.

E é possível ser vítima fora de um confronto. Mesmo quem não participa diretamente de confrontos tem sido atingido.

Em áreas movimentadas e durante o dia, a ação de criminosos ou operações policiais pode resultar em feridos. Em um ano, os casos de pessoas baleadas durante assaltos dobraram: passaram de 8 para 16 registros.

Histórias por trás das estatísticas

A violência também se reflete em trajetórias familiares marcadas por perdas.

Daniele Soares relatou já ter perdido um primo por bala perdida e uma irmã baleada em outro episódio. Agora, ela e a filha presenciaram mais um assalto com violência.

Em outro caso, o pai de uma vítima cobra justiça pela morte do filho durante uma ação policial.

Fernando Guimarães questiona a atuação do agente envolvido:

"É um absurdo. Um policial admitir que deu dois tiros no meu filho e está solto."

Segundo o Instituto Fogo Cruzado, operações policiais têm grande impacto nos números de vítimas, mesmo quando há redução no total de tiroteios.

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