São Paulo registrou 12 roubos de carga por dia em 2024
Crimes crescem nas áreas urbanas e aumentam os custos para os consumidores
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Simone Queiroz
O roubo de cargas tem se tornado um problema crescente nas áreas urbanas do Brasil. Em 2024, a cidade de São Paulo registrou, em média, 12 casos por dia. Ao contrário do que se imagina, a maior parte desses crimes não ocorre em rodovias, mas em vias urbanas, onde os criminosos aproveitam a movimentação intensa para agir.
A economia brasileira depende fortemente do transporte de mercadorias feito por caminhões, carretas, furgões e outros veículos utilitários. No entanto, o crescimento do comércio eletrônico e o aumento das entregas domiciliares desde a pandemia intensificaram o fluxo de cargas nas cidades, tornando-as alvos fáceis para criminosos.
Um levantamento realizado por três empresas de gerenciamento de risco, que prestam serviços a transportadoras responsáveis pela maior parte das cargas no país, revelou que, no último ano, os prejuízos causados por roubos em áreas urbanas representaram 34,1% do total nacional.
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Os estados do Rio de Janeiro (25%) e de São Paulo (45,8%) lideram o ranking de ocorrências, seguidos por Minas Gerais (12,1%). Os crimes acontecem, principalmente, às segundas-feiras e durante a noite e madrugada.
As Guardas Civis Metropolitanas poderão atuar na prevenção desses crimes, após a decisão do Supremo Tribunal Federal que ampliou suas atribuições. Na cidade de São Paulo, elas terão essa atribuição, segundo Orlando Morando, secretário de Segurança Urbana, "a partir da decisão, a corporação poderá abordar, averiguar e realizar inspeções completas".
Os prejuízos com roubos de carga são expressivos. De acordo com Maurício Ferreira, vice-presidente de Inteligência de Mercado da Nstech, "o roubo de cargas impacta diretamente o mercado de seguros. As seguradoras cobrem os prejuízos junto aos clientes, e os valores chegam a algo entre 1,5 e 2 bilhões de reais por ano no Brasil, no mínimo, nas últimas duas décadas".
Com o aumento da criminalidade, os custos dos seguros disparam e acabam sendo repassados ao preço final das mercadorias. No fim, quem paga a conta é o consumidor. Além disso, os motoristas enfrentam um risco inestimável: o de perder a própria vida.