"Quis aliviar o sofrimento", diz técnico investigado por mortes em hospital de Brasília
Apesar das declarações, a motivação real ainda não foi esclarecida

Pedro Canguçu
O técnico de enfermagem Marcos Vinícius Silva Barbosa de Araújo, 24 anos, acusado pela morte de três pacientes num hospital particular de Brasília, apresentou versões diferentes ao longo dos depoimentos sobre o que o teria motivado a cometer os crimes investigados. Em um primeiro relato, ele afirmou que teria agido com a intenção de "aliviar o sofrimento das vítimas". Em seguida, mudou a versão e alegou que o hospital estaria "tumultuando" no momento dos fatos. Posteriormente, voltou a alterar o depoimento e declarou que teria cometido os atos por "estar nervoso".
Apesar das declarações, a motivação real ainda não foi esclarecida. Os investigadores destacam que as versões são contraditórias e que nenhuma delas explica, de forma consistente, a conduta atribuída ao técnico de enfermagem.
As apurações indicam que os pacientes apresentaram piora clínica súbita e parada cardiorrespiratória logo após a aplicação de substâncias diretamente na veia, em circunstâncias consideradas incompatíveis com a evolução natural dos quadros clínicos. Laudos técnicos apontam que os produtos utilizados tinham potencial para causar a morte.
Relembre o caso
O caso veio à tona após a identificação de mortes suspeitas ocorridas dentro da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Anchieta. As vítimas, pacientes internados, teriam recebido substâncias indevidas enquanto estavam sob cuidados da equipe de enfermagem.
As apurações indicam que os episódios ocorreram durante o plantão do técnico, que atuava diretamente na assistência aos pacientes. O hospital informou que colaborou com a apuração desde o início e que adotou medidas administrativas, incluindo o desligamento dos profissionais envolvidos, após a identificação das irregularidades.
As vítimas identificadas até o momento são:
- João Clemente Pereira, de 63 anos, que trabalhava na Caesb;
- Marcos Moreira, de 33 anos, servidor dos Correios;
- Miranilde Pereira da Silva, professora aposentada, de 75 anos.
Os técnicos de enfermagem identificados como suspeitos são:
- Marcos Vinícius Silva Barbosa de Araújo, de 24 anos;
- Marcela Camilly Alves da Silva, de 22 anos;
- Amanda Rodrigues de Sousa, de 28 anos.
Segundo as investigações, Marcos Vinícius teria sido o responsável por prescrever irregularmente um medicamento, utilizando o login de um médico no sistema do hospital, retirar o produto na farmácia da unidade e aplicá-lo diretamente nas vítimas, sem autorização da equipe médica. Em um dos casos, ele também teria injetado desinfetante diversas vezes em uma das pacientes.
As apurações indicam ainda que as outras duas técnicas de enfermagem auxiliaram em parte das ações, estando presentes no momento da retirada dos medicamentos e da aplicação em dois dos casos. O inquérito segue em andamento, com análise de laudos periciais, prontuários médicos, imagens de câmeras de segurança e novos depoimentos.
A apuração busca esclarecer a dinâmica dos fatos, a eventual participação de outras pessoas e, principalmente, o real motivo por trás das mortes investigadas.









