PRF que matou comandante da Guarda de Vitória era investigado por importunação sexual
Segundo relatos, Diego Oliveira de Souza tentou estuprar uma colega de farda; processo está na fase final de apuração e ele corria risco de ser demitido


Emanuelle Menezes
com informações da TV Sim
O policial rodoviário federal Diego Oliveira de Souza, que matou a tiros a comandante da Guarda Municipal de Vitória, Dayse Barbosa, de 37 anos, era alvo de um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) na corporação por importunação sexual. O caso estava na fase final de apuração, e ele poderia ser demitido.
De acordo com a Polícia Rodoviária Federal (PRF), o procedimento foi instaurado em meados de 2025, após a instituição tomar conhecimento dos fatos.
Oficialmente, a investigação apurava a suposta prática de incontinência pública e conduta escandalosa no ambiente de trabalho, conforme o artigo 132, inciso V, da Lei nº 8.112/90, que trata de infrações passíveis de demissão no serviço público.
Relatos apontam que o policial teria tentado estuprar uma colega de farda. Segundo a denúncia, ele só teria interrompido a ação após a vítima conseguir se desvencilhar e alertar que se tratava de um estupro. Ainda assim, ele teria insistido, questionando o motivo da recusa.
Comportamento possessivo
Após o crime contra Dayse Barbosa, surgiram relatos sobre o comportamento de Diego. Segundo a delegada titular da Delegacia de Homicídios e Proteção à Mulher, Raffaella Aguiar, testemunhas o descrevem como ciumento, possessivo e extremamente controlador.
Familiares da comandante afirmam que Dayse vinha sendo perseguida pelo ex-namorado, que não aceitava o fim de um relacionamento considerado conturbado. Apesar disso, não houve registro formal de ocorrência, e o caso não chegou a ser investigado.

Crime com indícios de premeditação
A comandante foi morta na madrugada de segunda-feira (23), dentro da casa onde morava, em Vitória. De acordo com a investigação, o suspeito invadiu o imóvel ao pular o muro com auxílio de uma escada.
Ele arrombou a porta do quarto e efetuou cinco disparos contra Dayse, que foi atingida na região da nuca. No local, a perícia recolheu projéteis e identificou sinais de arrombamento.
Ainda segundo a apuração, o policial levava em uma bolsa ferramentas como alicate, chave de corte, faca e álcool, além de itens como canivete, carregador de munições e isqueiro – elementos que reforçam a hipótese de premeditação.
Após o assassinato, Diego tirou a própria vida dentro da residência.
Comoção e homenagens
Primeira mulher a comandar a Guarda Municipal de Vitória, Dayse Barbosa foi sepultada sob forte comoção. Familiares, amigos e colegas de corporação prestaram homenagens durante o velório.
O cortejo até o Cemitério de Santo Antônio contou com a presença de viaturas da Guarda Municipal, que acompanharam o trajeto com sirenes ligadas em sinal de respeito.
Natural de Vitória, Dayse cresceu no bairro Santo Antônio, era formada em Pedagogia e integrava a Guarda desde 2012. Reconhecida pela atuação firme e próxima da equipe, também se destacava pela defesa de pautas relacionadas ao enfrentamento da violência contra a mulher – tema presente em suas últimas publicações nas redes sociais.
Ela deixa uma filha de 8 anos, fruto de um relacionamento anterior.
Como denunciar violência contra a mulher
- Ligue 180: Central de Atendimento à Mulher
O atendimento funciona 24 horas por dia, incluindo sábados, domingos e feriados, e está disponível também no WhatsApp pelo número (61) 9610-0180. A ligação é gratuita.
O serviço telefônico do governo federal orienta e encaminha denúncias de violência contra as mulheres, bem como os locais de atendimento mais próximos e apropriados para cada caso, como as Delegacias de Atendimento à Mulher (Deam).
- 190: Polícia Militar
Em caso de emergência, também é possível ligar para o 190 e pedir o auxílio da Polícia Militar. O atendimento telefônico é gratuito e funciona 24 horas por dia, incluindo sábados, domingos e feriados.
- Polícia Civil: Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (DEAMs) e Delegacias de Defesa da Mulher (DDMs)
Mulheres que são vítimas de algum tipo de violência, tanto doméstica como familiar, podem denunciar seus agressores por meio de um boletim de ocorrência de forma presencial, em uma Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (DEAMs) ou Delegacia de Defesa da Mulher (DDM).
Caso não encontre uma especializada, a mulher pode prestar queixa na delegacia mais próxima.
Quem pode denunciar?
Qualquer pessoa pode fazer uma denúncia e auxiliar mulheres em situação de violência. Ao contrário do ditado popular, em briga de marido e mulher se mete a colher, sim.
A denúncia de conhecidos e vizinhos, por exemplo, pode fazer toda a diferença entre uma agressão e um feminicídio. O Ligue 180 preserva o anonimato dos denunciantes.









