Cidades

Polícia Civil prende hackers que apagavam mandados de prisão para facção no RJ

Operação Firewall investiga invasões a sistemas públicos para ocultar ordens judiciais e débitos mediante pagamento

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Antonio Souza, Leo Santanna
18/12/2025, 20:51 • Atualizado em 18/12/2025, 20:51
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Segundo a polícia, os hackers utilizavam VPNs e credenciais roubadas de servidores da Justiça | Unsplash

Segundo a polícia, os hackers utilizavam VPNs e credenciais roubadas de servidores da Justiça | Unsplash

A polícia de Cabo Frio, no Rio de Janeiro, deflagrou nesta quinta-feira (18) a Operação Firewall, que mira um grupo de hackers suspeitos de invadir sistemas da administração pública para beneficiar integrantes do Comando Vermelho (CV). Duas pessoas foram presas até o momento.

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Segundo a Polícia Civil, as investigações, iniciadas em julho, identificaram que os criminosos ofereciam a remoção de mandados de prisão do sistema do Tribunal de Justiça mediante pagamento de R$ 3 mil.

O grupo também ocultava multas e débitos de IPVA dos criminosos que traziam alusões diretas ao CV. Os hackers utilizavam VPNs e credenciais roubadas de servidores da Justiça para acessar o Banco Nacional de Medidas Penais e Prisões (BNMP).

Como não era possível excluir os mandados, eles alteravam dados essenciais à localização da ordem judicial, fazendo com que consultas pelo nome correto não retornassem resultados, criando a falsa impressão de inexistência do mandado.

Ainda de acordo com a polícia, os criminosos ameaçavam os contratantes: caso o valor não fosse pago, novos mandados seriam “emitidos” contra eles.

Para desmantelar o esquema, os agentes identificaram inicialmente quem divulgava os anúncios nas redes sociais e, depois, seguiram o fluxo financeiro.

Foi constatado que a namorada de um dos investigados cedia a conta bancária para a movimentação do dinheiro ilícito. A partir dela, os policiais detectaram intercâmbio financeiro com criminosos de Minas Gerais.

Líder do grupo já havia sido preso

O líder do esquema, que foi localizado na operação, já havia sido preso em setembro por agentes da 36ª DP (Santa Cruz).

Segundo as investigações, ele trabalhou em empresas de certificados digitais e conseguiu “apagar” um mandado de prisão da Justiça Federal do Rio de Janeiro. Após o êxito, ele passou a oferecer o serviço a terceiros.

Enquanto atuava nessas empresas, segundo a polícia, ele realizava quebra de autenticação em duas etapas, decodificação de certificados digitais, manipulação de dados cadastrais de magistrados e emissão fraudulenta de alvarás judiciais.

Ele irá responder por violação de segredo profissional, associação criminosa e estelionato.

Até o momento, as investigações não apontam envolvimento de servidores públicos. Segundo os agentes, esses profissionais seriam vítimas de roubo de dados de login e senha.

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