PF pressiona governo a adiar em seis meses prazo para assumir controle de armas
Fragilidade dos militares para fiscalizar armamentos foi exposta na gestão Bolsonaro; trabalho da polícia está previsto para começar em janeiro
L
L
Leonardo Cavalcanti, Lara Curcino
18/11/2024, 23:11 • Atualizado em 18/11/2024, 23:11
compartilhar
Foto: Pixabay
A pouco mais de um mês para assumir a tarefa de fiscalizar os armamentos no país, a Polícia Federal(PF) ainda está longe de uma estrutura para realizar a tarefa. A partir e 1º de janeiro de 2025 a corporação passa oficialmente a regular as atividades de Caçadores, Atiradores e Colecionadores (CACs), um contingente de quase 800 mil pessoas, segundo os mais recentes dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. A falta de estrutura, entretanto, deve adiar o começo do trabalho por pelo menos seis meses. A sugestão é dos próprios investigadores da PF para o ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski.
Acompanhe o SBT News nas TVs por assinatura Claro (586), Vivo (576), Sky (580) e Oi (175), via streaming pelo +SBT, Site e YouTube, além dos canais nas Smart TVs Samsung e LG.
O governo chegou a prometer criar funções e unidades na Polícia Federal para atender à nova atribuição, mas não conseguiu. Para monitorar os CACs, a Diretoria de Fiscalização de Produtos Controlados (DFPC) contava com 2.000 servidores, segundo informações oficiais do Exército. O número serviu como base para a PF buscar no Ministério da Gestão e da Inovação orçamento para contratações, sem sucesso até aqui. Há, portanto, uma falta de estrutura inicial, incluindo a própria questão de ferramentas tecnológicas, o que pode levar no limite ao adiamento do prazo para o repasse da tarefa de investigação para a corporação.
A saída será remanejar servidores de outros órgãos ou criar novas unidades com o orçamento aprovado, o que leva pelo menos seis meses. A própria PF já passou recentemente por esse processo com a criação de outras diretorias, como a de Amazônia e Meio Ambiente, a de Segurança Presidencial e a de Crimes Cibernéticos. A escassez para tal manobra é grande, ainda mais sem concurso púbico autorizado. Há um outro dado: mesmo com remanejamentos, a gratificação para quem aceitar ser transferido para Brasília é de R$ 1.600, desestimulando policiais a saírem de estados com custos de vida mais baixos.
Entenda o caso
A fragilidade de os militares fiscalizarem os CACs e regularem os armamentos no país foi exposta ao longo do governo Bolsonaro, quando foram liberadas quase um milhão de armas, entre revólveres, pistolas, espingardas e metralhadoras.
Relatórios do corpo técnico do Tribunal de Contas da União (TCU) revelaram que, entre 2019 e 2022, os militares liberaram armas para cerca de 5 mil criminosos.
Documentos
A partir de uma ferramenta de inteligência artificial do Google, o Pinpoint, que faz um rastreamento de pontos em comum entre documentos, o SBT News compartilhou os relatórios do TCU com os termos da PF e do Exército sobre armamentos. O que se apresenta é uma dificuldade dos policiais federais em se adequar minimamente à atual estrutura das Forças Armadas, por mais frágil que tenha sido.
Acesse os relatórios do TCU em: https://journaliststudio.google.com/pinpoint/search?collection=72f9e7ffd45ba069&utm_source=collection_publish_link
PF pressiona governo a adiar em seis meses prazo para assumir controle de armasFragilidade dos militares para fiscalizar armamentos foi exposta na gestão Bolsonaro; trabalho da polícia está previsto para começar em janeiroCidades2024-11-18T23:11:22.691ZA pouco mais de um mês para assumir a tarefa de fiscalizar os armamentos no país, a Polícia Federal (PF) ainda está longe de uma estrutura para realizar a tarefa. A partir e 1º de janeiro de 2025 a corporação passa oficialmente a regular as atividades de Caçadores, Atiradores e Colecionadores (CACs), um contingente de quase 800 mil pessoas, segundo os mais recentes dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. A falta de estrutura, entretanto, deve adiar o começo do trabalho por pelo menos seis meses. A sugestão é dos próprios investigadores da PF para o ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski. O governo chegou a prometer criar funções e unidades na Polícia Federal para atender à nova atribuição, mas não conseguiu. Para monitorar os CACs, a Diretoria de Fiscalização de Produtos Controlados (DFPC) contava com 2.000 servidores, segundo informações oficiais do Exército. O número serviu como base para a PF buscar no Ministério da Gestão e da Inovação orçamento para contratações, sem sucesso até aqui. Há, portanto, uma falta de estrutura inicial, incluindo a própria questão de ferramentas tecnológicas, o que pode levar no limite ao adiamento do prazo para o repasse da tarefa de investigação para a corporação. A saída será remanejar servidores de outros órgãos ou criar novas unidades com o orçamento aprovado, o que leva pelo menos seis meses. A própria PF já passou recentemente por esse processo com a criação de outras diretorias, como a de Amazônia e Meio Ambiente, a de Segurança Presidencial e a de Crimes Cibernéticos. A escassez para tal manobra é grande, ainda mais sem concurso púbico autorizado. Há um outro dado: mesmo com remanejamentos, a gratificação para quem aceitar ser transferido para Brasília é de R$ 1.600, desestimulando policiais a saírem de estados com custos de vida mais baixos. Entenda o caso A fragilidade de os militares fiscalizarem os CACs e regularem os armamentos no país foi exposta ao longo do governo Bolsonaro, quando foram liberadas quase um milhão de armas, entre revólveres, pistolas, espingardas e metralhadoras. Relatórios do corpo técnico do Tribunal de Contas da União (TCU) revelaram que, entre 2019 e 2022, os militares liberaram armas para cerca de 5 mil criminosos. Documentos A partir de uma ferramenta de inteligência artificial do Google, o Pinpoint, que faz um rastreamento de pontos em comum entre documentos, o SBT News compartilhou os relatórios do TCU com os termos da PF e do Exército sobre armamentos. O que se apresenta é uma dificuldade dos policiais federais em se adequar minimamente à atual estrutura das Forças Armadas, por mais frágil que tenha sido. Acesse os relatórios do TCU em: https://journaliststudio.google.com/pinpoint/search?collection=72f9e7ffd45ba069&utm_source=collection_publish_linkSão PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/policia/pf-pressiona-governo-a-adiar-em-seis-meses-prazo-assumir-controle-de-armas
Congresso vazio trava pautas: 6x1, maioridade e misoginia
Pré-recesso, pressão econômica e disputa política travam pautas como o fim da escala 6x1, a redução da maioridade penal e a criminalização da misoginia