Cidades

Operação mira esquema bilionário de facção criminosa com postos, apostas e motéis em SP

Principal alvo é um empresário suspeito de lavar dinheiro por meio de uma rede de postos de combustíveis; 25 mandados foram cumpridos

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SBT News, Agência SBT
25/09/2025, 12:13 • Atualizado em 26/09/2025, 00:53
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O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) e a Receita Federal realizaram, na manhã desta quinta-feira (25), uma nova operação contra o esquema do PCC nos setores de combustíveis e jogos de azar.

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A ação, batizada de Operação Spare, tem como objetivo desarticular um sofisticado esquema de exploração de jogos de azar, adulteração de combustíveis e lavagem de dinheiro por meio de empresas de fachada. A operação é um desdobramento da Operação Carbono Oculto.

No total, foram cumpridos 25 mandados de busca e apreensão em São Paulo (19), Santo André (2), Barueri, Bertioga, Campos do Jordão e Osasco. Participaram da ação 64 servidores da Receita Federal, 28 membros do MP-SP e cerca de 100 policiais militares.

As investigações começaram após a apreensão de máquinas de cartão em casas de jogos clandestinos em Santos, vinculadas a postos de combustíveis.

A análise financeira revelou que os valores eram transferidos para uma fintech usada para ocultar a origem ilícita dos recursos.

O chefe do esquema, segundo o MP, seria o empresário Flávio Silvério Siqueira, conhecido como Flavinho, suspeito há anos de lavar dinheiro do crime organizado por meio de postos de combustíveis e empresas associadas a ele.

O jornalismo do SBT News não conseguiu contato com a defesa do investigado.

Rede criminosa e movimentações bilionárias

Segundo a Receita, o principal alvo está ligado a uma rede de postos de combustíveis usada para lavagem de dinheiro e sonegação fiscal. Entre 2020 e 2024, 267 postos ainda ativos movimentaram R$ 4,5 bilhões, mas recolheram apenas R$ 4,5 milhões em tributos federais — o equivalente a 0,1% do total movimentado, percentual muito abaixo da média do setor.

Além do ramo de combustíveis, o grupo utilizava franquias, motéis e empreendimentos imobiliários para dar aparência de legalidade aos recursos. Foram identificados 21 CNPJs ligados a 98 estabelecimentos de uma mesma franquia, que movimentaram cerca de R$ 1 bilhão em quatro anos, emitindo apenas R$ 550 milhões em notas fiscais.

No ramo hoteleiro, mais de 60 motéis foram identificados, a maioria em nome de “laranjas”. Juntos, movimentaram R$ 450 milhões e distribuíram R$ 45 milhões em lucros e dividendos.

Um dos motéis chegou a distribuir 64% da receita bruta declarada. Restaurantes localizados dentro dos motéis, com CNPJs próprios, também integravam o esquema.

Compra de bens e imóveis

Com os recursos obtidos no esquema, os investigados adquiriram imóveis e bens de luxo, como:

  • iate de 23 metros, inicialmente comprado por um dos motéis e depois transferido a uma empresa de fachada, que também adquiriu um helicóptero;
  • outro helicóptero (modelo Augusta A109E) foi comprado em nome de um dos investigados;
  • um Lamborghini Urus adquirido por empresa patrimonial;
  • terrenos, onde estão localizados diversos motéis, avaliados em mais de R$ 20 milhões.

As investigações também apontam o uso de fintechs e maquininhas de pagamento para inserir dinheiro em espécie no sistema financeiro, além da utilização de Sociedades em Conta de Participação (SCPs) para empreendimentos imobiliários.

Rede de motéis

A Receita e o MP-SP identificaram uma rede de cerca de 60 motéis em nomes de laranjas usada pelo PCC para lavar dinheiro. Esses estabelecimentos movimentaram mais de R$ 450 milhões entre 2020 e 2024, distribuindo R$ 45 milhões em lucros e dividendos.

Um dos motéis chegou a distribuir 64% da receita bruta declarada. Restaurantes com CNPJs próprios dentro desses estabelecimentos também integravam o esquema. Um deles, por exemplo, registrou receita de R$ 6,8 milhões entre 2022 e 2023 e distribuiu R$ 1,7 milhão em lucros.

As operações imobiliárias também chamaram atenção: um dos CNPJs adquiriu um imóvel de R$ 1,8 milhão em 2021; outro comprou uma propriedade de R$ 5 milhões em 2023.

Conexão com outras operações

As investigações revelaram conexões entre os alvos da Operação Spare e investigados em outras grandes ações contra o crime organizado, como a Carbono Oculto e a Rei do Crime. Foram identificadas transações comerciais e imobiliárias, uso compartilhado de helicópteros e até reservas conjuntas para viagens internacionais.

Esses novos alvos são suspeitos de lavagem de dinheiro e ocultação patrimonial por meio de postos de combustíveis, empreendimentos imobiliários, motéis e franquias.

A Receita também destacou irregularidades em declarações de Imposto de Renda, com retificações fraudulentas que aumentaram artificialmente o patrimônio da família do principal investigado em cerca de R$ 120 milhões.

O nome “Spare” foi inspirado no boliche: ocorre quando o jogador derruba todos os pinos após dois arremessos. No contexto da investigação, a Operação Carbono Oculto representaria o primeiro lance, enquanto a Spare seria o segundo, concluindo o objetivo de desarticular o esquema criminoso.

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