Cidades

Megaoperação mobiliza 200 policiais contra grupo suspeito de tráfico de drogas e treinamento com fuzil

Agentes cumprem 96 mandados judiciais, sendo 40 de prisão temporária, na capital federal e em outros estados; ação bloqueou R$ 1 bilhão em contas

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Pedro Canguçu
10/04/2026, 11:44 • Atualizado em 10/04/2026, 14:59
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As investigações começaram em 2024 e revelaram uma estrutura criminosa sofisticada, responsável por abastecer o mercado de drogas no Distrito Federal | Divulgação/PCDF

As investigações começaram em 2024 e revelaram uma estrutura criminosa sofisticada, responsável por abastecer o mercado de drogas no Distrito Federal | Divulgação/PCDF

Uma organização criminosa envolvida com tráfico interestadual de drogas e lavagem de dinheiro foi alvo de uma operação da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), na manhã desta sexta-feira (10). Ao todo, são cumpridos 96 mandados judiciais no DF e em outros estados, sob coordenação da Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco/Decor).

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A ação, batizada de operação Eixo, mobilizou cerca de 200 policiais civis. Entre as medidas estão 40 mandados de prisão temporária e 56 de busca e apreensão. As investigações começaram em 2024 e revelaram uma estrutura criminosa sofisticada, responsável por abastecer o mercado de drogas no Distrito Federal e ocultar valores ilícitos por meio de esquemas de lavagem de dinheiro.

Segundo a polícia, o grupo mantinha conexões com facções criminosas do Rio de Janeiro. Durante a apuração, três investigados chegaram a viajar ao estado para treinamento com armas de grosso calibre, como fuzis. No DF, a organização atuava em dois núcleos rivais. Um dos principais investigados exercia papel estratégico na logística de envio de drogas de outros estados para abastecer o mercado local.
Até o momento, não há indícios de instalação de facções cariocas no Distrito Federal, embora tenham sido identificadas conexões operacionais | Divulgação/PCDF
Até o momento, não há indícios de instalação de facções cariocas no Distrito Federal, embora tenham sido identificadas conexões operacionais | Divulgação/PCDF

No eixo financeiro, a investigação identificou um esquema estruturado de lavagem de dinheiro, com uso de empresas de fachada, contas de terceiros, criptoativos e operadores espalhados por diferentes unidades da federação, como Amazonas, Paraná, Santa Catarina e São Paulo.

Veja balanço da operação

  • 21 dos 40 alvos de mandados de prisão são do DF, sendo que 7 já estavam presos
  • Bloqueio de R$ 1 bilhão em contas

Apreensões:

  • 180 comprimidos de ecstasy
  • 2 armas de fogo
  • R$ 60 mil em espécie
  • Joias

Os investigadores também identificaram movimentações fracionadas, saques em espécie e uso de plataformas digitais para dificultar o rastreamento dos valores. Em um dos casos, uma única conta movimentou mais de R$ 79 milhões em curto período. A operação também alcançou investigados estrangeiros. Entre eles, dois colombianos e um venezuelano. Um dos colombianos estava na lista da Interpol e foi preso recentemente na Espanha. Outro está detido no país de origem. Já o venezuelano foi localizado em Santa Catarina.

A periculosidade do grupo também foi evidenciada em 2024, quando um dos envolvidos morreu em confronto com a Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG). Ele transportava grande quantidade de maconha, portava arma de uso restrito e mantinha anotações ligadas ao tráfico.

Grupo usava empresas de fachada, contas de terceiros, criptoativos e operadores em diversos estados | Divulgação/PCDF
Grupo usava empresas de fachada, contas de terceiros, criptoativos e operadores em diversos estados | Divulgação/PCDF
Além das prisões e buscas, a Justiça determinou o bloqueio de até R$ 1 bilhão em contas, indisponibilidade de bens de 49 investigados, além do sequestro de veículos, imóveis e criptoativos.

Os mandados são cumpridos em diversas regiões do Distrito Federal, como Gama, Samambaia, Itapoã, Sobradinho, Santa Maria e Vicente Pires, além de cidades em Goiás, São Paulo, Minas Gerais, Amazonas, Paraná e Santa Catarina. A ação conta com apoio de forças policiais de diferentes estados e da Divisão de Operações Especiais da PCDF.

De acordo com a Polícia Civil, o objetivo é interromper o fluxo de drogas para o DF, enfraquecer o braço financeiro da organização e responsabilizar todos os envolvidos. Até o momento, não há indícios de instalação de facções cariocas no Distrito Federal, embora tenham sido identificadas conexões operacionais.

Os investigados podem responder por tráfico interestadual de drogas, organização criminosa e lavagem de dinheiro. As penas podem chegar a 55 anos de prisão.

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