Homem em situação de rua é baleado por policial civil em SP
Moradores dizem que policial já havia se desentendido com a vítima; Secretaria de Segurança Pública afirma que agente alegou legítima defesa
Juliana Tourinho
Imagens de uma câmera de segurança registraram o momento em que um morador em situação de rua foi baleado por um policial civil, na noite desta terça-feira (26), em São Paulo. O relógio marca 22h40 quando uma mulher aparece caminhando com dois cachorros. Ao lado dela, segue um homem identificado por vizinhos como José Ivan Trajano, de 46 anos.
Na sequência, uma viatura da Polícia Civil desce a rua e estaciona. O agente sai do carro e aborda José Ivan. Segundo o policial, o homem teria arremessado uma pedra contra a viatura instantes antes.
As câmeras não mostram o momento em que o agente volta ao carro, manobra a viatura e realiza o primeiro disparo. Em outro vídeo, gravado por um morador, José Ivan aparece caído no chão, sendo contido pelo policial. Mesmo ferido, ele resiste, e acaba levando um segundo tiro.
Após a ação, o policial retorna ao veículo, pega o celular e faz uma ligação. Moradores afirmam que a Polícia Militar foi acionada e chegou pouco depois ao local.
Na manhã desta quarta-feira (27), roupas e o chinelo de José Ivan ainda estavam espalhados pela rua. Parte da fita de isolamento permanecia cortada no chão.
De acordo com moradores, o homem costumava dormir dentro de um carro verde parado em um posto de combustíveis desativado e fazia trabalhos como jardineiro. Eles também relataram que o policial civil é conhecido na região, teria problemas com bebida e já havia se desentendido anteriormente com José Ivan.
A mulher que aparece nas imagens, muito abalada, preferiu não gravar entrevista com a equipe do SBT Brasil, mas contou que vinha sendo perseguida por José Ivan há cerca de um mês. Após ser baleado, ele foi socorrido e permanece internado, sem previsão de alta.
Em nota, a Secretaria da Segurança Pública (SSP) informou que a Polícia Militar foi chamada para a ocorrência, encontrou a viatura danificada e o suspeito detido.
O policial civil alegou ter atirado em legítima defesa, afirmando que José Ivan teria tentado sacar sua arma. O caso foi registrado como dano, resistência e lesão corporal.









