"Galã do Tinder": delegado revela como golpista enganou mais de 60 mulheres com estelionato sentimental
Ronald Quene detalha o padrão de atuação do criminoso em entrevista ao True Crime, podcast apresentado por Fabio Diamante e Robinson Cerantula


Fabio Diamante
Robinson Cerantula
Maria Ferreira dos Santos
Neste domingo (12), o SBT News exibe a entrevista ao True Crime de Ronald Quene, delegado da Polícia Civil de São Paulo, responsável pela investigação que conseguiu desmontar o esquema do “Galã do Tinder”, que fez dezenas de vítimas ao longo de mais de dez anos.
Renan Augusto Gomes foi preso em setembro de 2022, após uma série de denúncias que revelaram seu padrão de atuação. Segundo o delegado, o ponto de partida foi o relato de uma vítima que manteve um relacionamento de sete meses com o suspeito. Durante esse período, ele se apresentava como um homem atencioso, educado e financeiramente estável. A relação evoluiu rapidamente, com envolvimento familiar e promessas de um futuro juntos.
A confiança construída abriu espaço para os pedidos de dinheiro. O suspeito alegava problemas financeiros momentâneos e convencia as vítimas a emprestar valores, sob a promessa de devolução. Depois de conseguir o que queria, desaparecia sem dar explicações. “A arma do estelionatário é a lábia”, explica o delegado, ao destacar o poder de manipulação emocional usado pelo criminoso.
A investigação revelou que o “Galã do Tinder” utilizava identidades falsas e mantinha perfis ativos em diversos aplicativos de relacionamento ao mesmo tempo. Em todos eles, repetia a mesma estratégia: se apresentava como engenheiro bem-sucedido, com alto padrão de vida, e deixava claro que buscava um relacionamento sério.
De acordo com Quene, o suspeito construía vínculos intensos em pouco tempo. Era carinhoso, presente e demonstrava até ciúmes, o que ajudava a consolidar a confiança das vítimas. Só depois iniciava os pedidos de dinheiro, sempre inseridos em uma narrativa de dificuldades passageiras.
O trabalho policial identificou mais de 60 vítimas, com registros que remontam a 2012. Em muitos casos, as mulheres não procuraram a polícia imediatamente, seja por constrangimento ou pela dificuldade em reconhecer o golpe. Algumas chegaram a acreditar que algo grave havia acontecido com o suspeito, diante do desaparecimento repentino.
Outro desafio foi localizar o investigado. Sem endereço fixo atualizado e utilizando nomes falsos, ele conseguia se manter fora do radar. A virada ocorreu quando os investigadores passaram a monitorar sua presença em plataformas digitais, em que ele permanecia ativo, fazendo novas vítimas.
Somadas, as condenações contra Renan Augusto Gomes ultrapassam 21 anos de prisão. Para o delegado, o caso serve de alerta para um tipo de crime cada vez mais comum, que combina manipulação emocional e uso estratégico das redes sociais para enganar vítimas.









