Polícia

Mais de 30 mulheres denunciam falsa biomédica por complicações graves em procedimentos estéticos em SC

Vítimas relatam deformações, internações e uso de produtos de origem duvidosa; suspeita não tem registro profissional segundo o Conselho Regional de Biomedicina

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Mais de 30 mulheres denunciaram complicações graves após realizarem procedimentos estéticos com uma mulher que se apresentava como biomédica em São José, na Grande Florianópolis (SC). A suspeita, identificada como Suelem Damasceno da Silva, não possui formação técnica nem registro no Conselho Regional de Biomedicina (CRBM).

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As denúncias ganharam repercussão após a jovem Vitória Tavares Nogueira expor nas redes sociais os efeitos adversos que sofreu após um preenchimento labial com Suelem.

Segundo a vítima, o procedimento foi oferecido por R$ 1 mil, como parte de uma suposta promoção de Dia das Mulheres, durante um encontro em um salão de beleza. Horas depois da aplicação, Vitória sofreu um inchaço acentuado nos lábios, seguido de manchas no rosto, pescoço e barriga.

"Fiquei quatro meses e meio com o rosto deformado. Precisei tomar corticoides sob orientação dela. Em nenhum momento fui informada sobre qual produto estava sendo utilizado", relatou.

Suelem afirmava usar insumos da marca Renova, cuja venda exige comprovação profissional. A vítima procurou uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) onde uma médica apontou a relação entre o quadro clínico e o procedimento estético. Ela foi encaminhada à Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) mas optou por tratamento alternativo com ajuda de uma familiar, técnica de enfermagem.

Após o relato, dezenas de mulheres entraram em contato com Vitória. Entre elas, Giezica Muller, que passou por um preenchimento nos glúteos e precisou ser internada por complicações.

Segundo as vítimas, há um grupo no WhatsApp com mais de 30 mulheres que relataram reações adversas, inflamações e necessidade de cirurgias corretivas. Todas formalizaram denúncias à Polícia Civil.

A advogada Bruna Vaz Pires, que representa as vítimas, já identificou ao menos 33 mulheres afetadas. Segundo ela, os produtos aplicados são de procedência desconhecida.

"A conduta pode configurar crimes como exercício ilegal da profissão, lesão corporal, falsidade ideológica e estelionato. Já acionamos o Ministério Público e o Judiciário com urgência", afirmou Pires.

O CRBM da 5ª Região confirmou que Suelem não possui registro ativo nem formação reconhecida em Biomedicina. Procurada pelo jornalismo do SBT, ela ainda não se manifestou.

A Polícia Civil instaurou inquérito e deve ouvir novas vítimas nos próximos dias. Imagens dos procedimentos e laudos médicos já foram anexados às investigações.

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