Cidades

Exclusivo: Imagens de câmeras mostram ação policial na morte de jovem em surto no RS

Herick Vargas, de 29 anos, foi morto com quatro tiros dentro de casa; Brigada Militar diz que seguiu protocolos, mas familiares contestam

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Rayan Chinellato, do SBT RS
14/11/2025, 17:23 • Atualizado em 14/11/2025, 18:38
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O SBT teve acesso exclusivo às imagens das câmeras corporais dos policiais envolvidos na morte de Herick Vargas, de 29 anos, ocorrida no dia 15 de setembro, em Porto Alegre. Diagnosticado com esquizofrenia, o jovem morreu após ser baleado por policiais militares dentro da própria casa (veja vídeo acima).

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A Brigada Militar afirma que o episódio seguiu os protocolos de uso da força. A família discorda, e o Ministério Público solicitou novas diligências antes de decidir se apresenta denúncia.

Segundo o boletim policial, a família chamou a Polícia Militar porque Herick estava em surto psicótico. As câmeras corporais mostram os policiais iniciando a abordagem com conversas e orientando que o jovem permanecesse sentado enquanto uma viatura do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) se deslocava até o endereço. Quando o caso aconteceu, a família havia dito que o filho fazia uso de drogas.

Nas gravações, Herick se levanta repentinamente, grita e pede que os policiais atirem. A arma de choque é utilizada, mas não surte o efeito necessário. Em seguida, o jovem é contido, até que um dos policiais pede para que Herick seja solto. Ele avança contra um agente, que efetua quatro disparos na sacada da residência. Herick morreu no local.

Em nota, a Brigada Militar afirma que um inquérito interno concluiu que a ação "obedeceu às regras de uso da força", passando da negociação ao emprego de instrumento de menor potencial ofensivo e, por fim, de força letal. Segundo a corporação, os policiais agiram diante de "risco iminente à vida", e a instituição "prima pela qualificação dos militares para manter a excelência do serviço".

A família contesta o relatório. A mãe de Herick, Evolmara Vargas, diz que segurou o filho junto com uma tia e a avó antes dos disparos. "Nós estávamos controlando ele. Foram os policiais que mandaram a gente soltar", afirma. Ela também diz ter avisado "desde a ligação para o 190" que o filho estava em surto. "A condução foi errada desde o início", lamenta.

O advogado da família afirma que a conduta deixa de configurar legítima defesa no momento em que os policiais ordenam que os familiares soltem o jovem. "A partir dali, a situação muda completamente", afirma o defensor.

A Polícia Civil também concluiu por legítima defesa no inquérito paralelo, mas o Ministério Público pediu novas diligências antes de decidir sobre o caso. O processo segue em análise no MP e na Justiça Militar.

O pai, Paulo Ricardo Vargas, pede responsabilização. "A gente só quer justiça", declara.

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