Cidades

Ex-militares são presos em operação contra esquema clandestino de fabricação de armas no RJ

Oficinas ilegais produziam fuzis e metralhadoras; bazuca desviada das Forças Armadas também foi apreendida

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Léo Sant'anna
14/11/2025, 02:21 • Atualizado em 14/11/2025, 02:21
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Um esquema clandestino de fabricação e venda de armas foi descoberto nesta quinta-feira (13) pela Polícia Civil do Rio de Janeiro. Cinco pessoas foram presas, entre elas dois ex-militares.

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Em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, uma oficina que aparentava ser apenas uma tornearia era usada, segundo as investigações, para fabricar e consertar armas de uso restrito, como fuzis.

O dono do local, um ex-cabo do Exército, foi preso em flagrante. Conhecido como “Professor”, Carlos Henrique Martins Cotrin também teria dado instruções a outros criminosos sobre como produzir armamentos, conhecimento adquirido durante uma missão de paz no Haiti. No local, policiais apreenderam munição e um carro blindado.

No mesmo município, foi preso Thiago Lira, suspeito de fabricar metralhadoras. De acordo com a polícia, várias delas já tinham sido encontradas em comunidades dominadas pelo crime organizado.

Outra fábrica clandestina foi localizada em Japeri, também na Baixada Fluminense, e o responsável foi preso.

Na Ilha do Governador, zona norte do Rio, a equipe encontrou uma bazuca na casa de um homem que afirmou ser colecionador de armas. O lança-rojão, capaz de destruir um tanque de guerra, teria sido desviado das Forças Armadas e passará por perícia. O dono do arsenal foi preso em flagrante. Ele havia dito que as armas eram guardadas em um imóvel no interior do estado.

O esquema foi descoberto após a análise de celulares apreendidos em uma etapa anterior da operação. Vídeos e mensagens revelaram a existência de uma rede criminosa que produzia, armazenava e vendia armas ilegais pela internet. Um fuzil podia custar até sessenta mil reais.

“Eles vendiam pra quem quisesse comprar. A gente tem informações deles vendendo pra traficantes e tem dados telemáticos demonstrando que também vendem para a milícia. Todos participavam de um grupo de WhatsApp, onde comercializavam as armas”, afirma o delegado Luís Otávio Franco.

A operação cumpriu 17 mandados de busca e apreensão no Rio de Janeiro e em Curitiba, no Paraná. O ex-militar Márcio Marcelo Ivankio foi detido em flagrante na capital paranaense com mais de oitenta armas. Segundo a polícia, ele mantinha negociações com facções do Rio.

A quadrilha abastecia criminosos da Baixada Fluminense, da Região Serrana e também de municípios paranaenses. O transporte do arsenal era feito por empresas privadas.

“Não é uma produção de larga escala, mas são essas armas fantasmas, sem número de registro, sem número de série, que dificulta o rastreio”, acrescentou o delegado.

A defesa do ex-cabo do Exército negou envolvimento com a quadrilha e afirmou que ele apenas dormia em um imóvel vizinho à fábrica clandestina. Os advogados dos outros presos disseram que só vão se manifestar na Justiça.

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