Polícia

Ex-militares são presos em operação contra esquema clandestino de fabricação de armas no RJ

Oficinas ilegais produziam fuzis e metralhadoras; bazuca desviada das Forças Armadas também foi apreendida

Um esquema clandestino de fabricação e venda de armas foi descoberto nesta quinta-feira (13) pela Polícia Civil do Rio de Janeiro. Cinco pessoas foram presas, entre elas dois ex-militares.

SBT News Logo

Siga o SBT News no Google Discover e fique por dentro das últimas notícias.

Siga no Google Discover

Em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, uma oficina que aparentava ser apenas uma tornearia era usada, segundo as investigações, para fabricar e consertar armas de uso restrito, como fuzis.

O dono do local, um ex-cabo do Exército, foi preso em flagrante. Conhecido como “Professor”, Carlos Henrique Martins Cotrin também teria dado instruções a outros criminosos sobre como produzir armamentos, conhecimento adquirido durante uma missão de paz no Haiti. No local, policiais apreenderam munição e um carro blindado.

No mesmo município, foi preso Thiago Lira, suspeito de fabricar metralhadoras. De acordo com a polícia, várias delas já tinham sido encontradas em comunidades dominadas pelo crime organizado.

Outra fábrica clandestina foi localizada em Japeri, também na Baixada Fluminense, e o responsável foi preso.

Na Ilha do Governador, zona norte do Rio, a equipe encontrou uma bazuca na casa de um homem que afirmou ser colecionador de armas. O lança-rojão, capaz de destruir um tanque de guerra, teria sido desviado das Forças Armadas e passará por perícia. O dono do arsenal foi preso em flagrante. Ele havia dito que as armas eram guardadas em um imóvel no interior do estado.

O esquema foi descoberto após a análise de celulares apreendidos em uma etapa anterior da operação. Vídeos e mensagens revelaram a existência de uma rede criminosa que produzia, armazenava e vendia armas ilegais pela internet. Um fuzil podia custar até sessenta mil reais.

“Eles vendiam pra quem quisesse comprar. A gente tem informações deles vendendo pra traficantes e tem dados telemáticos demonstrando que também vendem para a milícia. Todos participavam de um grupo de WhatsApp, onde comercializavam as armas”, afirma o delegado Luís Otávio Franco.

A operação cumpriu 17 mandados de busca e apreensão no Rio de Janeiro e em Curitiba, no Paraná. O ex-militar Márcio Marcelo Ivankio foi detido em flagrante na capital paranaense com mais de oitenta armas. Segundo a polícia, ele mantinha negociações com facções do Rio.

A quadrilha abastecia criminosos da Baixada Fluminense, da Região Serrana e também de municípios paranaenses. O transporte do arsenal era feito por empresas privadas.

“Não é uma produção de larga escala, mas são essas armas fantasmas, sem número de registro, sem número de série, que dificulta o rastreio”, acrescentou o delegado.

A defesa do ex-cabo do Exército negou envolvimento com a quadrilha e afirmou que ele apenas dormia em um imóvel vizinho à fábrica clandestina. Os advogados dos outros presos disseram que só vão se manifestar na Justiça.

Assuntos relacionados

Rio de Janeiro
Armas

Últimas Notícias