Cidades

Caso Vitória: o que se sabe sobre o assassinato da adolescente em Cajamar (SP)

Corpo da jovem, que estava desaparecida desde 26 de fevereiro, foi encontrado na quarta-feira (5) em região de mata

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Emanuelle Menezes
07/03/2025, 18:31 • Atualizado em 11/03/2025, 13:44
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Suspeito de envolvimento em morte de adolescente fica calado em audiência. Reprodução/Redes sociais.

Suspeito de envolvimento em morte de adolescente fica calado em audiência. Reprodução/Redes sociais.

A jovem Vitória Regina de Sousa, de 17 anos, que ficou desaparecida por uma semana e foi encontrada morta, degolada e com os cabelos raspados, na quarta-feira (5), teria sido assassinada por ciúmes. A informação foi confirmada ao SBT nesta sexta-feira (7) por policiais que atuam na apuração do caso.

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A principal linha de investigação da Polícia Civil é que o autor seria um homem chamado Daniel. Ele teria um relacionamento amoroso com Gustavo, um ex-namorado da vítima, e teria ciúmes dela.

Outros dois comparsas teriam ajudado Daniel a matar a adolescente. Os três são procurados por policiais, nesta sexta, em uma mata na região de Cajamar, na Região Metropolitana de São Paulo.

O SBT News lista, abaixo, o que já se sabe sobre o sequestro e a morte de Vitória:

1. Vitória desapareceu após sair do trabalho

Vitória trabalhava como operadora de caixa em um restaurante de shopping, no centro de Cajamar. Como voltava tarde da noite, costumava ser buscada pelo pai no ponto de ônibus. No dia 26 de fevereiro, o carro da família estava quebrado e ela teve que fazer o trajeto sozinha.

O trajeto de uma hora exigia que ela pegasse dois ônibus. Enquanto aguardava o primeiro, ela demonstrou medo em mensagens enviadas a uma amiga: "Tem uns meninos aqui do meu lado, tô com medo".

Vitória estava no bairro de Polvilho e seguiria para a região de Ponunduva. O ônibus chegou, e a jovem avisou que os suspeitos embarcaram com ela: "Os dois pegaram, o outro acabou de vir pra trás".

Imagens de uma câmera de segurança mostram Vitória no ponto de ônibus e os rapazes ao redor. Ela entra no veículo. Pouco depois, tenta tranquilizar a amiga: "Amiga, tá de boa, nenhum desceu no mesmo ponto que eu, então tá de boaça".

Vitória contou para amiga que homens estavam a seguindo | Reprodução
Vitória contou para amiga que homens estavam a seguindo | Reprodução

Segundo o motorista do coletivo, Vitória desceu sozinha no ponto de sempre, em uma estrada de terra no bairro Ponunduva, região de chácaras onde mora com a família.

A jovem também contou para a amiga, em áudios, que um carro passou devagar e os ocupantes a chamaram de "vida", o que a deixou assustada. Logo depois, parou de responder.

2. Buscas duraram uma semana

Após uma semana de buscas, o corpo de Vitória foi encontrado em uma região de mata de Cajamar. De acordo com o delegado Aldo Galiano Junior, da Seccional de Franco da Rocha, a família da jovem não teve dúvidas ao fazer o reconhecimento do corpo.

A adolescente tinha uma tatuagem de borboleta na perna, que foi reconhecida pelos parentes, e usava um piercing no nariz.

Vitória tinha uma tatuagem de borboleta na perna | Reprodução/Redes sociais
Vitória tinha uma tatuagem de borboleta na perna | Reprodução/Redes sociais

3. Jovem foi encontrada nua, degolada e com cabelos raspados

Vitória foi encontrada degolada, com o cabelo raspado e vestindo apenas um sutiã, segundo o delegado. O corpo também tinha sinais de violência.

A adolescente tinha três ferimentos causados por faca: um no tórax, um no pescoço e um no rosto. O laudo do IML com a causa da morte ainda não foi divulgado. O documento também deve confirmar se ela foi vítima de violência sexual.

4. Vitória pode ter ficado em cativeiro

Ainda de acordo com Galiano, no local em que o corpo foi encontrado não foram localizados os fios de cabelo que foram raspados e a roupa que ela usava antes do crime, o que demonstra que ela foi morta em outro lugar e depois levada para a mata.

A perícia estima que Vitória foi encontrada cinco dias após ser morta, o que significa que ela pode ter ficado em um cativeiro antes de ser assassinada.

Vitória tinha 17 anos | Reprodução/Redes sociais
Vitória tinha 17 anos | Reprodução/Redes sociais

5. Suspeito pode ter envolvimento com PCC

Há a possibilidade, segundo policiais, do suspeito de assassinar a adolescente ter envolvimento com o PCC (Primeiro Comando da Capital). De acordo com Galiano, a suspeita se dá pela forma como o corpo da jovem foi encontrado.

"A raspagem do cabelo costuma ser um sinal das facções, de mandar um recado", afirmou.

6. Ex-namorado teve prisão temporária negada pela Justiça

A Polícia Civil chegou a pedir a prisão do ex-namorado de Vitória, Gustavo Vinicius Moraes, na quinta-feira (6), por inconsistências no depoimento, mas a Justiça negou, destacando que não havia provas de que ele assassinou a jovem. Com medo de ser linchado pela população, ele se apresentou à polícia, mas acabou liberado.

Segundo decisão do juiz Marcelo Henrique Mariano, da Comarca de Cajamar, obtida pelo SBT News, Gustavo Vinicius afirmou que dormiu na casa de uma "ficante", das 22h30 às 3h30. O depoimento foi corroborado pela mulher.

7. Polícia diz que ex-namorado estava perto de cena do crime

A Polícia afirmou que existem "provas contundentes" de que Gustavo Vinicius, ex-namorado de Vitória, estava perto da cena do crime. A prova, segundo o documento obtido pelo SBT News, usa como base os sinais dos celulares dos dois, captados por uma Estação Rádio Base (ERB).

Para o juiz, entretanto, não é possível afirmar que Gustavo Vinicius e a vítima se encontraram. Isso porque os sinais foram captados por uma antena do bairro Ponunduva, onde os dois moravam. A casa do rapaz fica a 2 km de distância de onde Vitória morava.

"A informação extraída do extrato de geolocalização, por indicar a localização exata da antena, pode não possuir a precisão necessária para afirmar que Gustavo, de fato, tenha mentido em seu depoimento, especialmente porque sua versão foi corroborada pelo testemunho de [nome da testemunha omitido]", diz a decisão.

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