Caso Gisele: PM acusado de feminicídio será julgado por júri popular
STJ entende que PM acusado de matar esposa deve ser julgado pela Justiça comum, já que crime não teve natureza militar; ainda não há data marcada
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Agência SBT
O Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu nesta terça-feira (28) que o tenente-coronel da Polícia Militar Geraldo Leite Rosa Neto, acusado de matar a ex-esposa, a soldado Gisele Alves Santana, será julgado pelo Tribunal do Júri. O ministro Reynaldo Soares acolheu um pedido da defesa da família da vítima para que o caso não fosse julgado pela Justiça Militar, por se tratar de um crime de natureza comum.
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Geraldo Leite Rosa Neto foi indiciado por feminicídio e fraude processual. Ele está preso preventivamente desde 17 de março, enquanto o caso segue em investigação.
O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) informou que ainda não há uma data definida para a realização do julgamento.
Investigação apontou feminicídio
Para os investigadores, o tenente-coronel matou a mulher e alterou a cena do crime. Gisele foi encontrada morta no dia 18 de fevereiro. O tenente-coronel disse que a soldado se matou, enquanto ele estava no banho, depois de uma conversa sobre um possível divórcio.
A bala que atingiu a policial saiu da arma do tenente-coronel, conforme as investigações.
A primeira farsa descoberta pelos peritos é desmontada pela posição do corpo de Gisele, quando os bombeiros chegaram. Ela estava caída no chão da sala, entre o móvel da TV e um sofá.
A posição das pernas e dos pés, um deles embaixo do móvel, o local da poça de sangue, e a posição da arma, encaixada na mão de Gisele, para os peritos, são sinais evidentes de que a cena não era de um suicídio.
Os peritos derrubaram ainda uma outra mentira contada pelo tenente-coronel. Os legistas constataram que Gisele teve relação sexual antes de ser morta.
Para justificar o fim do casamento, o oficial da PM disse em depoimento que os dois já não tinham mais um relacionamento e que dormiam em camas separadas havia 6 meses.
Tenente-coronel teve relação sexual com soldado Gisele antes da morte dela | Reprodução
A versão sobre o momento da morte também foi atacada. Um primeiro laudo do Instituto Médico Legal (IML) já havia encontrado no pescoço e no rosto de Gisele marcas "de lesões contundentes por meio de pressão digital e escoriação", ou seja, ela teria sofrido uma espécie de esganadura. Agora, os peritos concluíram que ela foi imobilizada pelo pescoço, e que estava desmaiada no momento do disparo. Vestígios de sangue foram encontrados no banheiro e em outros cômodos do apartamento.
O comportamento do oficial da PM também chamou a atenção dos investigadores. Uma vizinha disse que ouviu o disparo às 7h30 da manhã, mas o tenente-coronel só fez a primeira ligação para pedir socorro meia hora mais tarde.
"Qualquer hora me mata"
Em busca por justiça, a família de Gisele fez vir à tona a perseguição que ela sofria no casamento. Mensagens enviadas pela soldado a uma amiga, em dezembro do ano passado, reforçam que a policial vivia um relacionamento conturbado e demonstrava medo do comportamento do marido.
"Tem que controlar os ciúmes dele. Qualquer hora me mata. Fica cego, não tenho como controlar o que falam", escreveu Gisele.
Outro elemento que passou a integrar o inquérito é um áudio enviado por Gisele ao pai, em que ela demonstra a intenção de se mudar para um local mais próximo da família.
Na gravação, a policial explica que buscava uma casa que facilitasse a rotina de trabalho e os cuidados com a filha:
"Quanto mais perto daí, melhor. De manhã eu vou sair muito cedo para ir trabalhar", diz em um trecho.
Para a defesa da família, o conteúdo reforça que Gisele pretendia deixar o apartamento onde vivia com o marido.
Caso Gisele: PM acusado de feminicídio será julgado por júri popularSTJ entende que PM acusado de matar esposa deve ser julgado pela Justiça comum, já que crime não teve natureza militar; ainda não há data marcada Cidades2026-04-28T22:55:27.957ZO Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu nesta terça-feira (28) que o tenente-coronel da Polícia Militar Geraldo Leite Rosa Neto, , será julgado pelo Tribunal do Júri. O ministro Reynaldo Soares acolheu um pedido da defesa da família da vítima para que o caso não fosse julgado pela Justiça Militar, por se tratar de um crime de natureza comum. O assassinato ocorreu em 18 de fevereiro, no apartamento onde o casal vivia havia cerca de um mês, na região central de São Paulo. A vítima, a policial . + Geraldo Leite Rosa Neto foi indiciado por feminicídio e fraude processual. Ele está preso preventivamente desde 17 de março, enquanto o caso segue em investigação. O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) informou que ainda não há uma data definida para a realização do julgamento. Investigação apontou feminicídio Para os investigadores, o tenente-coronel matou a mulher e alterou a cena do crime. Gisele foi encontrada morta no dia 18 de fevereiro. O tenente-coronel disse que a soldado se matou, enquanto ele estava no banho, depois de uma conversa sobre um possível divórcio. A bala que atingiu a policial saiu da arma do tenente-coronel, conforme as investigações. + A primeira farsa descoberta pelos peritos é desmontada pela posição do corpo de Gisele, quando os bombeiros chegaram. Ela estava caída no chão da sala, entre o móvel da TV e um sofá. A posição das pernas e dos pés, um deles embaixo do móvel, o local da poça de sangue, e a posição da arma, encaixada na mão de Gisele, para os peritos, são sinais evidentes de que a cena não era de um suicídio. Os peritos derrubaram ainda uma outra mentira contada pelo tenente-coronel. Os legistas constataram que Gisele teve relação sexual antes de ser morta. Para justificar o fim do casamento, o oficial da PM disse em depoimento que os dois já não tinham mais um relacionamento e que dormiam em camas separadas havia 6 meses. A versão sobre o momento da morte também foi atacada. Um primeiro laudo do Instituto Médico Legal (IML) já havia encontrado no pescoço e no rosto de Gisele marcas "de lesões contundentes por meio de pressão digital e escoriação", ou seja, ela teria sofrido uma espécie de esganadura. Agora, os peritos concluíram que ela foi imobilizada pelo pescoço, e que estava desmaiada no momento do disparo. Vestígios de sangue foram encontrados no banheiro e em outros cômodos do apartamento. O comportamento do oficial da PM também chamou a atenção dos investigadores. Uma vizinha disse que ouviu o disparo às 7h30 da manhã, mas o tenente-coronel só fez a primeira ligação para pedir socorro meia hora mais tarde. "Qualquer hora me mata" Em busca por justiça, a família de Gisele fez vir à tona a perseguição que ela sofria no casamento. , em dezembro do ano passado, reforçam que a policial vivia um relacionamento conturbado e demonstrava medo do comportamento do marido. "Tem que controlar os ciúmes dele. Qualquer hora me mata. Fica cego, não tenho como controlar o que falam", escreveu Gisele. Outro elemento que passou a integrar o inquérito é um áudio enviado por Gisele ao pai, em que ela demonstra a intenção de se mudar para um local mais próximo da família. Na gravação, a policial explica que buscava uma casa que facilitasse a rotina de trabalho e os cuidados com a filha: "Quanto mais perto daí, melhor. De manhã eu vou sair muito cedo para ir trabalhar", diz em um trecho. Para a defesa da família, o conteúdo reforça que Gisele pretendia deixar o apartamento onde vivia com o marido.São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/policia/caso-gisele-pm-acusado-de-feminicidio-sera-julgado-por-juri-popular