Cidades

Caso Gisele: PM acusado de feminicídio será julgado por júri popular

STJ entende que PM acusado de matar esposa deve ser julgado pela Justiça comum, já que crime não teve natureza militar; ainda não há data marcada

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Agência SBT
28/04/2026, 22:55 • Atualizado em 29/04/2026, 02:15
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O Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu nesta terça-feira (28) que o tenente-coronel da Polícia Militar Geraldo Leite Rosa Neto, acusado de matar a ex-esposa, a soldado Gisele Alves Santana, será julgado pelo Tribunal do Júri. O ministro Reynaldo Soares acolheu um pedido da defesa da família da vítima para que o caso não fosse julgado pela Justiça Militar, por se tratar de um crime de natureza comum.

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O assassinato ocorreu em 18 de fevereiro, no apartamento onde o casal vivia havia cerca de um mês, na região central de São Paulo. A vítima, a policial Gisle Alves Santana foi encontrada morta com um tiro na cabeça dentro do imóvel.

Geraldo Leite Rosa Neto foi indiciado por feminicídio e fraude processual. Ele está preso preventivamente desde 17 de março, enquanto o caso segue em investigação.

O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) informou que ainda não há uma data definida para a realização do julgamento.

Investigação apontou feminicídio

Para os investigadores, o tenente-coronel matou a mulher e alterou a cena do crime. Gisele foi encontrada morta no dia 18 de fevereiro. O tenente-coronel disse que a soldado se matou, enquanto ele estava no banho, depois de uma conversa sobre um possível divórcio.

A bala que atingiu a policial saiu da arma do tenente-coronel, conforme as investigações.

A primeira farsa descoberta pelos peritos é desmontada pela posição do corpo de Gisele, quando os bombeiros chegaram. Ela estava caída no chão da sala, entre o móvel da TV e um sofá.

A posição das pernas e dos pés, um deles embaixo do móvel, o local da poça de sangue, e a posição da arma, encaixada na mão de Gisele, para os peritos, são sinais evidentes de que a cena não era de um suicídio.

Os peritos derrubaram ainda uma outra mentira contada pelo tenente-coronel. Os legistas constataram que Gisele teve relação sexual antes de ser morta.

Para justificar o fim do casamento, o oficial da PM disse em depoimento que os dois já não tinham mais um relacionamento e que dormiam em camas separadas havia 6 meses.

Tenente-coronel teve relação sexual com soldado Gisele antes da morte dela | Reprodução
Tenente-coronel teve relação sexual com soldado Gisele antes da morte dela | Reprodução

A versão sobre o momento da morte também foi atacada. Um primeiro laudo do Instituto Médico Legal (IML) já havia encontrado no pescoço e no rosto de Gisele marcas "de lesões contundentes por meio de pressão digital e escoriação", ou seja, ela teria sofrido uma espécie de esganadura. Agora, os peritos concluíram que ela foi imobilizada pelo pescoço, e que estava desmaiada no momento do disparo. Vestígios de sangue foram encontrados no banheiro e em outros cômodos do apartamento.

O comportamento do oficial da PM também chamou a atenção dos investigadores. Uma vizinha disse que ouviu o disparo às 7h30 da manhã, mas o tenente-coronel só fez a primeira ligação para pedir socorro meia hora mais tarde.

"Qualquer hora me mata"

Em busca por justiça, a família de Gisele fez vir à tona a perseguição que ela sofria no casamento. Mensagens enviadas pela soldado a uma amiga, em dezembro do ano passado, reforçam que a policial vivia um relacionamento conturbado e demonstrava medo do comportamento do marido.

"Tem que controlar os ciúmes dele. Qualquer hora me mata. Fica cego, não tenho como controlar o que falam", escreveu Gisele.

Outro elemento que passou a integrar o inquérito é um áudio enviado por Gisele ao pai, em que ela demonstra a intenção de se mudar para um local mais próximo da família.

Na gravação, a policial explica que buscava uma casa que facilitasse a rotina de trabalho e os cuidados com a filha:

"Quanto mais perto daí, melhor. De manhã eu vou sair muito cedo para ir trabalhar", diz em um trecho.

Para a defesa da família, o conteúdo reforça que Gisele pretendia deixar o apartamento onde vivia com o marido.

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