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Polícia

Caminhoneiros rodam com baús abertos para evitar roubos de carga no Rio

Medo da violência faz motoristas adotarem estratégias para escapar de quadrilhas nas estradas do estado

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O aumento dos roubos de carga provocou mudanças na rotina dos caminhoneiros que trafegam pelas estradas que cortam o Rio de Janeiro. Para evitar a abordagem de criminosos, muitos passaram a dirigir com o baú dos veículos - a parte que transporta cargas - aberto.

Nos trechos de estrada que cortam a cidade, já é comum ver caminhões trafegando com as portas abertas. A ideia é mostrar que o veículo está vazio e escapar do alvo das quadrilhas. O mineiro William Saldanha aderiu à prática. "Abre, amarra as portas pra ver que tá vazio. Suspende os eixos, ainda mais no meu caso que é plotado. É problema", disse.

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Há 40 anos na estrada, o caminhoneiro Luiz Cláudio Garcia conhece bem os riscos da profissão. Ele já foi rendido por assaltantes."É uma sensação horrível. Quando começa um assalto, você não sabe como vai terminar. Você pode ser liberado, mas precisa quase ajudar o assaltante. Tem que se manter calmo para que ele também fique calmo", contou.

Segundo Luiz, o alvo dos criminosos quase sempre é o mesmo: a carga. "Eles visam muito a carga, estão interessados na mercadoria. Os caminhões, depois, eles abandonam", explicou.

De janeiro a julho deste ano, 237 roubos de carga foram registrados no estado do Rio de Janeiro, o que representa mais de um caso por dia.

Transportadoras orientaram motoristas a circular com cadeado e lacre nas portas. Mas, muitos preferem rodar com o compartimento aberto para mostrar que não estão transportando mercadorias. "Deixa mais aberta pra ver que tá todo mundo vazio, pra não ter problema com ninguém", afirmou o caminhoneiro Lucas Felipe.

Outra tática é manter o eixo levantado, quando nem todos os pneus tocam o asfalto, o que só é possível quando o caminhão está leve.

Mas, quando o veículo está carregado, escapar da ação dos criminosos é muito mais difícil. Aliados ao tráfico, ladrões levam os caminhões para dentro de comunidades dominadas pelo crime organizado, onde as cargas são saqueadas. Depois, o motorista é liberado, caso não tenha resistido ao ataque.

O presidente do Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas do Rio de Janeiro (Sindicargas), Filipe Coelho, alerta que os prejuízos não afetam apenas o setor. "Afeta a população de uma forma geral, porque os custos de compra acabam impactados pela necessidade de segurança adicional, de seguros e de requisitos aplicados ao transporte rodoviário de cargas."

Para quem vive da estrada, o medo faz parte da rotina.

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