Política

Tendência de bebês reborn acende alerta sobre saúde mental e eleva número de projetos sobre o tema

Parlamentares propõem leis que vão desde acolhimento a pessoas com vínculo aos bonecos até restrições ao tratamento legal dos reborns como se fossem crianças

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Vicklin Moraes
15/05/2025, 20:11 • Atualizado em 15/05/2025, 20:12
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Nova tendência de bebês reborn preocupa Poder Executivo e deputados aumentam o número de Projetos de Lei sobre o tema | Foto: reprodução

Nova tendência de bebês reborn preocupa Poder Executivo e deputados aumentam o número de Projetos de Lei sobre o tema | Foto: reprodução

A nova onda dos 'bebês reborn' vem ganhando cada vez mais visibilidade no Brasil — não apenas entre colecionadores e nas redes sociais, mas também no meio legislativo. Casos recentes envolvendo os bonecos, como atendimentos em hospitais, disputas por custódia e o uso de assentos preferenciais, acenderam um alerta.

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Como resposta, parlamentares passaram a propor projetos de lei que visam tanto acolher psicologicamente pessoas que criam um vínculo com estes bonecos, como impedir que os reborns sejam tratados, legalmente, como crianças reais.

Na Câmara Federal, dois projetos foram protocolados nesta quinta-feira (15) pelos deputados federais Rosângela Moro (União-SP) e Dr. Zacharias Calil (União-GO).

Rosângela Moro é autora do PL 2323/2025, que propõe diretrizes para o acolhimento psicossocial no Sistema Único de Saúde (SUS) de pessoas que desenvolvam vínculos afetivos intensos com bonecos reborn. A proposta sugere um atendimento humanizado, com escuta qualificada, para casos de sofrimento emocional decorrente dessa relação.

"A proposta não pretende, sob nenhuma hipótese, criminalizar, ridicularizar ou patologizar o uso desses objetos, tampouco restringir liberdades individuais ou manifestações legítimas de afeto. Pelo contrário: parte-se do princípio da autonomia do sujeito e da liberdade de conduta, orientando-se pela necessidade de criar mecanismos institucionais de acolhimento ético e não estigmatizante, capazes de identificar precocemente sinais de sofrimento emocional que, quando negligenciados, podem evoluir para situações de risco real", afirmou a deputada no texto.

Na outra ponta, o também deputado federal Dr. Zacharias protocolou o PL 2320/2025 que prevê multas de 5 a 20 salários mínimos para quem utilizar bebê reborn para obter benefícios destinados a crianças de colo. O texto propõe a sanção administrativa para quem utilizar a boneca em busca de atendimento preferencial, uso de assentos preferenciais, descontos e gratuidades destinadas a crianças de colo.

"A presente proposição fortalece a proteção da criança, preserva a boa-fé nas relações sociais e reforça a eficiência dos serviços públicos", afirmou o deputado no texto.

Não é só em Brasília que os projetos de lei vem sendo protocolados. Em Minas Gerais, o deputado estadual Cristiano Caporezzo (PL) apresentou, na última quarta-feira(15), o PL 3.757/2025 na Assembleia Legislativa do Estado. O texto proíbe expressamente o atendimento a bebês reborn e outros "objetos inanimados" nas unidades públicas de saúde. O descumprimento poderá resultar em multa de até dez vezes o valor do serviço prestado, a ser revertida para o tratamento de pessoas com transtornos mentais.

A medida foi motivada por um caso recente, em que uma mulher levou um boneco para atendimento médico, alegando que a "criança" estaria com febre."Infelizmente, os devaneios da sociedade contemporânea colocam em perigo todo o povo de Minas Gerais", afirmou o parlamentar.

No Rio de Janeiro, o deputado Rodrigo Amorim (União-RJ) protocolou o PL 5357/2025 na Assembleia Legislativa do Estado, propondo a criação de um programa de saúde mental para pessoas que desenvolvem vínculos emocionais com bebês reborn. O projeto prevê ações de prevenção, acolhimento e orientação psicológica.

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