Oposição recorre ao STF para desbloquear CPMI do Master e impeachment de Moraes
Deputados alegam que presidente do Senado, Davi Alcolumbre, está impedindo a abertura das investigações no Congresso


Paola Cuenca
Ighor Nóbrega
Deputados da oposição apresentaram nesta terça-feira (10) um mandado de segurança ao Supremo Tribunal Federal (STF) para garantir o direito de instauração da CPMI do Banco Master e o processo de impeachment do ministro Alexandre de Moraes.
Os parlamentares argumentam que o mecanismo é necessário por conta da suposta recusa do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), em destravar a comissão de inquérito a respeito da fraude do Banco Master e a investigação sobre a relação entre o banqueiro Daniel Vorcaro e Moraes.
“Nunca houve tanta adesão a uma CPMI. Isso reflete o eco das ruas. A CPMI é compulsória e o regimento interno é claro, [...] o que falta é que Alcolumbre faça a sessão do Congresso para a instalação automática. Mas o que estamos vendo é uma blindagem ocorrendo", disse o deputado federal Carlos Jordy (PL-RJ) em coletiva de imprensa na Câmara.
Jordy disse também que Alcolumbre busca “chantagear” a oposição ao tentar “barganhar” a análise dos vetos ao projeto de lei (PL) da dosimetria ou a CPMI do Master. O deputado diz que isso caracteriza um crime de responsabilidade e justifica o envio dos mandados de segurança. O deputado ainda criticou a proposta do senador Alessandro Vieira (MDB-SE) para criar uma CPI no Senado porque, segundo ele, Alcolumbre tem maioria e estaria trabalhando pela Vieira.
"Tem cheiro de armação que ele [Alessandro Vieira] tenha conversado com Alcolumbre para fazer uma CPI no Senado voltada somente aos ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes e com isso blindar a classe política em volta [do Master]", afirmou o deputado do PL.
O deputado Cabo Gilberto (PL-PB), líder da Oposição na Câmara, defendeu o impeachment de Moraes e afirmou que “nunca houve tanta podridão no STF como agora". Ele condenou a troca de mensagens entre o ministro e Vorcaro e o contrato de R$ 129 milhões entre o escritório de advocacia da esposa de Moraes, Viviane Barci, e o Banco Master.
"O impeachment que estamos apresentando hoje é por conta do batom na cueca. Sua nota [de Moraes] foi um desastre, da esposa dele também foi um desastre. Pergunto, se uma dessas mensagens fosse com qualquer um de nós, qual o destino que estes parlamentares estariam?", declarou o líder.
Julia Zanatta (PL-SC) estendeu o coro e afirmou que “não há outra maneira de reequilibrar os poderes da República senão essa [impeachment de Moraes]”. A parlamentar afirmou que o Brasil precisa de ministros que tenham como missão “cumprir e defender a Constituição Federal e não fazer negócios sob a argumentação se estarem defendendo a democracia”.
“É absolutamente escandalosa e promíscua a relação que o ministro Alexandre de Moraes e Vorcaro tinham, segundo revelado pelas conversas. E não estou falando de nenhuma festinha promovida por Vorcaro porque isso é íntimo de cada um. Estou falando das relações e daquela mensagem: ‘Conseguiu bloquear’. Bloquear o que?”, questionou Zanatta.









