Aliado de Bolsonaro diz que vacinação contra a covid-19 poderia ter mudado eleição de 2022
Presidente do União Brasil, Antonio Rueda afirma que gesto simbólico de imunização com filha teria fortalecido campanha e destaca diferenças entre Jair e Flávio

Lucas Carvalho
A recusa pública de Jair Bolsonaro em se vacinar contra a covid-19 é apontada por aliados como um dos fatores que mais pesaram contra sua tentativa de reeleição em 2022. O presidente do União Brasil, Antonio Rueda, defendeu que um gesto simbólico, como ir a um posto de saúde e se vacinar acompanhado da filha, poderia ter alterado o resultado da disputa. “Ele teria ganho a eleição”, afirmou.
Rueda trouxe o tema à tona ao comparar Jair Bolsonaro com o filho, o senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à presidência. “O Flávio tem diferenciais em relação ao pai, que são visíveis”, destacou.
Segundo o dirigente, faltou ao ex-presidente sensibilidade política em um momento de grande comoção nacional. Rueda relatou que chegou a sugerir diretamente a Bolsonaro que tomasse a vacina como forma de demonstrar compromisso com a população, mas o então presidente manteve sua postura.
Por outro lado, Flávio teria agido de maneira diferente: durante a pandemia, ao ser questionado pela filha de Rueda, na época com 10 anos, sobre o motivo de o pai não se vacinar, Flávio respondeu que tentaria convencê-lo a mudar de posição.
Para o dirigente, o episódio evidencia diferenças claras entre pai e filho. “São erros que tenho certeza de que o Flávio não vai cometer”, afirmou.
“É muito difícil caminhar com a esquerda”
Antonio Rueda afirmou que não há condições de apoiar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições. Ele lembrou que o União Brasil chegou a integrar oficialmente o governo, por meio do então ministro do Turismo, Celso Sabino, mas reforçou que isso não significa alinhamento com o PT.
“Em nenhum momento a gente vai ser contra o Brasil. Estivemos oficialmente no governo com Celso Sabino e acredito que colaboramos muito com o país”, pontuou.
Segundo Rueda, a afinidade do União Brasil é com a direita moderada, em uma construção que classifica como “muito sadia”, ao lado de Valdemar Costa Neto, presidente nacional do PL.
“Lula é um animal político”
De olho nas eleições deste ano, Rueda projeta um pleito difícil. Ele reconhece a força de Lula, a quem define como “animal político” e figura extremamente popular, sobretudo no Nordeste. Para ele, o cenário seguirá polarizado, com o centro político desempenhando papel decisivo.
A federação União-Progressista terá papel estratégico: são 109 deputados federais, 14 senadores e a previsão de lançar 28 candidaturas ao Senado e 12 aos governos estaduais. Dos 13 palanques em formação, apenas dois, no Amapá e na Paraíba, ainda estão ligados à esquerda.
Ainda assim, Rueda descarta uma aliança nacional com o PT. Ele cita incompatibilidades ideológicas e lembra que nomes com trajetória na centro-direita, como Ciro Nogueira, teriam dificuldade de caminhar ao lado do partido de Lula.
“É muito difícil a gente caminhar com a esquerda. Quando você olha o DNA, vê que o Ciro foi ministro da Casa Civil do Bolsonaro. Como é que ele vai caminhar com o PT?”, questionou, enfatizando a ruptura com o governo.








