Polícia desarticula central de golpes em mansão de luxo em SP
Dez pessoas foram presas em flagrante; quadrilha usava call center para enganar idosos e alugava imóveis de luxo para despistar a polícia

Fabio Diamante
A Polícia Civil desarticulou, nesta quinta-feira (23), uma central de golpes telefônicos que operava em um imóvel no Jardim São Luís, na zona sul de São Paulo, apelidado pelos próprios criminosos de “Fazenda do Crime”.
Dez pessoas, cinco homens e cinco mulheres, foram presas em flagrante durante a ação. No local, os investigadores encontraram uma estrutura profissional de telemarketing, com notebooks, celulares, fuzis e diversas estações de trabalho voltadas à fraude de contas bancárias.
A quadrilha tinha como alvo principal clientes de um banco público, com foco especial em pessoas idosas. Segundo o delegado Márcio Fruet, o grupo utilizava técnicas de engenharia social para convencer as vítimas de que estavam falando com o setor de segurança da instituição.
“A vítima acreditava estar falando com o gerente. Ela era induzida a fornecer informações e a instalar um aplicativo no celular, acreditando que estava realizando uma ‘limpeza’ de segurança no aparelho. Quando percebia, já tinha tido a conta esvaziada”, explicou.
Estratégia de mobilidade: “nômades do crime”
Um dos pontos que mais chamou a atenção da polícia foi a logística adotada pelo grupo para evitar o rastreamento. A quadrilha alugava imóveis de alto padrão por aplicativos de hospedagem e permanecia por no máximo cinco dias em cada endereço.
Com diárias em torno de R$ 1.200, a chácara funcionava tanto como base operacional quanto como fachada. “Para os vizinhos, eles passavam a imagem de jovens que estavam apenas passando uma temporada ou comemorando um aniversário, mas passavam o dia inteiro praticando crimes”, afirmou Fruet.
No momento da abordagem policial, houve tentativa de ocultação de provas. Um dos criminosos chegou a quebrar o próprio celular para impedir o acesso a conversas e dados das vítimas. Vídeos da operação mostram o momento em que os policiais rendem os suspeitos em meio a salas repletas de computadores e aparelhos celulares.
Apesar da tentativa de resistência, os dez envolvidos foram levados à delegacia. Após audiência de custódia, a Justiça decretou a prisão preventiva de nove deles. Apenas uma mulher obteve o benefício da prisão domiciliar por ser mãe de uma criança de dez anos.
As investigações prosseguem para identificar outros possíveis núcleos da organização criminosa e rastrear o destino do dinheiro desviado de centenas de vítimas.









