Oscar: Brasil reúne 22 indicações ao longo da história e só uma estatueta, com Ainda Estou Aqui
'O Agente Secreto' e o diretor de fotografia Adolpho Veloso podem faturar mais 5 prêmios ao país em 2026


Lara Curcino
O Oscar 2026 se aproxima e o Brasil chega à cerimônia com cinco chances de ser premiado. Neste ano, o país concorre com a direção de fotografia de Adolpho Veloso, para Sonhos de Trem (2025), e com O Agente Secreto (2025), de Kleber Mendonça Filho, nas categorias de Melhor Filme, Melhor Filme Internacional, Melhor Ator (Wagner Moura) e Melhor Direção de Elenco.
Ao longo das 98 edições o Brasil já recebeu 22 indicações, mas faturou apenas uma estatueta, em 2025, quando Ainda Estou Aqui (2024), dirigido por Walter Salles, venceu Melhor Filme Internacional. Na história, o país já figurou em 13 categorias, entre nomeações técnicas e as principais premiações da cerimônia.
A primeira indicação brasileira ao Oscar foi em 1963, quando O Pagador de Promessas (1962), dirigido por Anselmo Duarte, concorreu a Melhor Filme Internacional. O título saiu derrotado para o francês Sempre aos domingos, de Serge Bourguignon, apesar de ter sido bastante cotado para vencer, já que é até hoje a única produção nacional a ter ganhado a Palma de Ouro, principal premiação do renomado Festival de Cannes, na França.
Além do Pagador de Promessas, o Brasil já concorreu na categoria de Melhor Filme Internacional com O Quatrilho (1995), dirigido por Fábio Barreto, em 1996; O Que é Isso, Companheiro? (1997), de Bruno Barreto, em 1998; Central do Brasil (1998), de Walter Salles, em 1999; além de Ainda Estou Aqui e O Agente Secreto.
Central do Brasil foi, inclusive, o primeiro filme nacional a ter mais de uma indicação ao Oscar, já que também concorreu na categoria de Melhor Atriz, com Fernanda Montenegro, que saiu derrotada para Gwyneth Paltrow (Shakespeare Apaixonado). Depois dele, Cidade de Deus (2002) recebeu quatro nomeações – um recorde, junto a O Agente Secreto –, sendo elas Melhor Roteiro Adaptado, Edição, Fotografia e Melhor Diretor (Fernando Meirelles).
Completam a lista dos filmes brasileiros a ter múltiplas indicações Ainda Estou Aqui, que concorreu a Melhor Filme, Melhor Filme Internacional e Melhor Atriz (Fernanda Torres), e O Agente Secreto.
Já entre os cineastas nacionais reconhecidos pelo Oscar, Héctor Babenco foi o único outro a ser indicado na categoria de Melhor Diretor, além de Fernando Meirelles, em 1986. O argentino naturalizado brasileiro fez o filme O Beijo da Mulher Aranha (1985), que tem digitais do Brasil, mas foi inscrito pelos Estados Unidos na premiação, e por isso não é considerado daqui.
O Brasil também concorreu às categorias de Melhor Animação, com O Menino e o Mundo (2013), no Oscar de 2016; Melhor Documentário, com Democracia em Vertigem (2019), na cerimônia de 2020; Melhor Curta-Metragem, com Uma História de Futebol (1998), em 2001; e Melhor Canção Original, com a música Real in Rio (do filme Rio), composta por Sergio Mendes e Carlinhos Brown, que concorreu à premiação de 2012.
Brasil, pero no mucho
Além dos filmes 100% do Brasil, que foram inscritos pelo país na premiação, algumas películas parcialmente brasileiras também receberam nomeações ao Oscar, mas estavam representando outras nações. O primeiro caso foi com Orfeu Negro (1959), dirigido pelo francês Marcel Camus, que concorreu a Melhor Filme Internacional em 1960. Parte da produção do longa – rodado inteiramente no Rio de Janeiro – foi nacional, mas o título disputou a estatueta pela França.
A mesma coisa aconteceu com o Beijo da Mulher Aranha, que tem coprodução brasileira, mas representou os EUA. Além de Melhor Diretor, o longa foi indicado nas categorias de Melhor Filme, Melhor Roteiro Adaptado e Melhor Ator – com o americano William Hurt, que levou a estatueta, inclusive.
Três documentários que tiveram produção parcialmente brasileira também foram indicados ao Oscar: Raoni (1978), que concorreu pela França em 1979; Lixo Extraordinário (2010), representando o Reino Unido, em 2011; e Sal da Terra (2014), inscrito também pela França, em 2015.
Outra situação similar aconteceu com a nomeação do cantor uruguaio Jorge Drexler para Melhor Canção Original, em 2005, pela música Otro Lado del Río, do filme Diários de Motocicleta (2004). A película foi dirigida por Walter Salles, teve coprodução de cinco países – incluindo o Brasil –, mas representou os EUA na premiação.
O primeiro prêmio nacional em uma categoria técnica pode vir em 2026, com a fotografia de Adolpho Veloso, mas uma personalidade nascida no Brasil já venceu em Melhor Direção de Arte em 1994: Luciana Arrighi, que levou uma estatueta por Retorno a Howards End (1992), ao lado de Ian Whittaker. Ela, porém, nunca teve nacionalidade brasileira – por ser filha de um diplomata italiano e mãe australiana.
Oscar 2026
A 98ª edição do Oscar acontece no dia 15 de março. Ao todo, 50 filmes foram indicados em 24 categorias, entre longa e curta-metragens. Pecadores (2025), de Ryan Coogler, quebrou recorde de aparição em mais categorias ao concorrer a 16 prêmios, superando a marca anterior, de 14 nomeações, que era ostentada por A Malvada (1950), Titanic (1997) e La La Land (2016).









