Vídeo de ativistas ajoelhados e de mãos amarradas gera reação internacional contra Israel
Imagens foram divulgadas por ministro israelense, que chamou presos em flotilha de 'apoiadores do terrorismo'; ativistas tentavam levar ajuda humanitária a Gaza

Sofia Pilagallo
Um vídeo em que ativistas da flotilha com destino à Faixa de Gaza aparecem ajoelhados e com as mãos amarradas provocou forte reação internacional. Itália, Irlanda, Espanha, França e Indonésia criticaram o caso.
As imagens foram divulgadas nesta quarta-feira (20) pelo ministro da Segurança Nacional de Israel, Itamar Ben Gvir, em suas redes sociais. Na publicação, ele escreveu: "É assim que recebemos os apoiadores do terrorismo. Bem-vindos a Israel."
A primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, classificou as imagens como "inaceitáveis". Ela afirmou que o tratamento dado aos ativistas — entre eles, diversos cidadãos italianos — é "inadmissível" e "lesivo da dignidade" humana e exigiu um pedido de desculpas.
Meloni informou ainda que o governo italiano está adotando todas as medidas necessárias para a libertação imediata dos cidadãos italianos envolvidos. Segundo a premiê, o Ministério das Relações Exteriores convocará "imediatamente" o embaixador para esclarecimentos.
A ministra das Relações Exteriores da Irlanda, Helen McEntee, por sua vez, disse estar "consternada e chocada" com o vídeo. Em nota, ela denunciou que os manifestantes foram "detidos ilegalmente" e não estão sendo tratados com dignidade e respeito.
Helen acrescentou que o Embaixador da Irlanda em Israel exigiu a libertação imediata e "garantias imediatas" do bem-estar de todos os cidadãos irlandeses interceptados. Entre eles está Margaret Connolly, irmã da presidente irlandesa, Catherine Connolly.
O ministro das Relações Exteriores da Espanha, José Manuel Albares, também se pronunciou. Em discurso, ele classificou o tratamento dado aos ativistas como "indigno e inumano" e convocou a encarregada de negócios de Israel em Madri para esclarecimentos.
A França também convocou o embaixador de Israel em Paris para pedir explicações. O ministro das Relações Exteriores francês, Jean-Noël Barrot, classificou a atitude de Itamar Ben Gvir como "inadmissível" e cobrou explicações do governo israelense.
Já a Indonésia informou que nove cidadãos do país foram detidos, incluindo dois jornalistas do jornal "Republika". Em nota, o governo indonésio pediu a libertação imediata dos participantes e afirmou que os ativistas integravam uma missão humanitária.
As forças israelenses interceptaram as flotilhas na segunda-feira (18), perto de Chipre. Ao todo, cerca de 50 embarcações, com 430 ativistas a bordo, partiram da Turquia com o objetivo de levar ajuda humanitária a Gaza e protestar contra o bloqueio israelense ao enclave.
A ONG Adalah, que acompanha os ativistas, afirmou que eles foram levados a Israel contra sua vontade após a interceptação em águas internacionais. A organização acusa Israel de violar o direito internacional.









