Ucrânia ainda não definiu novo embaixador para o Brasil
Enquanto não há uma definição, a embaixada continua sendo comandada por um encarregado de negócios, Oleg Vlasenko
Caio Barcellos
Embaixada da Ucrânia no Brasil | Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil
O governo da Ucrânia afirmou nesta terça-feira (21) que ainda não definiu um nome para comandar a embaixada no Brasil. O posto está vago desde abril de 2025, quando o presidente Volodymyr Zelensky exonerou Andrii Melnyk e o nomeou representante permanente do país na Organização das Nações Unidas (ONU).
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O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores ucraniano, Heorhii Tykhyi, não informou quando a escolha será concluída nem se já há candidatos sendo avaliados.
“Espero que tenhamos um embaixador forte no Brasil o mais rápido possível. A demora na escolha de um candidato ocorre porque o Brasil é uma grande potência e um parceiro muito importante para nós”, afirmou durante entrevista coletiva online com jornalistas da América Latina e do Caribe.
Enquanto não há uma definição, a embaixada continua sendo comandada por um encarregado de negócios, Oleg Vlasenko.
“Temos uma embaixada em funcionamento no Brasil, uma equipe muito ativa e um encarregado de negócios que trabalha intensamente. Mesmo enquanto aguardamos um embaixador, nosso trabalho no Brasil continua”, disse Tykhyi.
O Brasil, por sua vez, mantém Rafael de Mello Vidal como embaixador em Kiev desde outubro de 2024. Durante a cerimônia de apresentação das credenciais, o presidente ucraniano defendeu a continuidade do diálogo com o governo brasileiro sobre uma saída diplomática para a guerra.
Reaproximação política
A procura por um novo representante ocorre em um momento de tentativa de aproximação entre os governos de Lula (PT) e Zelensky, depois de divergências públicas sobre a condução das negociações de paz.
Em janeiro de 2025, o ucraniano afirmou que “o trem do Brasil já passou” como possível mediador da guerra e, depois da participação de Lula nas comemorações do Dia da Vitória em Moscou, recusou duas tentativas de telefonema do brasileiro.
Zelensky também havia classificado como “destrutiva” a proposta de paz apresentada pelo Brasil e pela China.
Lula, por sua vez, já havia criticado Zelensky por não demonstrar, em sua avaliação, disposição suficiente para negociar.
Os dois presidentes se reuniram em junho deste ano, durante a cúpula do G7, na França, para discutir caminhos para encerrar a guerra e a retomada das articulações diplomáticas.
“Os esforços de paz foram o foco principal da discussão. Eles também falaram sobre a necessidade de continuar os contatos entre Ucrânia e Brasil em todos os níveis”, declarou Tykhyi.
Dias depois, o assessor de comunicações de Zelensky, Dmytro Lytvyn, afirmou que a Ucrânia havia aceitado a proposta de Lula para que o Brasil ajudasse nas negociações. A iniciativa prevê novos contatos com os cinco integrantes permanentes do Conselho de Segurança das Nações Unidas (Estados Unidos, Rússia, China, França e Reino Unido).
Na entrevista de hoje, Tykhyi também pediu que Lula volte a defender diretamente com o presidente russo, Vladimir Putin, um cessar-fogo incondicional.
“O presidente Lula está adotando uma posição neutra, nós entendemos isso, mas consideramos que a posição que ele mantém há muito tempo, de que um cessar-fogo é o primeiro passo em direção à paz e de que um cessar-fogo incondicional é o início das negociações, é uma posição que apoiamos. Portanto, se o presidente Lula puder reiterar essa posição a Putin, a quem conhece há muitos, muitos anos, acreditamos que isso ajudaria, sim. [...] Isso não se trata de tomar o lado da Ucrânia. Trata-se de tomar o lado dos princípios da Carta das Nações Unidas, do direito internacional, da integridade territorial e da soberania”, afirmou.
“E, para Putin, novamente, até mesmo para Putin, esse é o único passo razoável a dar. As perdas dele são insustentáveis, a economia dele só vai piorar e, quero dizer, a única coisa racional a fazer é interromper esta guerra imediatamente”, complementou o porta-voz.
Ucrânia ainda não definiu novo embaixador para o BrasilEnquanto não há uma definição, a embaixada continua sendo comandada por um encarregado de negócios, Oleg VlasenkoMundo2026-07-21T18:38:03.192ZO governo da Ucrânia afirmou nesta terça-feira (21) que ainda não definiu um nome para comandar a embaixada no Brasil. O posto está vago desde abril de 2025, quando o presidente Volodymyr Zelensky exonerou Andrii Melnyk e o nomeou representante permanente do país na Organização das Nações Unidas (ONU). 📲 Receba as principais notícias do Brasil e do mundo no seu WhatsApp! e siga o canal do SBT News. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores ucraniano, Heorhii Tykhyi, não informou quando a escolha será concluída nem se já há candidatos sendo avaliados. “Espero que tenhamos um embaixador forte no Brasil o mais rápido possível. A demora na escolha de um candidato ocorre porque o Brasil é uma grande potência e um parceiro muito importante para nós”, afirmou durante entrevista coletiva online com jornalistas da América Latina e do Caribe. Enquanto não há uma definição, a embaixada continua sendo comandada por um encarregado de negócios, Oleg Vlasenko. “Temos uma embaixada em funcionamento no Brasil, uma equipe muito ativa e um encarregado de negócios que trabalha intensamente. Mesmo enquanto aguardamos um embaixador, nosso trabalho no Brasil continua”, disse Tykhyi. O Brasil, por sua vez, mantém Rafael de Mello Vidal como embaixador em Kiev desde outubro de 2024. Durante a cerimônia de apresentação das credenciais, o presidente ucraniano defendeu a continuidade do diálogo com o governo brasileiro sobre uma saída diplomática para a guerra. Reaproximação política A procura por um novo representante ocorre em um momento de tentativa de aproximação entre os governos de Lula (PT) e Zelensky, depois de divergências públicas sobre a condução das negociações de paz. Em janeiro de 2025, o ucraniano afirmou que “o trem do Brasil já passou” como possível mediador da guerra e, depois da participação de Lula nas comemorações do Dia da Vitória em Moscou, recusou duas tentativas de telefonema do brasileiro. Zelensky também havia classificado como “destrutiva” a proposta de paz apresentada pelo Brasil e pela China. Lula, por sua vez, já havia criticado Zelensky por não demonstrar, em sua avaliação, disposição suficiente para negociar. Os dois presidentes se reuniram em junho deste ano, durante a cúpula do G7, na França, para discutir caminhos para encerrar a guerra e a retomada das articulações diplomáticas. “Os esforços de paz foram o foco principal da discussão. Eles também falaram sobre a necessidade de continuar os contatos entre Ucrânia e Brasil em todos os níveis”, declarou Tykhyi. Dias depois, o assessor de comunicações de Zelensky, Dmytro Lytvyn, afirmou que a Ucrânia havia aceitado a proposta de Lula para que o Brasil ajudasse nas negociações. A iniciativa prevê novos contatos com os cinco integrantes permanentes do Conselho de Segurança das Nações Unidas (Estados Unidos, Rússia, China, França e Reino Unido). Na entrevista de hoje, Tykhyi também pediu que Lula volte a defender diretamente com o presidente russo, Vladimir Putin, um cessar-fogo incondicional. “O presidente Lula está adotando uma posição neutra, nós entendemos isso, mas consideramos que a posição que ele mantém há muito tempo, de que um cessar-fogo é o primeiro passo em direção à paz e de que um cessar-fogo incondicional é o início das negociações, é uma posição que apoiamos. Portanto, se o presidente Lula puder reiterar essa posição a Putin, a quem conhece há muitos, muitos anos, acreditamos que isso ajudaria, sim. [...] Isso não se trata de tomar o lado da Ucrânia. Trata-se de tomar o lado dos princípios da Carta das Nações Unidas, do direito internacional, da integridade territorial e da soberania”, afirmou. “E, para Putin, novamente, até mesmo para Putin, esse é o único passo razoável a dar. As perdas dele são insustentáveis, a economia dele só vai piorar e, quero dizer, a única coisa racional a fazer é interromper esta guerra imediatamente”, complementou o porta-voz. São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/mundo/ucrania-ainda-nao-definiu-novo-embaixador-para-o-brasil