Trump revogou mais 175 mil vistos ao longo de seu mandato
Ligação com crimes, fraude, violência e segurança nacional está entre os motivos citados pelo Departamento de Estado
André Barbeiro
Donald Trump | Reuters/Evan Vucci
O Departamento de Estado dos Estados Unidos revogou mais de 175 mil vistos de estrangeiros desde o início do segundo mandato do presidente Donald Trump. Segundo nota oficial da pasta, as medidas atingiram pessoas que teriam violado as condições dos vistos, cometido crimes, incitado violência ou que foram consideradas uma ameaça à segurança nacional.
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A maior parte das revogações ocorreu após abordagens policiais relacionadas a atividades criminosas, de acordo com o governo americano. Entre os principais motivos estão agressão, direção sob efeito de álcool ou drogas, furto e crimes relacionados a entorpecentes. O Departamento de Estado também cita casos de direção imprudente, agressão sexual, abuso infantil, fraude e peculato.
As revogações fazem parte, segundo a pasta, de operações contínuas de verificação dos estrangeiros que possuem vistos americanos. A justificativa é garantir que os beneficiários cumpram as condições estabelecidas e não representem riscos para cidadãos dos Estados Unidos.
Crimes, fraude e turismo de nascimento
O Departamento de Estado dos EUA apresenta uma série de casos usados para exemplificar as medidas. Entre eles estão estrangeiros acusados de estupro, agressão sexual, sequestro, tráfico de pessoas, exploração sexual de menores e posse de material de abuso sexual infantil.
Também são citados casos de violência doméstica, resistência à prisão e condução de veículos sob efeito de álcool e drogas. Em um dos episódios, o governo afirma que um estrangeiro foi preso dirigindo sob efeito de heroína e com concentração de álcool no sangue superior a três vezes o limite legal.
A pasta também relata casos de fraude. Um estrangeiro teria participado de um esquema de fraude contra o Medicaid, programa público de assistência médica dos EUA, com mais de US$ 5 milhões em serviços considerados falsos. Em outro caso, um estrangeiro teria falsificado receitas, enganado investidores e utilizado documentos forjados para conseguir um visto de maneira fraudulenta.
Entre as medidas está ainda a revogação de mais de 100 vistos por uma embaixada americana no norte da África. Segundo o Departamento de Estado, os vistos pertenciam a pais que viajavam aos Estados Unidos com o objetivo principal de dar à luz no país para obter a cidadania americana para os filhos. A prática é conhecida como "turismo de nascimento".
Medida ocorre durante crise com o Brasil
O anúncio das mais de 175 mil revogações ocorre em um momento de forte deterioração das relações entre Washington e Brasília. Na semana passada, o governo Trump cancelou o visto da embaixadora do Brasil nos Estados Unidos, Maria Luiza Ribeiro Viotti, em uma medida de retaliação relacionada ao impasse sobre a indicação de Daniel Perez para a embaixada americana no Brasil. A decisão foi descrita por autoridades americanas como uma resposta à demora do governo brasileiro em conceder o agrément ao diplomata indicado por Trump.
Segundo o governo americano, o visto de Viotti poderá ser restabelecido caso o Brasil conceda a autorização diplomática para Perez. Washington também citou como fatores de tensão a negativa de vistos e de entrada a integrantes do Departamento de Estado americano no Brasil.
O governo brasileiro, por sua vez, repudiou a decisão e afirmou que as justificativas apresentadas pelos Estados Unidos são falsas. O Itamaraty argumenta que o pedido de agrément para Perez continua em análise e que a Convenção de Viena não estabelece prazo para a concessão da autorização.
A crise ocorre às vésperas das eleições brasileiras de outubro e se soma a outras divergências entre os dois governos. O Brasil acusa Washington de adotar medidas de pressão política e de tentar interferir no cenário eleitoral, enquanto a administração Trump afirma que suas ações respondem a decisões do governo brasileiro e a interesses de política externa e segurança dos Estados Unidos.
Trump revogou mais 175 mil vistos ao longo de seu mandatoLigação com crimes, fraude, violência e segurança nacional está entre os motivos citados pelo Departamento de EstadoMundo2026-08-10T21:37:20.683ZO Departamento de Estado dos Estados Unidos revogou mais de 175 mil vistos de estrangeiros desde o início do segundo mandato do presidente Donald Trump. Segundo nota oficial da pasta, as medidas atingiram pessoas que teriam violado as condições dos vistos, cometido crimes, incitado violência ou que foram consideradas uma ameaça à segurança nacional. A maior parte das revogações ocorreu após abordagens policiais relacionadas a atividades criminosas, de acordo com o governo americano. Entre os principais motivos estão agressão, direção sob efeito de álcool ou drogas, furto e crimes relacionados a entorpecentes. O Departamento de Estado também cita casos de direção imprudente, agressão sexual, abuso infantil, fraude e peculato. As revogações fazem parte, segundo a pasta, de operações contínuas de verificação dos estrangeiros que possuem vistos americanos. A justificativa é garantir que os beneficiários cumpram as condições estabelecidas e não representem riscos para cidadãos dos Estados Unidos. Crimes, fraude e turismo de nascimento O Departamento de Estado dos EUA apresenta uma série de casos usados para exemplificar as medidas. Entre eles estão estrangeiros acusados de estupro, agressão sexual, sequestro, tráfico de pessoas, exploração sexual de menores e posse de material de abuso sexual infantil. Também são citados casos de violência doméstica, resistência à prisão e condução de veículos sob efeito de álcool e drogas. Em um dos episódios, o governo afirma que um estrangeiro foi preso dirigindo sob efeito de heroína e com concentração de álcool no sangue superior a três vezes o limite legal. A pasta também relata casos de fraude. Um estrangeiro teria participado de um esquema de fraude contra o Medicaid, programa público de assistência médica dos EUA, com mais de US$ 5 milhões em serviços considerados falsos. Em outro caso, um estrangeiro teria falsificado receitas, enganado investidores e utilizado documentos forjados para conseguir um visto de maneira fraudulenta. Entre as medidas está ainda a revogação de mais de 100 vistos por uma embaixada americana no norte da África. Segundo o Departamento de Estado, os vistos pertenciam a pais que viajavam aos Estados Unidos com o objetivo principal de dar à luz no país para obter a cidadania americana para os filhos. A prática é conhecida como "turismo de nascimento". Medida ocorre durante crise com o Brasil O anúncio das mais de 175 mil revogações ocorre em um momento de forte deterioração das relações entre Washington e Brasília. Na semana passada, o governo Trump cancelou o visto da embaixadora do Brasil nos Estados Unidos, Maria Luiza Ribeiro Viotti, em uma medida de retaliação relacionada ao impasse sobre a indicação de Daniel Perez para a embaixada americana no Brasil. A decisão foi descrita por autoridades americanas como uma resposta à demora do governo brasileiro em conceder o agrément ao diplomata indicado por Trump. Segundo o governo americano, o visto de Viotti poderá ser restabelecido caso o Brasil conceda a autorização diplomática para Perez. Washington também citou como fatores de tensão a negativa de vistos e de entrada a integrantes do Departamento de Estado americano no Brasil. O governo brasileiro, por sua vez, repudiou a decisão e afirmou que as justificativas apresentadas pelos Estados Unidos são falsas. O Itamaraty argumenta que o pedido de agrément para Perez continua em análise e que a Convenção de Viena não estabelece prazo para a concessão da autorização. A crise ocorre às vésperas das eleições brasileiras de outubro e se soma a outras divergências entre os dois governos. O Brasil acusa Washington de adotar medidas de pressão política e de tentar interferir no cenário eleitoral, enquanto a administração Trump afirma que suas ações respondem a decisões do governo brasileiro e a interesses de política externa e segurança dos Estados Unidos. São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/mundo/trump-revogou-mais-175-mil-vistos-ao-longo-de-seu-mandato