Trump diz que Irã "parou execuções" em meio a temor sobre manifestante condenado à morte
Declaração ocorreu no Salão Oval durante sanção de lei sobre leite integral nas merendas escolares


Vicklin Moraes
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quarta-feira (14) que o Irã “não tem planos de execuções” e que a “matança está parando”, em meio a temores sobre o destino de Erfan Soltani, manifestante detido com execução prevista para esta quarta.
“Não há planos para execuções. As mortes cessaram. As execuções cessaram”, disse Trump durante a assinatura de um projeto de lei no Salão Oval.
Soltani foi preso durante a onda de protestos que atinge o Irã desde dezembro de 2025. Segundo organizações de direitos humanos, a repressão já deixou mais de 2,4 mil mortos, embora autoridades iranianas contestem os números.
A declaração ocorreu durante a sanção da Lei do Leite Integral para Crianças Saudáveis (Whole Milk for Healthy Kids Act), que reintegra o leite integral às merendas escolares nos Estados Unidos. A legislação, já aprovada pelo Congresso, autoriza escolas participantes do Programa Nacional de Merenda Escolar a oferecer leite integral e leite com 2% de gordura, além das versões desnatadas e com baixo teor de gordura exigidas desde 2012.
“Atualmente, as escolas só podem oferecer opções de leite com baixo ou nenhum teor de gordura. Agora poderão ampliar as ofertas para incluir leite integral nutritivo”, afirmou Trump.
Na semana passada, o governo divulgou novas diretrizes alimentares que reposicionam alimentos como carne bovina, queijo e leite integral no topo da pirâmide nutricional. Especialistas em saúde pública, no entanto, alertaram para os riscos de incentivar o consumo de leite integral sem considerar o conjunto da dieta.
A sanção da lei ocorreu dias após o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos publicar no X uma imagem de Trump com um “bigode de leite”, acompanhada da frase “The Milk Mustache is Back. Drink Whole Milk”, em referência à campanha “Got Milk?”, dos anos 1990. A postagem foi replicada por aliados do republicano e gerou reação nas redes sociais.

O uso simbólico do leite, porém, vai além do debate nutricional. Nos Estados Unidos, o alimento tem sido apropriado nos últimos anos por grupos supremacistas brancos. Historicamente, associações entre consumo de laticínios e suposta superioridade racial apareceram em publicações do início do século 20, hoje frequentemente citadas por pesquisadores como exemplo de discurso pseudocientífico.









