“Terra desapareceu”: astronautas revelam momentos mais impactantes da missão Artemis II
Tripulação descreve momentos históricos e emocionantes após viagem ao redor da Lua; reentrada ainda é etapa mais crítica


Antonio Souza
SBT News
Os astronautas da missão Artemis II concederam uma entrevista coletiva diretamente da cápsula Orion nesta quarta-feira (8), a poucos dias do retorno à Terra.
A missão, que marcou a volta de humanos ao entorno da Lua após mais de 50 anos, foi descrita como uma experiência intensa — tanto científica quanto emocional.
Um dos momentos mais marcantes ocorreu durante a passagem pelo lado oculto da Lua, quando a comunicação com a Terra é interrompida. Sem contato com o planeta, os tripulantes relataram um silêncio profundo dentro da nave.
“Ver a Terra desaparecer atrás da Lua é indescritível. Dá arrepio só de lembrar. Ficamos alguns minutos em silêncio, refletindo, comendo juntos… e depois voltamos ao trabalho. É surreal. Ainda precisamos de tempo para processar tudo isso”, afirmou um dos astronautas.
“Vivemos em um planeta frágil no meio do vazio”
Ao comentar a missão, a tripulação destacou que a experiência reforçou uma percepção comum entre astronautas: a fragilidade da Terra.
A reflexão remete a missões históricas, como a Apollo 8, que também mudou a forma como a humanidade enxerga o planeta.
“Vimos coisas extraordinárias. Algumas como imaginávamos, outras completamente além do que poderíamos imaginar. Mas isso não mudou minha visão — apenas a reforçou. Vivemos em um planeta frágil no meio do vazio do espaço. E nossa missão como humanos é encontrar alegria, ajudar uns aos outros e criar soluções. Ver isso daqui de cima só reforça tudo isso. É como uma prova viva”, disse um dos astronautas.
A missão Artemis II, da NASA, chegou à órbita da Lua na última segunda-feira (6), às 15h45 (horário de Brasília). O sobrevoo, que durou cerca de seis horas, quebrou o recorde de maior distância já percorrida por humanos no espaço, alcançando 406,6 mil quilômetros da Terra.
A marca anterior pertencia à Apollo 13, que, em abril de 1970, registrou cerca de 400 mil quilômetros de distância do planeta.
Durante a missão, os astronautas observaram e registraram imagens em alta resolução da superfície lunar, incluindo o chamado “lado oculto da Lua” — que não é visível da Terra. Segundo a NASA, os dados devem contribuir para pesquisas sobre o satélite natural.
O sucesso da missão foi parabenizado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que conversou por telefone com os astronautas.
“Os humanos nunca viram nada como o que vocês estão fazendo. É realmente especial. Continuaremos liderando o caminho nesta jornada para as estrelas”, afirmou.
Como será a volta à Terra?
Agora, a Orion iniciará uma série de pequenas queimas de motores para alinhar sua rota de volta à Terra. Antes de entrar na atmosfera, a cápsula tripulada irá se separar do Módulo de Serviço Europeu, responsável pela propulsão principal durante a viagem.
A expectativa é que a cápsula pouse no Oceano Pacífico na sexta-feira (10), com o auxílio de paraquedas. O resgate da tripulação será feito por navios norte-americanos, que estarão posicionados na região.
A Nasa afirmou nesta quarta-feira (8) que a Orion está em excelentes condições para pouso na água em retorno à Terra. Apesar disso, a agência reforçou que a reentrada segue sendo uma das fases mais críticas da viagem.
Segundo a administradora adjunta interina da Nasa, Lakiesha Hawkins, a missão é um voo de teste e, mesmo com avanços, ainda envolve riscos.
“Não podemos esquecer que este é um voo de teste”, afirmou. De acordo com ela, embora a missão tenha reduzido diversos riscos, o pouso seguro da tripulação continua sendo um desafio importante.
Durante a reentrada na atmosfera, a cápsula Orion enfrenta temperaturas extremas e forma uma camada de plasma ao redor da nave. Esse fenômeno provoca uma interrupção de comunicação com a Terra por cerca de seis minutos, segundo o diretor de voo Rick Henfling.
“É aí que a diversão realmente começa”, disse ele, ao descrever o momento mais crítico da operação até a abertura dos paraquedas e o pouso no oceano.

Objetivos da missão
A Artemis II é um voo de teste da cápsula espacial Orion, transportando uma tripulação humana pela primeira vez. O objetivo é analisar o controle manual e o suporte de vida da espaçonave, como purificadores de dióxido de carbono.
A missão também está testando o Sistema Universal de Gestão de Resíduos — uma espécie de “vaso sanitário espacial”. Avaliado em US$ 30 milhões, o box privativo, que possui corrimãos e apoio para os pés, conta com tecnologia inédita para recolher as necessidades fisiológicas na microgravidade. O funcionamento, que apresentou alguns problemas, é baseado em sucção.
Segundo a Nasa, a missão Artemis II está à frente de objetivos ambiciosos. O teste da cápsula espacial, em conjunto com as observações da superfície da Lua, poderão levar humanos ao satélite natural pela primeira vez desde 1972. A ideia é pousar na superfície lunar já em 2028, com fins de pesquisa científica. Posteriormente, a ambição é levar os humanos à Marte, em missão projetada para 2035.
Veja algumas das fotos divulgadas pela missão Artemis II:












