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Suspensão de fundos dos EUA afeta instituições de acolhimento de refugiados no Brasil

Organizações que auxiliam imigrantes buscam alternativas para manter serviços essenciais a refugiados

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SBT Brasil
01/02/2025, 23:52 • Atualizado em 01/02/2025, 23:52
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Cáritas é uma das organizações afetadas pela suspensão de fundos dos EUA | Emmily Melo / Assessoria de Comunicação da Cáritas Brasileira

Cáritas é uma das organizações afetadas pela suspensão de fundos dos EUA | Emmily Melo / Assessoria de Comunicação da Cáritas Brasileira

A suspensão dos repasses de fundos humanitários dos Estados Unidos já impacta instituições que acolhem refugiados no Brasil. A Cáritas Brasileira, por exemplo, anunciou a interrupção por 90 dias dos serviços emergenciais de água, saneamento e higiene, que atendiam imigrantes vindos da Venezuela por Roraima. A medida afeta diretamente as cidades de Boa Vista e Pacaraima.

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"Um documento oficial, uma carta do escritório que fizemos parceria, o escritório americano de apoio a refugiados do governo dos EUA, que em atenção a uma ordem expressa do presidente dos Estados Unidos, era pra suspender o projeto", explicou Anadete Gonçalves, representante da Cáritas.

Desde 2019, a organização tem sido um ponto de acolhimento para imigrantes que chegam ao Brasil, oferecendo abrigo temporário, acesso a banheiros, água potável e lavanderia. "O número de imigrantes aumenta a cada dia. Essa era uma porta de entrada para essas pessoas, que não têm onde ficar", acrescentou.

Além da Cáritas, a ONG Panahgah, que recebe e integra refugiados – em sua maioria afegãos –, também teme os efeitos da suspensão dos fundos. A organização não conta com financiamento estatal e sobrevive de parcerias privadas, a maioria delas de origem norte-americana.

"O imigrante, quando ele chega ao Brasil, já pode pedir por refúgio. A gente não tem ideia de imigração ilegal aqui no Brasil. Então isso torna o Brasil um destino agora, principalmente agora que os Estados Unidos têm fechado as portas para os imigrantes", afirmou Sophia Nobre Santiago, representante da Panahgah.

Aumento expressivo nos pedidos de refúgio

Dados da Polícia Federal mostram que o Brasil registrou 7.610 pedidos de refúgio entre janeiro e dezembro de 2024, um aumento de quase 80% em relação ao ano anterior, quando foram registrados 4.239 pedidos. Os três principais países de origem dos solicitantes foram Índia (2.006 pedidos, 26% do total), Vietnã (1.907 pedidos, 25%) e Nepal (1.446 pedidos, 19%).

Entre os refugiados que chegaram ao Brasil nos últimos anos, está um casal iraniano que se estabeleceu no país há dois anos e teve um filho brasileiro. "Somos cristãos e aqui temos mais liberdade para praticar nossa religião", disseram. Eles trabalham, estudam e aprendem português, renovando as esperanças de um futuro melhor. "Somos muito felizes pela oportunidade de ficar aqui, aprender o idioma e ter bons amigos brasileiros", completaram.

Busca por alternativas

Diante do cenário incerto, organizações humanitárias tentam encontrar alternativas para garantir a continuidade dos serviços prestados aos refugiados. "Buscamos diálogo com o governo para tentar retomar as atividades. Essas pessoas não tomavam banho no abrigo porque queriam, mas porque não tinham outra opção. Precisavam lavar suas roupas porque não tinham como fazer isso em casa. Esse é um serviço essencial para saúde, higiene e saneamento básico", ressaltou a Cáritas.

O impacto das restrições migratórias também pode ser sentido nos aeroportos. Em 2024, houve um aumento expressivo no número de passageiros na condição de inadmitidos – aqueles que não possuem visto para entrada no Brasil. Muitas dessas pessoas tentavam utilizar o país como rota para imigração ilegal para os Estados Unidos ou Europa. Para contornar a situação, houve um reforço na análise dos pedidos de refúgio, concedendo ingresso apenas a quem apresentasse necessidade legítima.

Até o dia 30 de janeiro de 2025, a Delegacia da Polícia Federal no Aeroporto Internacional de São Paulo registrou 49 pedidos de refúgio. No mesmo período de 2024, o número havia sido de 306. Atualmente, 39 pessoas estão na condição de inadmitidas, aguardando definição de seu status migratório.

Com o crescimento do fluxo migratório e a redução de apoio internacional, as instituições de acolhimento reforçam a necessidade de novas parcerias e políticas públicas para garantir assistência a quem busca recomeçar sua vida no Brasil.

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