Suíça suspende exportação de armas para os EUA
País europeu, que mantém tradição de neutralidade, já havia recusado pedidos de sobrevoos americanos em seu espaço aéreo


Renato Machado
A Suíça anunciou nesta sexta-feira (20) que parou de emitir autorizações para a exportação de armas e outros equipamentos militares para os Estados Unidos, por causa da guerra contra o Irã.
A decisão tomada pelo conselho federal busca manter a histórica neutralidade do país europeu, que frequentemente se oferece para receber e intermediar negociações de paz, além de ser sede de várias organizações internacionais, como ONU e OMC.
Na semana passada, o conselho federal da Suíça -- o governo do país -- já havia recusado pedidos americanos para a passagem de dois aviões militares por seu espaço aéreo.
A declaração desta sexta-feira afirma que a exportação de material bélico para todos os países envolvidos na guerra do Irã está suspensa, enquanto durar o conflito. Licenças de exportação já emitidas serão revistas, para verificar se são compatíveis com a neutralidade do país.
"A exportação de material de guerra para os Estados Unidos não pode atualmente ser autorizada", afirma a declaração, acrescentando que nenhuma licença de exportação de armas e equipamentos bélicos foi emitida nos últimos anos para Israel ou para o Irã.
"Algumas licenças existentes foram classificadas como sem relevância para a guerra no momento e poderão continuar a serem usadas. No entanto, um grupo de especialistas analisará o desenvolvimento das exportações desses bens em questão para os Estados Unidos e alertar se alguma ação será exigida por causa da legislação de neutralidade", completa.
A neutralidade é um dos mais importantes princípios da política externa da Suiça, que não se envolve em conflitos, não toma partes e acredita na promoção da paz. O país não se envolve em guerra desde o encerramento das guerras napoleônicas, em 1815.
Em uma de suas principais cidades, Genebra, foram assinadas convenções que estabeleceram regras para as guerras, de forma a garantir padrões humanitários e proteger civis.
A cidade também recebeu no mês passado três rodadas de negociações entre Irā e os enviados americanos, para tentar um acordo e assim evitar a guerra. Os ataques americanos começaram um dia após a última dessas reuniões.









