Resenha: 'Marathon', novo FPS da Bungie, tem grande desafio pela frente
Marathon oferece jogabilidade viciante e história intrigante, mas falta de inovação e problemas técnicos levantam dúvidas sobre seu futuro


Vinícius Gobira
Nos últimos anos, a Bungie se tornou sinônimo de uma das desenvolvedoras mais influentes da indústria, principalmente por sua série Destiny. Mas após anos de sucesso e desafios, a empresa enfrenta uma nova missão com Marathon.
Embora o legado de Destiny seja um ponto de partida significativo, Marathon apresenta uma proposta completamente diferente, apostando em uma jogabilidade de extraction shooter que mescla competição, exploração e um universo intrigante, mas com alguns obstáculos que podem impactar sua longevidade.
Nos últimos tempos, a indústria de jogos como serviço (GaaS) tem sido marcada por falhas notáveis. Títulos como Highguard e Concord ofereceram promessas de experiências imersivas e jogabilidade inovadora, mas, em vez disso, foram vítimas do excesso de hype e da falta de uma base sólida.
A pressão para criar experiências "ao vivo", com conteúdo constantemente renovado, tem levado desenvolvedoras a adotar uma fórmula que, por mais lucrativa que seja, nem sempre entrega a qualidade prometida. E Marathon se insere nesse contexto. Embora tenha aspectos positivos, a dúvida sobre sua viabilidade no longo prazo é inevitável.
Bungie tem um histórico impecável, começando com Halo e se consolidando com Destiny. Marathon, por sua vez, não apenas se distancia dessa tradição, mas também se aventura em um campo novo para a empresa, com uma experiência de jogo focada em exploração e confronto direto.
A premissa de Marathon gira em torno da investigação de uma colônia abandonada, com jogabilidade centrada no "extraction shooter", onde o objetivo é tanto explorar quanto sobreviver. Os jogadores são colocados em um ambiente hostil, com facções rivais e perigos ambientais, tudo enquanto buscam por espólios e equipamentos.
O que faz Marathon se destacar, pelo menos inicialmente, é sua mecânica de jogo focada em um loop de ação e recompensa. Cada missão é uma aposta: os jogadores entram no mapa com um objetivo, mas correm o risco de perder tudo caso falhem. Isso cria um ambiente de tensão constante, com momentos de vitória que podem ser seguidos por perdas devastadoras, algo que aumenta a imersão e o engajamento.
Entretanto, esse tipo de jogo também exige uma dedicação constante dos jogadores, já que a progressão depende diretamente da coleta de itens e da execução de contratos, um modelo que, como já vimos em outros títulos, pode cair na repetição se não houver inovação constante.

Um desafio de sobrevivência e tática
Como esperado de um jogo da Bungie, a mecânica de tiro é refinada, com armas que possuem um peso e uma sensação de impacto que lembram o melhor da série Destiny. O design das armas, especialmente os rifles de assalto e sniper, traz uma familiaridade que atrai os fãs da desenvolvedora, mas também sente a pressão de entregar algo novo para não parecer apenas uma versão reciclada de seus sucessos passados.
Cada personagem, ou "runner", tem habilidades únicas baseadas nas armações que escolhem, o que adiciona uma camada tática ao combate. O jogador não apenas precisa se preocupar com as armas que carrega, mas também com o uso de habilidades específicas, como invisibilidade, camuflagem ou drones de cura. Isso te força a tomar decisões rápidas e a se adaptar ao ambiente em tempo real, seja em confrontos diretos com outras equipes ou ao explorar zonas infestadas por inimigos controlados pela IA.
Um dos grandes problemas de jogos como serviço é o quanto a repetição pode se tornar um impeditivo de jogar. Marathon não é imune a isso, e embora o jogo ofereça muita ação, a mecânica de "entrar e sair" pode eventualmente se tornar um pouco previsível. No entanto, o sistema de facções e contratos oferece um incentivo a mais, ao permitir que os jogadores desbloqueiem novos equipamentos e melhorem suas habilidades conforme avançam. Isso garante um senso de progressão, mas o verdadeiro teste será a capacidade de Bungie de manter essa sensação de novidade e empolgação com atualizações constantes.
Helldivers 2: Um exemplo de sucesso no mercado de jogos como serviço
Um exemplo recente de sucesso dentro do gênero shooter de extração e de jogos como serviço é Helldivers 2. Lançado com grande sucesso, especialmente nos EUA, o título conquistou uma base de jogadores significativa, especialmente na plataforma Steam, onde atingiu números impressionantes de jogadores simultâneos. Helldivers 2 aproveitou a premissa de um jogo cooperativo com uma mecânica de tiro frenética, mas com uma narrativa envolvente que mantém os jogadores conectados a longo prazo.
O sucesso de Helldivers 2 pode ser atribuído a várias questões: o gameplay sólido, a interação cooperativa envolvente e o modelo de progressão que não apenas recompensa o jogador individualmente, mas também promove a colaboração. Além disso, a atualização constante de conteúdo e os eventos sazonais ajudaram a manter a base de jogadores ativa, algo que Marathon ainda terá que demonstrar que pode fazer se quiser permanecer relevante no cenário atual.

A luta para se destacar no mercado de jogos como serviço
Marathon não é um jogo perfeito, e é difícil prever como ele se comportará em um mercado tão saturado de jogos como serviço. A Bungie, embora tenha experiência, enfrenta a pressão de entregar uma experiência que se mantenha relevante e envolvente a longo prazo, sem cair nas armadilhas que engoliram títulos como Highguard e Concord. A mistura de exploração, combate e estratégia é promissora, mas os problemas com a interface e o conteúdo limitado em algumas áreas podem afetar a recepção crítica e o engajamento da comunidade.
O foco de Marathon em facções e contratos cria uma base interessante para progresso, onde os jogadores podem explorar diferentes árvores de habilidades e ganhar recompensas exclusivas. Isso incentiva a cooperação e a competição, mas também levanta a questão da repetitividade. A dinâmica do jogo gira em torno de completar contratos e saquear a colônia de Taetti 4, mas, após certo tempo, o que mais estará disponível para os jogadores? Será que Marathon conseguirá criar uma narrativa que, por mais fragmentada que seja, sustente o interesse a longo prazo?
A grande questão para Marathon será se ele conseguirá manter o mesmo nível de engajamento que títulos como Helldivers 2 conseguiram alcançar. A Bungie tem a capacidade de criar uma experiência sólida, mas o desafio será manter a comunidade viva e envolvida ao longo dos meses e anos, o que, como vimos com outros jogos como serviço, nem sempre é garantido.
Conclusão: a luta pela longevidade
Marathon tem o potencial para ser um título único e inovador, com uma base sólida de gameplay e mecânicas interessantes. Porém, assim como outros jogos como serviço, sua longevidade será testada pela capacidade de Bungie de manter a experiência fresca e envolvente, com atualizações constantes, novos conteúdos e uma comunidade ativa. Se Marathon conseguir aprender com os erros de outros jogos recentes e oferecer uma experiência que vá além da repetição, poderá encontrar seu lugar no competitivo mercado de jogos como serviço.
Por enquanto, Marathon se mantém como uma experiência interessante e desafiante, mas será preciso mais do que apenas uma jogabilidade sólida para garantir que ele se mantenha relevante no longo prazo. A Bungie tem a oportunidade de entregar algo grandioso, mas o tempo dirá se eles conseguirão.








