Shein paga US$100 milhões para encerrar investigação
Empresa chinesa era inquirida nos Estados Unidos sobre atrasos na entrega e outras reclamações de clientes
Reuters
REUTERS/Phil Noble/Foto de arquivo
A Shein, corporação chinesa de fast-fashion, concordou em pagar 100 milhões de dólares para encerrar uma investigação da Comissão Federal de Comércio dos Estados Unidos (FTC) sobre atrasos na entrega e outras reclamações de clientes. A informação foi obtida nesta sexta (23) através de uma fonte da Reuters com conhecimento direto do assunto.
O acordo equivale a 44% do lucro do segundo trimestre da Shein e é o mais recente a atingir a varejista online de moda. A empresa enfrenta uma repressão regulatória e tributária na Europa e nos EUA, o que freou seu crescimento.
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A Shein afirmou em comunicado à Reuters que "chegou a um acordo construtivo com a FTC" e que mais informações serão divulgadas em breve. Um porta-voz da FTC se recusou a comentar.
Em documentos apresentados em julho para seu IPO em Hong Kong, a empresa já havia alertado que a investigação dos EUA poderia resultar em multas significativas.
Reclamações de clientes
Segundo registros da FTC analisados pela Reuters, os consumidores registraram mais de 12.000 reclamações contra a Shein, referentes a compras que totalizaram mais de US$11 milhões entre janeiro de 2020 e junho de 2026.
Parte desses problemas estão relacionados ao envio: clientes relatam à FTC e ao Better Business Bureau que nunca receberam pacotes que a Shein havia marcado como entregues e que o serviço de atendimento ao cliente da empresa não resolveu o problema.
A Reuters não conseguiu verificar de forma independente o conteúdo das queixas, nem se elas foram resolvidas.
Dificuldades
As ações da Shein já caíram 22% desde sua estreia na bolsa em setembro deste ano, possivelmente devido ao impacto negativo causado pelas taxas de 3 euros da União Europeia sobre pacotes de comércio eletrônico de baixo valor.
A União Europeia ainda pretende impor uma tarifa adicional de processamento de 2 euros a partir de 1º de novembro, o que elevará a taxa total para 5 euros por código aduaneiro individual.
"A forma como essas tarifas são implementadas é especialmente prejudicial para a Shein", disse Mike Ryan, chefe de comércio eletrônico da Smarter Ecommerce, que acompanhou como a Shein reduziu seus gastos com visibilidade no Google Ads na Europa.
Também está em curso umainvestigação da Comissão Europeia sobre a possível presença de produtos ilegais no marketplace da varejista chinesa. No ano passado, a empresa foi multada em 150 milhões de euros pela autoridade francesa de proteção de dados pelo uso indevido de cookies.
A Shein era conhecida por vender vestidos de US$5 e calças jeans de US$10, mas foi obrigada a aumentar seus preços depois que os EUA e, posteriormente, a Europa fecharam as brechas nas leis alfandegárias.
A presidente-executiva Sky Xu afirmou no mês passado que a Shein desenvolveria mais marcas com preços mais elevados, numa tentativa de aumentar a rentabilidade.
FTC já puniu outras empresas
Não é a primeira vez que a FTC toma medidas contra varejistas online por causa de entregas: a empresa norte-americana Fashion Nova foi multada em US$9,3 milhões em 2020 por não cumprir as promessas de entrega aos clientes e por oferecer cartões-presente em vez de reembolsos.
O órgão também multou em 2023 a Hey Dude, empresa pertencente à Crocs Inc., em US$1,95 milhão por não notificar os clientes sobre atrasos na entrega e por suprimir avaliações negativas.
Shein paga US$100 milhões para encerrar investigação Empresa chinesa era inquirida nos Estados Unidos sobre atrasos na entrega e outras reclamações de clientesMundo2026-10-23T22:51:57.457ZA Shein, corporação chinesa de fast-fashion, concordou em pagar 100 milhões de dólares para encerrar uma investigação da Comissão Federal de Comércio dos Estados Unidos (FTC) sobre atrasos na entrega e outras reclamações de clientes. A informação foi obtida nesta sexta (23) através de uma fonte da Reuters com conhecimento direto do assunto. O acordo equivale a 44% do lucro do segundo trimestre da Shein e é o mais recente a atingir a varejista online de moda. A empresa enfrenta uma repressão regulatória e tributária na Europa e nos EUA, o que freou seu crescimento. A Shein afirmou em comunicado à Reuters que "chegou a um acordo construtivo com a FTC" e que mais informações serão divulgadas em breve. Um porta-voz da FTC se recusou a comentar. Em documentos apresentados em julho para seu IPO em Hong Kong, a empresa já havia alertado que a investigação dos EUA poderia resultar em multas significativas. Reclamações de clientes Segundo registros da FTC analisados pela Reuters, os consumidores registraram mais de 12.000 reclamações contra a Shein, referentes a compras que totalizaram mais de US$11 milhões entre janeiro de 2020 e junho de 2026. Parte desses problemas estão relacionados ao envio: clientes relatam à FTC e ao Better Business Bureau que nunca receberam pacotes que a Shein havia marcado como entregues e que o serviço de atendimento ao cliente da empresa não resolveu o problema. A Reuters não conseguiu verificar de forma independente o conteúdo das queixas, nem se elas foram resolvidas. Dificuldades As ações da Shein já caíram 22% desde sua estreia na bolsa em setembro deste ano, possivelmente devido ao impacto negativo causado pelas taxas de 3 euros da União Europeia sobre pacotes de comércio eletrônico de baixo valor. A União Europeia ainda pretende impor uma tarifa adicional de processamento de 2 euros a partir de 1º de novembro, o que elevará a taxa total para 5 euros por código aduaneiro individual. "A forma como essas tarifas são implementadas é especialmente prejudicial para a Shein", disse Mike Ryan, chefe de comércio eletrônico da Smarter Ecommerce, que acompanhou como a Shein reduziu seus gastos com visibilidade no Google Ads na Europa. Também está em curso uma investigação da Comissão Europeia sobre a possível presença de produtos ilegais no marketplace da varejista chinesa. No ano passado, a empresa foi multada em 150 milhões de euros pela autoridade francesa de proteção de dados pelo uso indevido de cookies. A Shein era conhecida por vender vestidos de US$5 e calças jeans de US$10, mas foi obrigada a aumentar seus preços depois que os EUA e, posteriormente, a Europa fecharam as brechas nas leis alfandegárias. A presidente-executiva Sky Xu afirmou no mês passado que a Shein desenvolveria mais marcas com preços mais elevados, numa tentativa de aumentar a rentabilidade. FTC já puniu outras empresas Não é a primeira vez que a FTC toma medidas contra varejistas online por causa de entregas: a empresa norte-americana Fashion Nova foi multada em US$9,3 milhões em 2020 por não cumprir as promessas de entrega aos clientes e por oferecer cartões-presente em vez de reembolsos. O órgão também multou em 2023 a Hey Dude, empresa pertencente à Crocs Inc., em US$1,95 milhão por não notificar os clientes sobre atrasos na entrega e por suprimir avaliações negativas.São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/mundo/shein-paga-us-100-milhoes-para-encerrar-investigacao-dos-eua