Quenianos vão às ruas contra centro dos EUA para Ebola
Projeto de envio de cidadãos dos Estados Unidos infectados pelo vírus enfrenta resistência popular e questionamentos judiciais no Quênia

Manifestantes se reuniram nesta segunda-feira (1º) no município de Nanyuki, na região central do Quênia, para protestar contra a proposta dos Estados Unidos de instalar um centro de tratamento destinado a cidadãos norte-americanos expostos ao vírus Ebola no país.
Na semana passada, o governo de Donald Trump anunciou a criação da unidade na Base Aérea de Laikipia, utilizada pelos Estados Unidos. A iniciativa foi apresentada após o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, afirmar que o país “não pode e não permitirá a entrada de quaisquer casos de Ebola nos Estados Unidos”. Paralelamente, o governo americano transferiu sete cidadãos para monitoramento na Alemanha e na República Tcheca.
Apesar de o Tribunal Superior do Quênia ter proibido o recebimento de pessoas expostas ou infectadas pelo vírus, o governo queniano manteve os planos de construir o centro de atendimento em parceria com os Estados Unidos.
O atual surto é provocado pela cepa Bundibugyo, uma variante rara do vírus Ebola para a qual ainda não existe vacina nem tratamento aprovado. Segundo relatório epidemiológico divulgado no último domingo (31) pela Organização Mundial da Saúde (OMS), a República Democrática do Congo, principal foco da doença, já registra 263 casos confirmados. O Quênia, por sua vez, não contabiliza nenhuma infecção.
Diante do avanço da epidemia, a OMS declarou emergência de saúde pública de importância internacional.
Casos suspeitos de Ebola no Brasil
A Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo informou que o paciente internado no Instituto de Infectologia Emílio Ribas, na capital paulista, testou negativo para Ebola.
O homem, de 37 anos, tinha retornado recentemente da República Democrática do Congo e procurou atendimento em uma Unidade de Pronto Atendimento com febre alta. Durante a investigação clínica, exames descartaram a suspeita de Ebola e confirmaram o diagnóstico de meningite meningocócica.
Um caso suspeito também está sob investigação no Rio de Janeiro. No domingo (30), a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) informou que os primeiros exames realizados no paciente tiveram resultado negativo para a doença. As análises de amostras de saliva e urina, conduzidas pelo Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), não identificaram a presença do vírus.
O paciente, vindo de Uganda, na África, foi admitido no Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI/Fiocruz) no fim da tarde de sábado (30). Ele foi diagnosticado com malária. O teste considerado mais importante para o diagnóstico definitivo, realizado a partir de amostra de sangue, ainda está em processamento.















