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Protestos na França mobilizam 410 mil pessoas

Manifestações foram predominantemente pacíficas durante o dia, mas houve confrontos com a polícia após o anoitecer

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André de Sena, com informações da Reuters
Manifestantes tomam as ruas de Paris nos protestos contra o alto custo de vida | Reprodução/Reuters

Manifestantes tomam as ruas de Paris nos protestos contra o alto custo de vida | Reprodução/Reuters

Protestos tomaram novamente as ruas da França neste sábado (24). Entre as reivindicações dos manifestantes estão: melhorias na educação, nos serviços públicos, diminuição do custo de vida e da desigualdade. Embora os atos tenham transcorrido pacificamente durante o dia, houve confrontos com as forças de segurança ao cair da noite.

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O Ministério do Interior informou que 410 mil pessoas participaram dos protestos por todo o país. Já em Paris o número foi de 110 mil manifestantes. Os dados do governo diferem dos cálculos feitos pelos sindicatos, segundo os quais houve 250 mil participantes somente na capital francesa.

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"Na minha opinião, o sistema de saúde está entrando em colapso. O sistema educacional está entrando em colapso. E, na verdade, esse é o próprio cerne de uma sociedade", disse a enfermeira parisiense Vanessa Ramirez.

"Nos sentimos completamente ignorados, como se não fôssemos ouvidos. Por isso, estamos aqui para protestar pacificamente, na medida do possível", afirmou o estudante Alec Viret Ramirez, de 17 anos. "E esperamos ser ouvidos e que as coisas mudem, ao menos um pouco", completou.

Confrontos

Os protestos foram predominantemente pacíficos ao longo do dia, mas manifestantes entraram em confronto com as forças de segurança ao anoitecer.

Segundo as autoridades, um grupo de aproximadamente 500 jovens encapuzados atirou pedras contra os agentes de segurança em Paris. A tropa de choque usou gás lacrimogênio e jatos d'água para dispersá-los.

Na segunda maior cidade do país, Marselha, manifestantes utilizaram grandes chapas metálicas para bloquear uma rua, atearam fogos em lixeiras e lançaram pedras e garrafas contra a polícia. Além disso, duas joalherias foram saqueadas.

Também ocorreram confrontos em cidades como Lyon, Bordeaux, Grenoble, Clermont-Ferrand, Lille, Nantes e Nice. Apesar disso, a violência foi menor do que na semana passada, graças a um forte esquema de segurança.

Mobilização das autoridades

As autoridades francesas mobilizaram 70 mil policiais e gendarmes, 10 mil a mais do que uma semana antes, após admitirem que haviam subestimado a dimensão dos distúrbios de 17 de outubro.

"Temos que ser extremamente, extremamente reativos", disse o ministro do Interior, Laurent Nunez, em entrevista a jornalistas. Ele também acusou ativistas de extrema esquerda e grupos criminosos de tentar fomentar a violência.

Entidades empresariais recomendaram que os lojistas mantivessem seus estabelecimentos fechados para evitar depredações e saques como os que ocorreram no final de semana passado.

No centro de Paris, as vitrines das lojas foram protegidas com tapumes. Além disso, mais de 20 estações de metrô permaneceram fechadas.

Várias das instituições culturais mais conhecidas da capital, incluindo o Louvre, o Museu d'Orsay e a Ópera de Paris, não abriram as portas, deixando turistas frustrados.

Críticas da esquerda

A esquerda francesa criticou a decisão do governo de limitar o número de manifestações autorizadas em diversas cidades, bem como a transferência do ato de Paris para a periferia sudeste da capital, que ocorreu de última hora.

O líder da esquerda radical, Jean-Luc Mélenchon, elogiou o que chamou de uma "magnífica demonstração de massa de disciplina coletiva e autocontenção".

Ele prevê que os protestos vão continuar até que o presidente Emmanuel Macron, cujo mandato se encerra no próximo ano, tome medidas para aumentar o estado de bem estar social na França, um dos países mais ricos do mundo, mas que enfrenta um crescimento acelerado da dívida externa.

"Dada a situação atual, acho que ele [Macron] acabará entendendo que isso vai acontecer novamente toda semana. Ainda há tempo para [o presidente] ceder. Depois disso, a única coisa que lhe restará será a porta de saída", disse Mélenchon a jornalistas.

Os protestos na França inspiram atos semelhantes que ocorrem em países como Itália e Bélgica.

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