Preços mundiais dos alimentos têm nova alta em setembro
Índice calculado pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura teve o terceiro aumento consecutivo, chegando a 136,0 pontos
A
André de Sena, com informações da Reuters
Carregamento de trigo na Ucrânia | Valentyn Ogirenko/Reuters
A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) informou nesta sexta-feira (2) que o Índice de Preços de Alimentos teve uma nova alta em setembro, chegando a uma média de 136,0 pontos, puxado por interrupções na logística e preocupações com as condições climáticas.
Para calcular o Índice de Preços de Alimentos, a FAO acompanha as variações nos valores de uma cesta de commodities alimentícias vendidas no mercado internacional. Apesar da alta em relação aos 133,3 registrados em agosto, os 136,0 pontos alcançados em setembro ainda ficam 14,84% abaixo do recorde da série histórica iniciada em 1990: 159,7 pontos atingidos em março de 2022, no mês seguinte à Rússia iniciar a guerra contra a Ucrânia, que é uma das maiores produtoras mundiais de cereais e olhos vegetais.
"Estamos observando um aumento persistente e cada vez mais generalizado nos preços globais das commodities, à medida que as interrupções no Estreito de Ormuz e no Mar Negro se combinam com choques climáticos, pressionando os setores de energia, transporte e principais commodities alimentícias", afirmou o economista-chefe da FAO, Máximo Torero.
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O resultado de setembro foi o terceiro aumento consecutivo. Um dos fatores que explicam esse cenário é a preocupação em relação ao fenômeno climático El Niño, que é caracterizado pelo aumento anormal da temperatura das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial, influenciando as condições climáticas e afetando a produção mundial de alimentos.
Esse fenômeno levanta temores em relação ao preço mundial do açúcar e provocou uma forte demanda de óleos vegetais, que apresentaram uma valorização de 0,9%, impulsionados principalmente pelo óleo de palma.
Já o índice de referência para os preços dos cereais subiu 5,1% em setembro, influenciado pelas perspectivas de produtividade reduzida para o milho cultivado nos Estados Unidos e pelas dificuldades que a guerra entre Rússia e Ucrânia traz para a comercialização de grãos no Mar Negro.
Um fator que contribui para que a alta não fosse mais acentuada foi o preço das carnes, cujo índice recuou 1,1%. Esse resultado reflete a desvalorização das aves, que está ligada em parte à redução na demanda da União Europeia provocada pela adoção de novas regras de importação.
Safra global de cereais
Em um relatório separado, a FAO manteve sua previsão para a produção global de cereais em 2026 praticamente inalterada. O resultado final esperado é de 2,979 bilhões de toneladas métricas, o que significaria uma queda de 2,1% em relação ao pico do ano anterior. No entanto, ainda assim, se trataria da segunda maior safra já registrada.
Nesse mesmo relatório, a agência reduziu sua previsão para o comércio mundial de cereais em 2026/27 em 0,7% na comparação com o mês anterior, por conta das expectativas de menor exportação de trigo e milho em meio às restrições ao transporte marítimo no Mar Negro.
Fome no Iêmen
Nessa sexta-feira (2), a FAO também fez um alerta chamando a atenção para o agravamento da fome no Iêmen. Segundo Matthew Hollingworth, diretor-executivo-adjunto do Programa Mundial de Alimentos, três em cada quatro famílias se veem obrigadas a pular refeições.
Mulheres e crianças, que fugiram dos combates entre os houthis e as forças governamentais nas regiões do litoral do Mar Vermelho, caminham perto de Aden, no Iêmen | Stringer/Reuters
O cenário é explicado pela escalada do conflito entre a Arábia Saudita, que apoia o governo iemenita reconhecido internacionalmente, e os rebeldes houthis, alinhados ao Irã.
Além de gerar implicações para as rotas marítimas do Mar Vermelho e do Estreito de Bab el-Mandeb, a guerra no Iêmen já causou o deslocamento de dezenas de milhares de pessoas. A população total das áreas controladas pelo governoiemenita é estimada em cerca de 10 milhões de habitantes.
Preços mundiais dos alimentos têm nova alta em setembroÍndice calculado pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura teve o terceiro aumento consecutivo, chegando a 136,0 pontosMundo2026-10-02T13:45:19.955ZA Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) informou nesta sexta-feira (2) que o Índice de Preços de Alimentos teve uma nova alta em setembro, chegando a uma média de 136,0 pontos, puxado por interrupções na logística e preocupações com as condições climáticas. Para calcular o Índice de Preços de Alimentos, a FAO acompanha as variações nos valores de uma cesta de commodities alimentícias vendidas no mercado internacional. , os 136,0 pontos alcançados em setembro ainda ficam 14,84% abaixo do recorde da série histórica iniciada em 1990: 159,7 pontos atingidos em março de 2022, no mês seguinte à Rússia iniciar a guerra contra a Ucrânia, que é uma das maiores produtoras mundiais de cereais e olhos vegetais. "Estamos observando um aumento persistente e cada vez mais generalizado nos preços globais das commodities, à medida que as interrupções no Estreito de Ormuz e no Mar Negro se combinam com choques climáticos, pressionando os setores de energia, transporte e principais commodities alimentícias", afirmou o economista-chefe da FAO, Máximo Torero. O resultado de setembro foi o terceiro aumento consecutivo. Um dos fatores que explicam esse cenário é a preocupação em relação ao fenômeno climático El Niño, que é caracterizado pelo aumento anormal da temperatura das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial, influenciando as condições climáticas e afetando a produção mundial de alimentos. Esse fenômeno levanta temores em relação ao preço mundial do açúcar e provocou uma forte demanda de óleos vegetais, que apresentaram uma valorização de 0,9%, impulsionados principalmente pelo óleo de palma. Já o índice de referência para os preços dos cereais subiu 5,1% em setembro, influenciado pelas perspectivas de produtividade reduzida para o milho cultivado nos Estados Unidos e pelas dificuldades que a guerra entre Rússia e Ucrânia traz para a comercialização de grãos no Mar Negro. Um fator que contribui para que a alta não fosse mais acentuada foi o preço das carnes, cujo índice recuou 1,1%. Esse resultado reflete a desvalorização das aves, que está ligada em parte à redução na demanda da União Europeia provocada pela adoção de novas regras de importação. Safra global de cereais Em um relatório separado, a FAO manteve sua previsão para a produção global de cereais em 2026 praticamente inalterada. O resultado final esperado é de 2,979 bilhões de toneladas métricas, o que significaria uma queda de 2,1% em relação ao pico do ano anterior. No entanto, ainda assim, se trataria da segunda maior safra já registrada. Nesse mesmo relatório, a agência reduziu sua previsão para o comércio mundial de cereais em 2026/27 em 0,7% na comparação com o mês anterior, por conta das expectativas de menor exportação de trigo e milho em meio às restrições ao transporte marítimo no Mar Negro. Fome no Iêmen Nessa sexta-feira (2), a FAO também fez um alerta chamando a atenção para o agravamento da fome no Iêmen. Segundo Matthew Hollingworth, diretor-executivo-adjunto do Programa Mundial de Alimentos, três em cada quatro famílias se veem obrigadas a pular refeições. O cenário é explicado pela escalada do conflito entre a Arábia Saudita, que apoia o governo iemenita reconhecido internacionalmente, e os rebeldes houthis, alinhados ao Irã. Além de gerar implicações para as rotas marítimas do Mar Vermelho e do Estreito de Bab el-Mandeb, a guerra no Iêmen já causou o deslocamento de dezenas de milhares de pessoas. A população total das áreas controladas pelo governoiemenita é estimada em cerca de 10 milhões de habitantes. São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/mundo/precos-mundiais-dos-alimentos-tem-nova-alta-em-setembro