Peru: Keiko alcança vantagem irreversível sobre Sánchez
Com 99,85% das urnas apuradas, direitista lidera com 50,11% dos votos contra 49,88% do candidato de esquerda


Candidatos Keiko Fujimori e Roberto Sánchez | Reuters
Keiko Fujimori alcançou vantagem insuperável no segundo turno da eleição presidencial no Peru. Com 99,85% das urnas apuradas até a manhã desta quarta-feira (24), a candidata de direita soma 50,11% dos votos, ante 49,88% do candidato de esquerda Roberto Sánchez.
A contagem é feita pelo Escritório Nacional de Processos Eleitorais (ONPE). Segundo o órgão, Keiko lidera a disputa em decorrência dos votos no exterior, que registram 63,20% a favor da candidata, enquanto Sanchez recebe apoio de 36,79% dos eleitores no estrangeiro. Ao todo, 99,72% das urnas foram apuradas.
Em relação aos votos dentro do território peruano, Sanchez lidera o cenário, com 50,10% dos votos, ante 49,89% de Keiko.
A eleição ocorre em meio a uma das mais profundas crises políticas da história recente do Peru. Nos últimos 10 anos, o país teve oito presidentes, reflexo de sucessivos confrontos entre Executivo e Legislativo, denúncias de corrupção e dificuldades para garantir estabilidade institucional.
A disputa entre os candidatos simboliza caminhos opostos na política peruana. De um lado, Keiko defende pautas de direita e centro-direita, como o incentivo ao mercado privado e políticas duras contra a criminalidade. Ela é conhecida por defender o legado do pai, o ex-ditador Alberto Fujimori, que comandou o Peru nos anos 1990 e posteriormente foi condenado por corrupção e violações de direitos humanos.
Já Sánchez, ligado a setores da esquerda peruana, defende uma plataforma de reformulação do Estado peruano, focada na redução das desigualdades, na industrialização do país e no fortalecimento da soberania e da democracia social. Ele também mantém vínculos com grupos ligados ao ex-presidente Pedro Castillo, destituído e preso após tentar dissolver o Congresso em 2022.
Sánchez convoca protestos
Na terça-feira (23), Sánchez afirmou que não irá reconhecer o resultado do segundo turno das eleições, sob alegação de fraude. Ele acusou a campanha da adversária e a ONPE de irregularidades, especialmente em votos emitidos no exterior, que favoreceram Keiko.
“Acreditamos que houve manipulação dos votos. Não reconhecemos o governo de Fujimori”, disse Sánchez, em coletiva de imprensa. Na declaração, o candidato convocou apoiadores para novas manifestações, previstas para sábado (27).















