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ONU critica acordo da COP29 para combater mudanças climáticas: "Esperava resultado mais ambicioso"

Países fecharam cifra de US$ 300 bilhões por ano, valor bem abaixo do US$ 1,3 trilhão pedido por nações em desenvolvimento, como Brasil

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Felipe Moraes
24/11/2024, 12:41 • Atualizado em 24/11/2024, 12:48
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António Guterres na COP29 | Divulgação/ONU/Kiara Worth

António Guterres na COP29 | Divulgação/ONU/Kiara Worth

O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, criticou acordo da COP29 que fechou investimento de US$ 300 bilhões por ano no combate a mudanças climáticas. Países em desenvolvimento, como o Brasil, pleiteavam um valor bem maior, de US$ 1,3 trilhão anual. Mesmo assim, o português disse acreditar que a decisão firmada após atraso e impasse na conferência em Baku, no Azerbaijão, possibilita uma base para avanços futuros.

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"Um acordo na COP29 era absolutamente essencial para mantermos o limite de 1,5ºC [de aquecimento] vivo. E os países entregaram isso", disse Guterres, em comunicado oficial. "Esperava um resultado mais ambicioso — tanto financeiro quanto na mitigação — para abordar o grande desafio que enfrentamos. Mas esse acordo fornece uma base sobre a qual podemos construir", completou.

Acordo deve ser "honrado por completo e a tempo", pede Guterres

Guterres pediu que o acordo seja "honrado por completo e a tempo". "Compromissos devem rapidamente virar dinheiro. Todos os países devem se juntar para garantir que esse objetivo seja cumprido", continuou, reforçando que "financiamento é a prioridade número um".

O chefe da ONU ainda declarou que a COP29 veio no fim "de um ano brutal". "Marcado por recordes de temperatura e desastre climático, tudo isso enquanto emissões continuam crescendo", disse, citando gases do efeito estufa, responsáveis pelo aquecimento global.

Ele ainda alertou que países em desenvolvimento, "mergulhados em dívidas, atingidos por desastres e deixados para trás na revolução da energia renovável, estão desesperadamente precisando de fundos".

"Foi uma negociação complexa em um cenário geopolítico incerto e dividido", admitiu. "Cumprimento todos que trabalharam duro para construir consenso. Vocês mostraram que multilateralismo — centrado no Acordo de Paris — pode encontrar um caminho em meio às questões mais difíceis. Apelo aos governos que tratem esse acordo como uma fundação — e construam algo sobre ela", explicou.

ONU: países que mais emitem gases do efeito estufa precisam liderar mudança

Guterres falou em duas prioridades para os países no combate à crise climática. Primeiro, devem cumprir as Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs, na sigla em inglês), metas de cada nação para redução de emissão de gases do efeito estufa.

"Os países do G20, os que mais emitem, precisam liderar", pediu, refirmando a necessidade de transição energética e alertando para o fim inevitável da economia baseada em combustíveis fósseis. Em segundo lugar, pediu que países entreguem resultados do Pacto para o Futuro, acordado na Cúpula do Futuro, realizada pela ONU em setembro.

"Particularmente em ações efetivas nas dívidas, aumentando concessão de financiamentos e melhorando acesso. E, substancialmente, ampliando capacidade de empréstimo dos Bancos Multilaterais de Desenvolvimento [MDBs, na sigla em inglês], com recapitalização adequada" , apontou.

No fim do comunicado, Guterres elogiou "delegações, jovens e representantes da sociedade civil que vieram a Baku para pressionar as partes por máxima ambição e justiça".

"Continuem assim", disse o chefe da ONU. "As Nações Unidas estão com vocês. Nossa luta continua. E nunca vamos desistir", finalizou.

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