ONG acusa Israel de intensificar processo de limpeza étnica no norte da Faixa de Gaza
Segundo a Oxfam, exército israelense bloqueia há 50 dias a entrega de ajuda humanitária essencial para milhares de palestinos na região
S
SBT News
Deslocados se amontoam no norte da Faixa de Gaza para receber alimento em meio a crise humanitária | OMS
A organização não governamental Oxfam afirmou que Israel está nas "etapas finais de um processo de limpeza étnica no norte da Faixa de Gaza". Em um comunicado divulgado nesta quarta-feira (27), a entidade acusa o exército israelense de bloquear sistematicamente há 50 dias a entrega de ajuda humanitária essencial para milhares de pessoas na região.
Acompanhe o SBT News nas TVs por assinatura Claro (586), Vivo (576), Sky (580) e Oi (175), via streaming pelo +SBT, Site e YouTube, além dos canais nas Smart TVs Samsung e LG.
"Nossa equipe em Gaza tenta, há quase dois meses, alcançar civis famintos, mas é impedida pelo bloqueio militar. Muitas crianças estão presas e podem morrer de fome", relatou o diretor-executivo da Oxfam Internacional, Amitabh Behar. Segundo ele, Israel age "com total impunidade" ao ignorar normas do direito internacional, ao mesmo tempo que consolida uma presença militar permanente na região.
A organização aponta ainda que a ONU confirmou que não houve missões alimentares completas para o norte de Gaza desde 6 de outubro, quando Israel intensificou o cerco. Segundo a Oxfam, todas as cozinhas e padarias estão fechadas e o trabalho de assistência nutricional foi suspenso, incluindo os programas de apoio à desnutrição infantil e para mulheres grávidas e lactantes.
De acordo com último boletim do Escritório de Assuntos Humanitário das Nações Unidas (Ocha), a ONU tentou levar ajuda humanitária 41 vezes para o norte de Gaza entre 1º e 25 de novembro, 37 missões foram negadas previamente.
“O norte está isolado – Jabalia, Beit Lahia, Beit Hanoun – há apenas caos, confusão, fome e morte. No norte, ninguém pode ajudar essas pessoas – ninguém – sem comida, sem eletricidade, só há fome. É horrível pensar nisso.”, afirmou um funcionário da organização.
O parceiro da Oxfam, Juzoor, também relatou dificuldades para manter a assistência na região. A organização perdeu dez funcionários devido aos bombardeios. A situação no sul de Gaza, para onde 100 mil pessoas foram deslocadas à força, não é muito melhor, com superlotação e condições semelhantes à fome.
“Não há mercado na cidade de Gaza. Também estamos em condições semelhantes à fome aqui. Na semana passada, recebemos 280 pacotes de alimentos e esperamos entregá-los esta semana. As pessoas que foram deslocadas do norte estão em um estado realmente alarmante. Enquanto isso, a parte sul de Gaza parece um país completamente separado de nós.”, afirmou outro membro da organização
Em toda Gaza, incluindo o sul, uma média de 37 caminhões de ajuda entraram por dia em outubro e 69 caminhões por dia na primeira semana de novembro. Antes de 7 de outubro, 500 caminhões de ajuda e itens comerciais cruzavam a fronteira para Gaza diariamente.
ONG acusa Israel de intensificar processo de limpeza étnica no norte da Faixa de Gaza Segundo a Oxfam, exército israelense bloqueia há 50 dias a entrega de ajuda humanitária essencial para milhares de palestinos na regiãoMundo2024-11-27T20:00:48.386ZA organização não governamental Oxfam afirmou que Israel está nas "etapas finais de um processo de limpeza étnica no norte da Faixa de Gaza". Em um comunicado divulgado nesta quarta-feira (27), a entidade acusa o exército israelense de bloquear sistematicamente há 50 dias a entrega de ajuda humanitária essencial para milhares de pessoas na região. "Nossa equipe em Gaza tenta, há quase dois meses, alcançar civis famintos, mas é impedida pelo bloqueio militar. Muitas crianças estão presas e podem morrer de fome", relatou o diretor-executivo da Oxfam Internacional, Amitabh Behar. Segundo ele, Israel age "com total impunidade" ao ignorar normas do direito internacional, ao mesmo tempo que consolida uma presença militar permanente na região. A organização aponta ainda que a ONU confirmou que não houve missões alimentares completas para o norte de Gaza desde 6 de outubro, quando Israel intensificou o cerco. Segundo a Oxfam, todas as cozinhas e padarias estão fechadas e o trabalho de assistência nutricional foi suspenso, incluindo os programas de apoio à desnutrição infantil e para mulheres grávidas e lactantes. De acordo com último boletim do Escritório de Assuntos Humanitário das Nações Unidas (Ocha), a ONU tentou levar ajuda humanitária 41 vezes para o norte de Gaza entre 1º e 25 de novembro, 37 missões foram negadas previamente. “O norte está isolado – Jabalia, Beit Lahia, Beit Hanoun – há apenas caos, confusão, fome e morte. No norte, ninguém pode ajudar essas pessoas – ninguém – sem comida, sem eletricidade, só há fome. É horrível pensar nisso.”, afirmou um funcionário da organização. O parceiro da Oxfam, Juzoor, também relatou dificuldades para manter a assistência na região. A organização perdeu dez funcionários devido aos bombardeios. A situação no sul de Gaza, para onde 100 mil pessoas foram deslocadas à força, não é muito melhor, com superlotação e condições semelhantes à fome. “Não há mercado na cidade de Gaza. Também estamos em condições semelhantes à fome aqui. Na semana passada, recebemos 280 pacotes de alimentos e esperamos entregá-los esta semana. As pessoas que foram deslocadas do norte estão em um estado realmente alarmante. Enquanto isso, a parte sul de Gaza parece um país completamente separado de nós.”, afirmou outro membro da organização Em toda Gaza, incluindo o sul, uma média de 37 caminhões de ajuda entraram por dia em outubro e 69 caminhões por dia na primeira semana de novembro. Antes de 7 de outubro, 500 caminhões de ajuda e itens comerciais cruzavam a fronteira para Gaza diariamente.São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/mundo/ong-acusa-israel-de-intensificar-processo-de-limpeza-etnica-no-norte-da-faixa-de-gaza