ONU inicia resgate de 11 mil marinheiros retidos em Ormuz
Após acordo entre Estados Unidos e Irã, agência da ONU anuncia megaoperação para retirar os navios barrados na região


OMI inicia retirada de 11 mil marinheiros no Estreito de Ormuz. | Divulgação/OMI
A Organização Marítima Internacional (OMI), da agência especializada das Nações Unidas (ONU), anunciou nesta terça-feira (23) o início de uma megaoperação para retirar mais de 11 mil marinheiros que permanecem retidos na região do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas comerciais do mundo. Os navios comerciais estão barrados no Golfo Pérsico devido ao bloqueio e aos riscos de navegação em Ormuz por causa do conflito.
A medida foi confirmada após a assinatura de um memorando de entendimento entre os governos do Irã e dos Estados Unidos. A guerra começou em 28 de fevereiro, quando Israel e os EUA lançaram ataques conjuntos contra o território iraniano.
Os marinheiros estão retidos há quase 100 dias na região. Em comunicado, o secretário-geral da OMI, Arsenio Dominguez, disse que a operação de evacuação será realizada "em larga escala" em cooperação com o Irã, Omã, outros países costeiros da região, os Estados Unidos e representantes da indústria marítima.
"Garantimos as medidas de segurança necessárias e verificamos minuciosamente as condições para uma navegação segura, de forma a apoiar estas operações", destacou.
O plano de evacuação elaborado pela OMI e discutido há meses será executado em etapas para reduzir os riscos à navegação. Em comunicado separado, o Ministério da Defesa de Omã informou que a retirada das embarcações ocorrerá de forma gradual devido às condições de segurança na região. "Dado o elevado risco de colisão no ambiente atual, é necessária uma evacuação gradual e controlada do tráfego de embarcações", afirmou.
Segundo o governo omanita, o Esquema de Separação de Tráfego, sistema utilizado para organizar a circulação de navios no Estreito de Ormuz, não oferece condições seguras para operação neste momento. Como alternativa, serão utilizadas duas rotas temporárias, ao norte e ao sul da via principal, para permitir a saída das embarcações.
"Os navios serão contatados individualmente e informados sobre o dia de trânsito alocado pelas partes coordenadas pela OMI", diz o comunicado.
Ainda no anúncio da OMI, Dominguez também prestou homenagem aos 14 marítimos que perderam a vida durante o período de conflito: "Sua dedicação ao serviço do comércio global não será esquecida", pontuou.
O secretário-geral afirmou ainda que o acordo EUA-Irã representa um passo decisivo para a retomada da segurança marítima após meses de tensão que afetaram tripulações e o transporte internacional de cargas.
"Após meses de dificuldades e sofrimento para milhares de marinheiros inocentes e impactos negativos para o mundo inteiro, saúdo com profunda satisfação o acordo de paz concluído entre os Estados Unidos e o Irã, que representa um passo decisivo para a restauração da segurança marítima e o fim dos ataques inaceitáveis contra a navegação civil", disse no texto.














