Na Argentina, Câmara desidrata pacote de reformas de Milei
Dos 664 artigos iniciais, apenas a metade continuou de pé, após um acordo com partidos de oposição
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Márcio Resende
02/02/2024, 23:39 • Atualizado em 03/02/2024, 11:20
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Presidente da Argentina, Javier Milei. Foto: Divulgação/Presidência da Argentina
Após três dias de debates, a Câmara argentina aprovou, em linhas gerais, uma versão reduzida do pacote de reformas proposto pelo governo de Javier Milei. Antes de o texto seguir para o Senado, os deputados ainda vão discutir cada um dos artigos, a partir da próxima terça-feira.
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A aprovação, em geral, foi sobre o que restou do pacote proposto para, de acordo com o governo, modernizar o Estado e desregulamentar a economia argentina.
Dos 664 artigos iniciais, apenas a metade continuou de pé, após um acordo com partidos de oposição para viabilizar a vitória parcial de Milei. Muitos pontos do texto ainda podem ser modificados.
Foram retirados capítulos inteiros, como o fiscal - que aumentava impostos - e o político, que alterava regras eleitorais.
O presidente argentino queria privatizar 41 estatais com foco na petrolífera YPF, na companhia aérea Aerolíneas Argentinas e no serviço postal. Da lista, a petrolífera já foi retirada e outras três estatais estratégicas só poderão ser privatizadas parcialmente.
Protestos
Do lado de fora do Congresso, organizações sociais e movimentos políticos de esquerda protestaram e acabaram entrando em confronto com as forças de segurança durante os três dias de debates.
Sete agentes e dezenas de manifestantes ficaram feridos. Oito foram presos. O grupo tentou bloquear as ruas ao redor do Parlamento, mas interromper o trânsito tornou-se uma proibição desde que Milei chegou à presidência. Só é permitido protestar em praças, esplanadas e calçadas.
Superpoderes ao presidente
Além das privatizações de estatais, outros pontos de maior relutância entre os opositores são a possibilidade de o governo emitir dívida externa sem a aprovação do Congresso e a concessão de poder do Legislativo ao Executivo.
Para governar sem precisar do Congresso, Milei queria uma espécie de "superpoderes" em onze áreas. Aceitou diminuir a seis, mas a oposição ainda resiste em algumas matérias, como tarifas públicas e segurança.
Esse tipo de concessão não é uma novidade na Argentina. O congresso já transferiu "superpoderes" aos ex-presidentes peronistas Néstor Kirchner, Cristina Kirchner e Alberto Fernández. Desta vez, a resistência da oposição foi tão grande que fez com que esta sessão entrasse para a história como a mais longa da Câmara dos Deputados.
E os debates ainda não terminaram. Depois da aprovação em geral, começam as discussões sobre cada artigo, em particular. só então, o pacote - já bastante desidratado - seguirá ao Senado.
Na Argentina, Câmara desidrata pacote de reformas de MileiDos 664 artigos iniciais, apenas a metade continuou de pé, após um acordo com partidos de oposiçãoMundo2024-02-02T23:39:15.489ZApós três dias de debates, a Câmara argentina aprovou, em linhas gerais, uma versão reduzida do pacote de reformas proposto pelo governo de Javier Milei. Antes de o texto seguir para o Senado, os deputados ainda vão discutir cada um dos artigos, a partir da próxima terça-feira. A aprovação, em geral, foi sobre o que restou do pacote proposto para, de acordo com o governo, modernizar o Estado e desregulamentar a economia argentina. Dos 664 artigos iniciais, apenas a metade continuou de pé, após um acordo com partidos de oposição para viabilizar a vitória parcial de Milei. Muitos pontos do texto ainda podem ser modificados. Foram retirados capítulos inteiros, como o fiscal - que aumentava impostos - e o político, que alterava regras eleitorais. O presidente argentino queria privatizar 41 estatais com foco na petrolífera YPF, na companhia aérea Aerolíneas Argentinas e no serviço postal. Da lista, a petrolífera já foi retirada e outras três estatais estratégicas só poderão ser privatizadas parcialmente. Protestos Do lado de fora do Congresso, organizações sociais e movimentos políticos de esquerda protestaram e acabaram entrando em confronto com as forças de segurança durante os três dias de debates. Sete agentes e dezenas de manifestantes ficaram feridos. Oito foram presos. O grupo tentou bloquear as ruas ao redor do Parlamento, mas interromper o trânsito tornou-se uma proibição desde que Milei chegou à presidência. Só é permitido protestar em praças, esplanadas e calçadas. Superpoderes ao presidente Além das privatizações de estatais, outros pontos de maior relutância entre os opositores são a possibilidade de o governo emitir dívida externa sem a aprovação do Congresso e a concessão de poder do Legislativo ao Executivo. Para governar sem precisar do Congresso, Milei queria uma espécie de "superpoderes" em onze áreas. Aceitou diminuir a seis, mas a oposição ainda resiste em algumas matérias, como tarifas públicas e segurança. Esse tipo de concessão não é uma novidade na Argentina. O congresso já transferiu "superpoderes" aos ex-presidentes peronistas Néstor Kirchner, Cristina Kirchner e Alberto Fernández. Desta vez, a resistência da oposição foi tão grande que fez com que esta sessão entrasse para a história como a mais longa da Câmara dos Deputados. E os debates ainda não terminaram. Depois da aprovação em geral, começam as discussões sobre cada artigo, em particular. só então, o pacote - já bastante desidratado - seguirá ao Senado. São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/mundo/na-argentina-camara-aprova-pacote-de-milei-desidratado
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