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Moscou usa suposto acordo, vantajoso para Rússia, para influenciar negociação de paz

Kremlin sugere que Putin e Trump haviam chegado a acordo sobre territórios ucranianos no ano passado

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Renato Machado
Rússia invadiu a Ucrânia em fevereiro de 2022 | Reprodução

Rússia invadiu a Ucrânia em fevereiro de 2022 | Reprodução

Autoridades russas passaram a utilizar nos últimos dias a expressão "fórmula de Anchorage", como uma estrutura existente de acordo para encerrar a guerra entre Rússia e Ucrânia.

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A fala se refere a uma suposta base com pontos extremamente vantajosos para Moscou, que teriam sido acertados durante encontro entre Vladimir Putin e Donald Trump em Anchorage, no Alasca, em agosto do ano passado.

O porta-voz do Kremlin, Dmitry Preskov, disse nesta segunda-feira (9) que americanos e russos iriam seguir trabalhando para implementar esses princípios, que poderiam destravar o processo de paz.

"Essa lista de entendimentos que foi alcançada em Anchorage é fundamental. São esses entendimentos que podem fazer avançar o processo [de paz]", disse o porta-voz, segunda a agência de notícias russas, TASS.

Preskov depois afirmou que não iria dar detalhes, argumentando que é preferível que as discussões se dêem de forma fechada e n?o por meio de uma "diplomacia do megafone".

Dias depois foi a vez do chanceler russo Serguei Lavrov afirmar que os Estados Unidos estariam traindo os princípios estabelecidos no encontro de Anchorage.

Apesar de não detalhar o que seria a fórmula de Anchorage, o lado russo sugere que haveria um entendimento com os americanos sobre as questões territoriais, que configuram o principal entrave para o fim da guerra, que já dura quatro anos. A Rússia almeja controlar totalmente Luhansk e a província de Donetsk, mesmo a parte do enclave que não foi conquistada no campo de batalha.

No entanto, Donald Trump e Vladimir Putin deixaram o Alasca sem chegar a nenhum acordo, que levasse a um cessar-fogo. "A gente não chegou lá", disse Trump, logo após deixar o encontro. "Não tem acordo até que haja um acordo", completou.

Além disso, o encontro não contou com a presença de Volodymir Zelensky e nem de nenhum representante ucraniano. O próprio presidente da Ucrânia tem dito que ele não pode envolver cessão de territórios nas negociações, porque a constituição do país exige a realização de um referendo para isso. Uma negociação dessas sem ucranianos tem ainda menos legitimidade.

Um sinal de que as conversas em Anchorage podem não ter evoluído é a imposição de sanções contra as duas gigantes petroleiras russas, Rosneft e Lukoil, dois meses após o encontro no Alasca.

"Hoje, o Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros [da sigla em inglês OFAC] está impondo novas sanções como resultado da falta de compromisso sério da Rússia com o processo para encerrar a guerra na Ucrânia", informou o Departamento do Tesouro, em outubro do ano passado.

No fim do ano passado, o governo Trump apresentou um plano com 28 pontos para encerrar a guerra, totalmente favorável a Moscou, incluindo as demandas territoriais. A expressão princípio de Anchorage então surgiu e passou desde então a ser cada vez mais usada pelas autoridades russas.

Mas a reação de Kiev e de seus aliados europeus ao plano praticamente o enterrou. Agora ucranianos, russos e americanos realizam negociações trilaterais. Russos seguem os únicos a falarem na fórmula de Anchorage. Mas, os Estados Unidos, que poderiam desmentir ou confirmar o entendimento, silenciam sobre a questão.

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