Morre o pintor britânico David Hockney, aos 88 anos
Um dos maiores nomes da pop art, o artista ficou conhecido por pinturas de piscinas e paisagens ensolaradas da Califórnia



Morre o pintor britânico David Hockney, aos 88 anos | Reprodução Reuters
O artista britânico David Hockney, conhecido por suas pinturas coloridas da Califórnia, morreu na quinta-feira (10). A informação foi divulgada pela Sky News, com base no assessor de imprensa do artista. Ele tinha 88 anos. A causa da morte não foi divulgada.
No início da carreira, Hockney também era reconhecido pela própria imagem: óculos de armação grossa, cabelo platinado e jaqueta dourada brilhante, que virou um símbolo da chamada Swinging London, nos anos 60.
Enquanto estudava arte em Bradford, no norte da Inglaterra, onde nasceu, filho de um contador e de uma mãe metodista, ele já mostrava um espírito rebelde. Dava nomes provocativos a suas pinturas abstratas, como “Vou ser uma rainha esta noite” e “Menino Boneca”, em uma época em que a homossexualidade ainda podia levar à prisão.
Em 1959, mudou-se para Londres, onde rapidamente ganhou espaço no movimento da pop art britânica e conviveu com nomes como o dançarino Rudolf Nureyev e o músico Mick Jagger. Mesmo em ascensão no Reino Unido, Hockney queria conhecer a arte dos Estados Unidos. Em 1961, usou o dinheiro da venda de suas obras para viajar a Nova York, onde fez amizade com Andy Warhol. Três anos depois, mudou-se para a Califórnia.
Foi lá que criou algumas de suas imagens mais conhecidas: piscinas, cenas ensolaradas e homens no chuveiro. Essas obras ajudaram a marcar seu estilo, feito com cores fortes e tinta acrílica. No fim dos anos 60 e 70, ele dividiu seu tempo entre Los Angeles, Londres e Paris.

Alguns críticos consideraram seu trabalho leve demais, por retratar temas como amor, sexo e riqueza. Ainda assim, Hockney se tornou um dos artistas britânicos mais reconhecidos do século XX.
No fim dos anos 1990, ele passou a visitar com mais frequência sua mãe em Yorkshire, região onde cresceu, e foi incentivado por um amigo doente a pintar as paisagens locais.
Mais tarde, já se sentindo mais solitário, deixou a Califórnia e se mudou para a cidade de Bridlington, na costa do Mar do Norte, na Inglaterra. Lá, passou cerca de dez anos pintando árvores no inverno, campos e estradas que atravessam as colinas de Yorkshire.
Esse foi um dos períodos mais produtivos da carreira, com obras que buscavam mostrar como a paisagem muda ao longo das estações.
Hockney, um dos grandes nomes da arte britânica, nunca parou de experimentar. Usou fax para enviar trabalhos e depois passou a criar arte em iPads. Suas obras em Yorkshire também levaram à criação de um vitral na Abadia de Westminster, em Londres.
Em 2018, ele comprou uma casa no interior da Normandia, na França, e voltou a pintar cenas do campo e do jardim.
Mesmo nos últimos anos, manteve uma rotina intensa de trabalho, marcada desde a juventude, quando passou dois anos trabalhando em hospitais após se recusar a cumprir o serviço militar obrigatório.















