Na Espanha, Lula volta a defender regulação global de plataformas e a criticar inação da ONU
Presidente discursou em fórum sobre a democracia em Barcelona

SBT News
No 4ª encontro do Fórum em Defesa da Democracia, em Barcelona, na Espanha, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a criticar neste sábado (18) a Organização das Nações Unidas (ONU) pela incapacidade de impedir conflitos globais, como o que ocorre entre os Estados Unidos e o Irã desde o final de fevereiro.
Lula disse que os cinco países com poder de veto no Conselho de Segurança viraram "senhores da guerra" e iniciam conflitos a despeito da ONU, que considera ter perdido sua função primordial. Diante da inação do principal organismo multilateral do mundo, Lula defendeu a importância de fóruns como o realizado em Barcelona para articular pautas de interesse global, como a regulação de plataformas de rede social.
Como já havia feito na sexta (17), o petista citou a aprovação do ECA Digital como um marco brasileiro sobre redes sociais que, em sua opinião, tem “pouco de social e muito de ódio, promiscuidade, sexo e jogatina”.
“Controlar as plataformas digitais e impor regras democráticas é uma questão mundial, e não de um país ou de outro. No Brasil nós estamos fazendo a nossa parte, porque a verdade nua e crua é que a mentira ganhou da verdade, esse é o dado concreto. Para mentir você não tem que se explicar, e para se justificar você tem e muitas vezes não consegue”, afirmou.
Lula brincou que o fórum, que reúne chefes de Estado e de governo de países como Espanha, México, Uruguai, Colômbia e África do Sul, não é uma nova versão da Internacional Socialista, mas um espaço para que os integrantes discutam avanços democráticos a partir do próprio exemplo interno.
Nesse sentido, o petista lamentou o esvaziamento da Unasul, bloco regional criado em 2008 sob a liderança de Lula e dos então presidentes da Argentina, Néstor Kirchner, e da Venezuela, Hugo Chávez.
Para ele, o bloco não se institucionalizou porque foi abandonado posteriormente por presidentes com diferentes ideologias que assumiram o país. Um dos líderes presentes no encontro foi Gabriel Boric, agora ex-presidente do Chile, substituído por José António Kast, que não fez questão de comparecer ao fórum.
O evento contou com a fala de aproximadamente 20 líderes. A organização ficou por conta do primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez. Criado em 2024, o encontro tem buscado reunir lideranças progressistas para se contrapor ao avanço da extrema-direita no mundo.
Trump e Cuba
Lula voltou a se dizer incomodado com a “volta dos imperadores ao mundo” e demonstrou preocupação com a situação de Cuba. A ilha tem sido citada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, como o próximo alvo de uma intervenção militar americana, como já aconteceu na Venezuela no início do ano com a captura de Nicolás Maduro. “Não podemos acordar todo dia de manhã e dormir todo dia à noite com um Twitter de um presidente da República ameaçando o mundo", disse Lula.
“Cuba tem problema, mas é um problema dos cubanos. Não é um problema do Lula, da Cláudia [Sheinbaum, presidente do México] ou do Trump. Pare com esse maldito bloqueio a Cuba e deixa os cubanos viver a vida deles. Não é possível que nós fiquemos quietos diante disso, gente", afirmou.









