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Justiça dos EUA barra deportação de estudante turca sem ordem judicial

Jovem foi levada por agentes federais mascarados sob acusação de ligação com o grupo Hamas; defesa nega

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Câmera de segurança gravaram o momento da prisão da estudante turca | Reprodução AP News

A estudante turca Rumeysa Ozturk, de 30 anos, detida esta semana nos Estados Unidos por agentes do Departamento de Segurança Interna (DHS), não pode ser deportada para a Turquia sem uma ordem judicial, decidiu uma juíza federal em Massachusetts na sexta-feira (29).

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Na semana anterior, a gestão Trump decidiu manter o envio de deportados para prisões em El Salvador mesmo após decisão judicial contrária à medida.

A prisão da jovem, que cursa doutorado na universidade e tinha um visto válido de estudante, aconteceu terça-feira (25). A autoridades norte-americanas dizem que ela teria ligação como grupo Hamas, organização classificada como terrorista pelo governo local.

Rumeysa foi abordada por agentes encapuzados em frente de onde morava, na cidade de Somerville, de acordo com sua advogada, Mahsa Khanbabai. Ela ia a um jantar com colegas muçulmanos em celebração ao término do jejum diário do Ramadã.

Segundo a defesa, nenhuma acusação foi formalizada contra Rumeysa". Um vídeo obtido pela agência de notícias Associated Press mostra seis pessoas, tirando o telefone da estudante turca enquanto ela grita e é algemada. "Nós somos a polícia", diz um dos agentes nas imagens captadas. Na gravação, um homem questiona o procedimento, uma vez que cinco dos seis agentes estão com os rostos cobertos.

Após a prisão, Rumeysa foi transferida para um centro de detenção do Serviço de Imigração e Fiscalização Aduaneira (ICE) em Basile, Louisiana, antes que seus advogados conseguissem garantir uma ordem judicial bloqueando a transferência. Na sexta-feira (28), a juíza do Tribunal Distrital dos EUA Denise Casper deu ao governo até a noite de terça-feira (1º) para responder à queixa apresentada pelos advogados da estudante.

Ofensiva contra apoiadores da causa palestina

Rumeysa é uma das várias pessoas ligadas a universidades americanas que participaram de manifestações ou expressaram publicamente apoio aos palestinos durante a guerra em Gaza, e que recentemente tiveram seus vistos revogados ou foram impedidas de entrar nos EUA.

Um porta-voz do Departamento de Segurança Interna (DHS) confirmou a detenção da jovem e a revogação de seu visto, dizendo que investigações revelaram que ela se envolveu em atividades de apoio ao Hamas, um grupo considerado terrorista pelos EUA. O departamento não forneceu evidências desse apoio.

A estudante turca foi uma das autoras, no ano passado, de um artigo pedindo que a universidade "reconhecesse o genocídio palestino", mas, segundo colegas, nunca esteve envolvida diretamente em protestos contra o governo de Israel.

* As informações são da Associated Press

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