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Irã analisa proposta dos EUA para fim da guerra, apesar de resposta inicial negativa, diz alto funcionário iraniano

Trump havia enviado proposta com 15 pontos para cessar-fogo; Irã disse que não há como confiar no norte-americano, que está "perdendo a guerra"

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Edifícios atingidos por ataques israelenses no Líbano | Amr Abdallah Dalsh/Reuters
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O Irã ainda está analisando uma proposta dos EUA para encerrar a guerra no Golfo, apesar de uma resposta inicial negativa, disse à Reuters nesta quarta-feira (25) um alto funcionário iraniano, indicando que Teerã até agora não a rejeitou completamente.

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Publicamente, autoridades iranianas demonstraram profundo desprezo pela possibilidade de qualquer negociação com o governo do presidente norte-americano Donald Trump. No entanto, um aparente atraso na apresentação de uma resposta formal ao Paquistão, que enviou uma proposta de 15 pontos em nome de Washington, pareceu indicar que pelo menos algumas autoridades em Teerã poderiam estar considerando a possibilidade.

Um alto funcionário de segurança paquistanês disse que o Paquistão entrou em contato com o ministro das Relações Exteriores do Irã e ainda aguarda uma resposta formal.

Uma segunda fonte paquistanesa disse: "Os iranianos nos disseram que entrariam em contato conosco. A mídia está noticiando que eles disseram que não. Mas não recebemos nenhuma confirmação oficial do Irã. Então, estamos apenas aguardando. Eles estão todos na clandestinidade e a comunicação é um grande desafio."

Outro alto funcionário iraniano havia confirmado anteriormente que Teerã havia recebido uma proposta e disse que as negociações, caso prosseguissem, poderiam ser realizadas no Paquistão ou na Turquia.

Tropas do Pentágono

Os preços do petróleo caíram e as ações recuperaram parte das perdas após relatos de que Washington havia enviado o plano de 15 pontos ao Irã, com os investidores na expectativa de um fim para a guerra, que já matou milhares de pessoas e interrompeu o fornecimento global de energia.

Um alto funcionário da segurança paquistanesa afirmou que a inteligência do Paquistão entregou a proposta dos EUA ao Irã, e que o Ministro das Relações Exteriores, Ishaq Dar, deu seguimento ao assunto junto ao Ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araqchi.

Até o momento, não houve resposta dos iranianos, nem datas ou locais confirmados para as negociações, disse o funcionário paquistanês.

Três fontes do gabinete israelense afirmaram que o gabinete de segurança do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu foi informado sobre a proposta dos EUA. Segundo elas, os termos da proposta incluem a remoção dos estoques de urânio altamente enriquecido do Irã, a suspensão do enriquecimento, a restrição do programa de mísseis balísticos e o fim do financiamento a aliados regionais.

Enquanto isso, o Pentágono planeja enviar milhares de tropas aerotransportadas para o Golfo para dar a Trump mais opções para ordenar um ataque terrestre, disseram fontes à Reuters, somando-se a dois contingentes de fuzileiros navais que já estão a caminho.

Turquia

O Paquistão ofereceu-se para sediar negociações com a presença de altos funcionários dos EUA já nesta semana. Um alto funcionário do partido governista na Turquia, Harun Armagan, disse que Ancara também estava "desempenhando um papel na transmissão de mensagens" entre o Irã e os EUA.

Mas até agora não houve reconhecimento público por parte do Irã de que esteja disposto a negociar, e suas afirmações de que não o fará têm se tornado cada vez mais ácidas.

"O nível da sua luta interna chegou ao ponto de você negociar consigo mesmo?", provocou Ebrahim Zolfaqari, principal porta-voz do comando militar conjunto do Irã, em comentários feitos à TV estatal iraniana.

"Negociando sozinhos"

Após a proposta de cessar-fogo, o Irã disse que Trump e os EUA estavam "negociando sozinhos". Em pronunciamento televisionado na terça-feira (24), o tenente-coronel Ebrahim Zolfaghari, um dos porta-vozes militares iranianos, afirmou que o poder estratégico dos Estados Unidos se transformou em “fracasso”.

“Aquele que se diz uma superpotência global já teria saído dessa confusão se pudesse. Não disfarce sua derrota como um acordo. Sua era de promessas vazias chegou ao fim”, disse Zolfaghari, dirigindo-se ao presidente Donald Trump. “Nossa primeira e última palavra foram as mesmas, e assim continuará: Alguém como nós nunca vai aceitar alguém como você. Nem agora, nem nunca", acrescentou o militar.

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Beghaei, em aparição na televisão na Índia, disse que as negociações nucleares já estavam em andamento quando Trump atacou. Ele chamou isso de "uma traição à diplomacia" que provou que novas negociações eram inúteis.

"Não há conversas nem negociações entre o Irã e os Estados Unidos", disse ele. "Ninguém pode confiar na diplomacia dos Estados Unidos."

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