Intercâmbio entre Brasil e Rússia está aquém do potencial das duas economias, diz Alckmin
Vice-presidente recebeu delegação russa para reunião de alto nível no Itamaraty; líderes defenderam paz na América Latina e fortalecimento da ONU


Hariane Bittencourt
O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin (PSB), afirmou nesta quinta-feira (5) que o intercâmbio entre Brasil e Rússia é relevante, mas "ainda está aquém do potencial das duas economias".
Ao lado do primeiro-ministro russo Mikhail Mishustin, Alckmin comandou a 8ª Reunião da Comissão Brasil-Rússia de Alto Nível de Cooperação (CAN). O grupo é considerado a mais alta instância de diálogo entre os dois países. A reunião aconteceu no Palácio do Itamaraty, em Brasília.
"Esperamos que essas subcomissões avancem na ampliação e diversificação do comércio bilateral, no estímulo a investimentos produtivos e na cooperação e promoção de parcerias capazes de gerar crescimento sustentável e de benefício mútuo para nossas economias", afirmou o vice-presidente brasileiro durante a abertura do encontro.
Alckmin elencou possibilidades de ampliação de investimentos russos no Brasil, citando setores como os de fertilizantes, energia, e equipamentos industriais. Também afirmou que há espaço para maior presença de empresas brasileiras no mercado russo em áreas como alimentos processados, dispositivos médicos e tecnologia agrícola.
O primeiro-ministro russo destacou que o Brasil é o principal parceiro da Rússia na América Latina e que as mudanças estruturais na economia global abrem "oportunidades adicionais" para a expansão da cooperação russo-brasileira. Ele defendeu que Brasil e Rússia façam pagamentos em moedas nacionais, com sistemas independentes, o que poderia potencializar a cooperação bilateral.
No ano passado, o comércio entre Brasil e Rússia foi de US$ 10,9 bilhões.
"Para implementar com sucesso nossos planos conjuntos, devemos expandir as liquidações mútuas em moedas nacionais, desenvolver interações bancárias diretas e, claro, utilizar mais ativamente sistemas independentes de pagamento e liquidação, desenvolver corredores de transporte modernos e criar novas cadeias de produção e logística", pontuou Mishustin.
O vice-presidente brasileiro e o primeiro-ministro russo também discutiram a manutenção do status da América Latina e Caribe como zonas de paz e reafirmaram suas posições a favor do restabelecimento do papel central da ONU na elaboração de respostas coletivas aos desafios mundiais, segundo declaração conjunta divulgada após o encontro.
Após a reunião, pela manhã, o presidente Lula (PT) ofereceu um almoço para o primeiro-ministro, que veio ao Brasil acompanhado de oito ministros, três vice-ministros, além de dirigentes de agências.
Segundo o Palácio do Planalto, o petista reforçou o potencial "ainda pouco explorado" do comércio bilateral e destacou a urgência na adoção de ações para o fortalecimento do multilateralismo.
À tarde, Alckmin e Mishustin participaram do Fórum Empresarial Brasil-Rússia, organizado pela ApexBrasil, com a presença de empresários dos dois países.









