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ICE intensifica operações e prende 10 mil em 5 dias

Prisões praticamente dobraram em relação ao ritmo registrado no início deste ano, quando cerca de mil pessoas eram detidas diariamente

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Sofia Pilagallo
03/07/2026, 03:00 • Atualizado em 03/07/2026, 03:00
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Agentes do ICE protegem a entrada do centro de detenção Delaney Hall, em Newark | Foto: Eduardo Munoz/Reuters - 29.05.2026

Agentes do ICE protegem a entrada do centro de detenção Delaney Hall, em Newark | Foto: Eduardo Munoz/Reuters - 29.05.2026

Autoridades federais de imigração dos Estados Unidos prenderam mais de 10 mil pessoas nos últimos cinco dias, em uma forte escalada das operações do ICE, o Serviço de Imigração do país. O aumento ocorre após a agência receber orientação para intensificar as detenções e ampliar o número de imigrantes encaminhados para deportação.

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Segundo documentos obtidos pelo "The New York Times" e relatos de autoridades federais, dirigentes do ICE ordenaram que os agentes concentrassem esforços na prisão de imigrantes em diferentes situações. As detenções ocorreram durante audiências com autoridades migratórias, abordagens de trânsito e operações realizadas nas ruas.

As prisões praticamente dobraram em relação ao ritmo registrado no início deste ano, quando cerca de mil pessoas eram detidas diariamente. De acordo com três fontes ouvidas pelo jornal americano, a Casa Branca passou a pressionar por um aumento nas ações, estabelecendo como nova meta cerca de 2 mil prisões por dia.

Diferentemente das grandes operações anunciadas antecipadamente em cidades como Chicago e Los Angeles no ano passado, a nova estratégia tem sido conduzida de forma mais discreta. A mudança ocorreu após críticas a uma operação realizada em Minnesota, onde agentes federais mataram dois cidadãos americanos.

A intensificação das prisões reforça a promessa do presidente Donald Trump de promover deportações em massa durante seu mandato. Nos últimos dias, o governo também ganhou respaldo da Suprema Corte para ampliar seu poder sobre a política federal de imigração, embora tenha sofrido um revés na tentativa de acabar com a cidadania por nascimento para filhos de imigrantes ilegais e visitantes.

"Nossa mensagem é clara: se você entrar ilegalmente em nosso país, nós o encontraremos, o prenderemos e o deportaremos", afirmou Lauren Bis, porta-voz do Departamento de Segurança Interna, em comunicado.

As operações também provocaram apreensão entre comunidades de imigrantes e organizações de defesa dos direitos humanos. O temor aumentou após outra decisão recente da Suprema Corte permitir que o governo encerrasse proteções contra deportação oferecidas pelo programa de Status de Proteção Temporária (TPS) para pessoas vindas de países afetados por guerras e desastres.

Os números internos da agência mostram a dimensão da ofensiva. Apenas no último sábado (27), mais de 2,4 mil pessoas foram presas, um dos maiores totais registrados em um único dia. Ao mesmo tempo, a população sob custódia do ICE aumentou em quase 4 mil detentos, ultrapassando a marca de 63 mil pessoas na terça-feira (30).

Em e-mails enviados aos funcionários, a direção do ICE comemorou os resultados. Marcos Charles, chefe da divisão de deportação da agência, agradeceu aos agentes pelos "esforços extraordinários" realizados no último fim de semana e afirmou que as operações alcançaram "resultados operacionais notáveis".

Segundo funcionários americanos, os supervisores receberam ordens para manter o maior número possível de agentes trabalhando sete dias por semana. Além disso, cerca de 80% do efetivo passou a ser direcionado para operações de prisão, enquanto chefes da agência também foram orientados a acompanhar as ações de perto.

A ampliação das operações ocorre após o governo reforçar a estrutura do ICE. No ano passado, Stephen Miller, chefe de gabinete adjunto de Trump, havia fixado uma meta de 3 mil prisões diárias, objetivo que não foi atingido. Desde então, a agência contratou milhares de novos agentes e recebeu bilhões de dólares em recursos para ampliar as operações.

Em diferentes regiões do país, advogados e líderes religiosos relataram um aumento nas detenções. No sul do Texas, a freira nigeriana Letty Ugboaja foi presa no domingo enquanto seguia para a igreja, segundo a irmã Norma Pimentel. Após pressão de líderes locais e de integrantes do Congresso, ela foi libertada no mesmo dia.

Na Flórida, a advogada Cindy Blandon afirmou que um de seus clientes, um nicaraguense pai de dois filhos, foi preso durante uma verificação de rotina, mesmo tendo audiência marcada apenas para 2027. Em Utah, a advogada Ysabel Lonazco disse que também observou um crescimento nas abordagens e relatou o caso de um homem detido enquanto dirigia por ter permanecido no país além do prazo do visto.

"Isso aumenta ainda mais o medo na comunidade. As pessoas não querem sair de casa. Elas têm medo de dirigir até o supermercado. Estão simplesmente apavoradas com essas detenções", afirmou Lonazco.

Outro caso ocorreu em Salt Lake City, onde Arturo, um mexicano de 48 anos, foi preso a caminho de um jogo de futebol, segundo sua esposa, Verônica. Ela afirmou que o marido não possuía antecedentes criminais, trabalhava na fabricação de móveis e pagava impostos regularmente, e disse que a prisão deixou o filho de 13 anos profundamente traumatizado.

O Departamento de Segurança Interna informou que Arturo havia retornado ilegalmente aos EUA e permanecerá sob custódia do ICE enquanto responde ao processo de deportação. A família não imaginava que seria atingida pela nova onda de operações. "Pensamos: não temos antecedentes criminais, pagamos impostos todos os anos", disse Verônica.

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