Hamas se diz pronto para deixar poder na Faixa de Gaza
Grupo disse ter emitido diretrizes para ceder governo ao chamado "Conselho da Paz", como previsto no acordo de cessar-fogo

Camila Stucaluc
O Hamas afirmou que “está pronto” para deixar o governo da Faixa de Gaza, conforme estipulado pelo acordo de cessar-fogo. A declaração foi feita pelo porta-voz do grupo palestino Hazem Qassem, em vídeo gravado no domingo (11).
“Esta decisão de entregar o controle na Faixa de Gaza faz parte da nossa implementação do acordo de cessar-fogo e dá prioridade ao supremo interesse nacional. Há uma decisão clara e final a esse respeito”, disse Qassem. Ele, contudo, não mencionou o desarmamento do Hamas — exigência também prevista no acordo.
O governo transitório faz parte da segunda fase do cessar-fogo. Até que uma Autoridade Palestina reformada possa começar a administrar o enclave, a região será administrada pela gestão internacional, chamada de “Conselho da Paz”, chefiada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e outros líderes, e composta por “palestinos qualificados”.
O antigo enviado da Organização das Nações Unidas (ONU) para o Oriente Médio, o diplomata búlgaro Nickolay Mladenov, foi o escolhido para ser o diretor-geral do Conselho. Na última semana, ele esteve em Jerusalém e na Cisjordânia ocupada, onde se reuniu com autoridades israelenses e palestinas para tratar dos próximos passos do acordo.
Israel, contudo, aguarda a entrega do corpo do policial Ran Rani Gvili, de 24 anos, para dar início a segunda fase do cessar-fogo. Ele faz parte dos 48 reféns capturados pelo Hamas em 7 de outubro de 2023. Todos os demais foram libertados ou tiveram os restos mortais entregues pelo grupo palestino ao governo israelense, em troca de quase 2 mil palestinos detidos em Israel.
O Hamas alega dificuldade em encontrar os restos mortais do refém devido aos escombros que se acumularam durante os dois anos de guerra, bem como a falta de equipamento para as buscas. Israel sustenta que enquanto o corpo do policial não for devolvido, a primeira etapa do acordo não estará concluída, inviabilizando o seguimento do plano de paz.
Outras exigências
Quando o Hamas a primeira fase do acordo de paz estiver concluída, abrirá caminho para a saída das tropas israelenses da Faixa de Gaza e para o desarmamento do Hamas. As questões são consideradas sensíveis, já que o grupo palestino insistiu repetidamente que não renunciará às suas armas.
Além do governo transitório, a próxima etapa prevê planos para a reconstrução de Gaza e o envio de uma força de estabilização internacional para garantir a segurança no território. Espera-se, também, a ampliação da ajuda humanitária no enclave palestino, limitada drasticamente por Israel. Segundo dados da ONU, mais de 640 mil pessoas enfrentam níveis "catastróficos" de insegurança alimentar na região.









